Category: Linux

Depois do Windows, Qualcomm agora aposta no Linux

Depois do Windows, Qualcomm agora aposta no Linux

Qualcomm anunciou suporte oficial ao Linux em computadores com Snapdragon X2 (imagem: reprodução/Qualcomm)

Resumo

A Qualcomm anunciou suporte oficial ao Linux em computadores equipados com chips Snapdragon X2.
O suporte está em fase de prévia para desenvolvedores e visa permitir a criação, teste e otimização de software para Linux nessas máquinas.
A Qualcomm pretende tornar o projeto estável até o fim de novembro de 2026, com previsão de ampla disponibilidade em 2027, incluindo uma versão do Ubuntu certificada.

A Qualcomm introduziu os chips Snapdragon X em 2023 com a missão de fazer a arquitetura Arm ganhar espaço no segmento de PCs. Mas o foco sempre esteve no ecossistema do Windows. Até agora: a companhia acaba de anunciar o suporte ao Linux em computadores baseados na série Snapdragon X2.

É verdade que este é um “Early Developer Preview”, ou seja, o projeto está em fase de prévia para desenvolvedores. Isso significa que a novidade não é interessante para usuários “normais” no atual estágio. Atualmente, o objetivo é permitir que desenvolvedores criem, testem e otimizem software para Linux nessas máquinas.

Não é que já não fosse possível rodar Linux em notebooks equipados com processadores Snapdragon X. Isso é feito, essencialmente, via implementação ARM64 (AArch64) do kernel. O problema é que é preciso também oferecer suporte a componentes relacionados à CPU, como a GPU e a NPU. Sem apoio do fabricante, a comunidade Linux tem que se virar para isso.

O anúncio da Qualcomm chama a atenção porque, nele, a companhia afirma que está trabalhando para tornar os componentes relacionados à série Snapdragon X2 compatíveis com o Linux diretamente no nível do kernel, sem que esse suporte precise ser oferecido por meio de patches não oficiais e afins.

Por exemplo: o suporte às GPUs Adreno será feito por meio dos projetos Freedreno, Turnip e Rusticl (OpenGL, Vulkan e OpenCL). Outro: o suporte às NPUs Hexagon será feito via projeto FastRPC para permitir a execução plena de tarefas locais de IA.

Em linhas gerais, estamos falando de um trabalho extenso, mas que está em andamento, segundo a própria empresa:

O suporte para Linux em laptops com Snapdragon da série X2 está sendo implementado em etapas, começando com os componentes principais que os desenvolvedores precisam antes de poderem trabalhar em nível de produção em seus dispositivos.

(…) Com essas bases estabelecidas, os desenvolvedores terão um caminho mais claro para criar, testar e otimizar aplicativos em hardware real, em vez de apenas validar se o Linux inicializa.

Qualcomm

Chip da série Snapdragon X2 (imagem: divulgação/Qualcomm)

Quando o Linux será totalmente compatível com os chips Snapdragon X2?

A Qualcomm ainda não deu uma data para isso. Mas, de acordo com o cronograma divulgado pela companhia, o plano é tornar o projeto estável o suficiente para ele sair da fase “preview” até o fim de novembro de 2026.

Depois disso, a Qualcomm pretende ampliar o suporte oferecendo códigos-fonte atualizados, drivers, imagens, documentação e afins, sempre tendo como base o Debian 13 “Trixie”, distribuição que tem servido de referência para esses esforços. Aliás, o trabalho feito até agora já está disponível no GitHub.

É de se presumir que o projeto será verdadeiramente acessível a usuários de todos os níveis a partir do primeiro semestre de 2027, quando fabricantes como Asus e HP oferecerão suporte oficial ao Linux em notebooks com Snapdragon X2. No mesmo ano, a Canonical pretende lançar uma versão do Ubuntu certificada para esses chips.

