Zuckerberg explica por que vai rastrear mouse e teclado de funcionários
Zuckerberg explica por que vai rastrear mouse e teclado de funcionários
Mark Zuckerberg é fundador e CEO da Meta (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
Meta está rastreando os movimentos de mouse, cliques e digitação de seus funcionários nos Estados Unidos para treinar modelos de inteligência artificial.
O CEO Mark Zuckerberg admitiu a operação em uma reunião geral, e afirmou que o objetivo é coletar dados de alta qualidade para treinar agentes de IA.
A empresa também confirmou que uma nova rodada de demissões está a caminho, afetando cerca de 10% dos funcionários.
A Meta decidiu analisar mais de perto como anda a rotina de seus funcionários nos Estados Unidos. Durante uma reunião geral na última semana, Mark Zuckerberg confirmou abertamente que a companhia está rastreando os movimentos de mouse, cliques e até a digitação das equipes de trabalho.
Se você pensou que a ideia era medir produtividade, errou. O objetivo da big tech, segundo o CEO, é utilizar esse vasto volume de dados comportamentais para treinar seus novos modelos de inteligência artificial. No mesmo encontro, a diretoria aproveitou para alertar sobre uma iminente rodada de demissões.
A decisão de monitoramento, que naturalmente levanta debates sobre privacidade corporativa, é vista pela Meta como uma vantagem competitiva. Segundo o site The Information, Zuckerberg explicou à equipe que a atividade interna dos engenheiros e desenvolvedores gera dados extremamente valiosos para a criação de agentes inteligentes.
Por que a Meta está monitorando os funcionários?
A justificativa oficial é a busca por dados de treinamento de altíssima qualidade. Nas palavras do próprio CEO, os funcionários da Meta possuem um nível de especialização e inteligência muito superior ao dos trabalhadores terceirizados, que costumam ser contratados por empresas do setor justamente para rotular dados e treinar modelos básicos.
Zuckerberg acredita que, ao replicar a forma exata como seus próprios especialistas interagem com softwares — desde o tempo de resposta em menus até o uso orgânico de atalhos de teclado —, a Meta conseguirá criar agentes de IA muito mais eficientes e sofisticados.
O projeto interno atende pelo nome de Model Capability Initiative (MCI). De acordo com a agência Reuters, a ferramenta roda em segundo plano durante o uso de aplicativos e sites de trabalho, chegando a capturar, ocasionalmente, imagens do conteúdo presente nas telas dos colaboradores.
Zuckerberg quer usar funcionários como base de dados para treinar IAs (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Novas demissões no horizonte
Durante a mesma reunião geral, a diretora de recursos humanos da Meta, Janelle Gale, trouxe à tona os planos corporativos para demitir cerca de 10% do atual quadro de funcionários já no próximo mês. Gale também afirmou que não há garantia de estabilidade para quem permanecer após os cortes.
“Haverá mais demissões? Essa pergunta sempre surge. Eu adoraria dizer que não haverá mais demissões, mas não posso prometer algo que não podemos cumprir”, declarou a executiva. Ela ressaltou que, apesar do que seria um desempenho financeiro sólido da Meta, a empresa tem a obrigação de gerenciar seus custos diante de uma concorrência acirrada e mudanças nas prioridades.
Zuckerberg também reservou uma parte do seu discurso para abordar os cortes, tentando desvincular as demissões da automação por IA. O executivo defendeu que a inteligência artificial não atua como o fator primário por trás das dispensas.
Contudo, ele admitiu corroborar uma ideia que já ecoa no Vale do Silício: a tecnologia teria tornado equipes menores mais eficientes, o que, na prática, altera a necessidade de manter grandes grupos humanos em diversas áreas de operação.
Zuckerberg explica por que vai rastrear mouse e teclado de funcionários
Zuckerberg explica por que vai rastrear mouse e teclado de funcionários
Fonte: Tecnoblog

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