Fica a torcida para que o envolvimento da Qualcomm com o Linux seja mantido em séries de chips sucessoras, é claro.
Depois do Windows, Qualcomm agora aposta no Linux

Depois do Windows, Qualcomm agora aposta no Linux
Fonte: Tecnoblog

Valve libera ferramenta open-source para adaptar jogos de Android no Steam

Valve libera ferramenta open-source para adaptar jogos de Android no Steam

Valve libera ferramenta Lepton em código aberto no GitHub (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Valve liberou o Lepton, uma ferramenta open-source que adapta jogos de Android para Linux, permitindo que sejam executados no Steam.
O Lepton está disponível no GitHub e pode ser usado para “traduzir” jogos e rodá-los no Steam, incluindo jogos de realidade virtual exclusivos de Android, no óculos Steam Frame.
O Steam Frame, que roda o sistema SteamOS, é um óculos de realidade virtual que rivaliza com o Meta Quest 3, com preços a partir de US$ 1.059.

A Valve tornou open-source uma ferramenta que transforma jogos de Android em versões compatíveis com Linux. Agora, desenvolvedores podem acessar o Lepton em código aberto para “traduzir” seus games e, assim, rodá-los no Steam. 

O recurso está disponível via GitHub, plataforma para desenvolvedores que reúne diversos softwares liberados para uso de terceiros. Segundo a descrição da página disponibilizada pela própria Valve, a licença da ferramenta é do MIT.

A princípio, é possível utilizar a versão do Lepton com jogos de realidade virtual exclusivos do sistema mobile, que passam a ficar disponíveis no óculos de realidade virtual Steam Frame. De acordo com o The Verge, títulos do óculos Meta Quest já estão sendo convertidos para rodar no SteamOS com o óculos VR da Valve.

Como funciona o Lepton?

Na página do GitHub em que o Lepton foi disponibilizado, a desenvolvedora do Steam traz detalhes sobre essa “tradução” feita pelo recurso. Para rodar os games em Linux, a ferramenta desativa serviços não-essenciais fora do sistema Android e salva partes do jogo em cache para um acesso mais rápido.

Lepton permite rodar jogos de Android diretamente no Steam (Imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)

O funcionamento é semelhante ao do Proton, serviço que adapta games de Windows no sistema de código aberto. O usuário abre um arquivo APK do game direto no Steam, mesmo sem ter o sistema original instalado. É uma forma mais prática e leve de rodar títulos no Linux sem precisar criar uma máquina aberta, o que demanda bem mais do seu computador.

Com o código disponibilizado pela Valve, a expectativa é que mais games fiquem disponíveis no Steam Frame via SteamOS. Segundo a empresa, é possível utilizar a ferramenta para outros tipos de conversão Android-Linux, mas o resultado pode não ser o ideal.

O que é Steam Frame?

Novo Steam Frame começou a ser vendido em setembro (imagem: reprodução/Valve)

O Steam Frame foi anunciado pela Valve em dezembro de 2025 junto ao console Steam Machine, mas sua pré-venda só começou no último dia 14 de setembro, segundo o site TechPowerUp. Com início dos envios começando nesta sexta (18/09), o modelo chega para rivalizar com o Meta Quest 3 e oferece versões de 256 GB ou 1 TB.

Seu preço oficial começa em US$ 1.059 (R$ 5.445 na cotação atual). Nas especificações, o headset de realidade virtual roda sistema SteamOS, tem 16 GB de RAM DDR5X e traz processador Snapdragon 8 de terceira geração, fabricado em 4 nm. Segundo a Valve, o valor original seria inferior aos US$ 1 mil, o que não foi possível por conta da crise global de chips de memória.
Valve libera ferramenta open-source para adaptar jogos de Android no Steam

Valve libera ferramenta open-source para adaptar jogos de Android no Steam
Fonte: Tecnoblog

Após críticas, Amazon corrige bug de sideloading no Fire TV

Após críticas, Amazon corrige bug de sideloading no Fire TV

Bug no Fire OS atingiu aparelhos de streaming que rodam as versões 7 e 8 do sistema (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Resumo

A Amazon confirmou que um bug nas configurações do Fire TV estava impedindo a instalação de apps de fontes externas e prometeu um patch corretivo.
A falha atingiu principalmente modelos mais básicos que rodam o Fire OS 7 e 8, como o Fire TV Stick Lite.
Uma atualização silenciosa resolverá o problema, mas o suporte a arquivos APK deve acabar nos futuros aparelhos da linha, que migrarão para o novo sistema Vega OS.

Alguns dispositivos da linha Fire TV voltarão a autorizar a instalação de aplicativos de fontes externas. A prática, conhecida no meio da tecnologia como sideloading, estava bloqueada para muitos usuários após atualizações do sistema Fire OS liberadas pela Amazon.

Após uma onda de reclamações, a empresa reconheceu o problema e disse que a limitação não foi intencional. Na verdade, um bug no software, que já teve a causa identificada, será resolvido com um novo patch de correção.

O que causou o bloqueio?

O problema atingiu aparelhos rodando as versões mais recentes do Fire OS 7 e Fire OS 8 e afetou especificamente o menu “Instalar apps desconhecidos”. O sistema da Amazon passou a verificar desnecessariamente todos os aplicativos do dispositivo, incluindo os nativos, antes de gerar a permissão de instalação.

A interface nem sempre aguardava a conclusão dessa varredura, mostrando um menu incompleto ou completamente vazio na tela. Hardwares mais antigos e com processadores menos potentes, como o modelo de entrada Fire TV Stick Lite, foram os mais prejudicados.

O Fire TV Stick Lite foi um dos modelos mais afetados (Imagem: Darlan Helder/Tecnoblog)

Correção a caminho e futuro da plataforma

A Amazon informou que o patch corretivo será lançado e instalado automaticamente nos dispositivos afetados nos próximos dias. Como a mudança afeta apenas o aplicativo de configurações do sistema, o número da versão do Fire OS não deve ser alterado.

Apesar do alívio para os atuais proprietários, a facilidade de instalar aplicativos de fora da loja da Amazon tem prazo de validade. A fabricante já confirmou que seus futuros dispositivos de streaming deixarão o Android de lado em favor do Vega OS, uma plataforma baseada em Linux. A mudança promete entregar mais fluidez e menor consumo de energia, mas impedirá o uso de pacotes de instalação no formato APK.
Após críticas, Amazon corrige bug de sideloading no Fire TV

Após críticas, Amazon corrige bug de sideloading no Fire TV
Fonte: Tecnoblog

Perplexity lança sistema de IA que roda tudo no seu PC

Perplexity lança sistema de IA que roda tudo no seu PC

Processamento local elimina a necessidade de pagar por créditos ou tokens (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

Perplexity lançou o Portable Computer, um agente de IA que roda direto no hardware do usuário, preservando a privacidade.
O processamento local das tarefas dispensa a cobrança por uso de tokens e impede que dados confidenciais vazem para a nuvem.
O sistema exige alto poder computacional, tendo como requisito mínimo uma placa de vídeo RTX 3090.

A Perplexity revelou o Portable Computer, uma nova versão de sua plataforma de inteligência artificial que é executada no próprio hardware do usuário. O objetivo da iniciativa é tirar as cargas de trabalho da nuvem e levá-las para os computadores locais, garantindo a privacidade absoluta de arquivos sensíveis e cortando os custos gerados pelo consumo de tokens no ambiente corporativo.

A novidade foi desenvolvida em parceria com a Nvidia e já está disponível globalmente para sistemas baseados em Linux. A chegada do suporte oficial para o Windows está agendada para setembro, enquanto arquiteturas Apple Silicon (Macs com chips M) seguem fora do radar de desenvolvimento.

O software liberado na terça-feira (25/08) é uma versão “turbinada” do projeto original “Computer”, introduzido pela empresa em fevereiro deste ano. A versão anterior permitia operar um agente autônomo em dispositivos como o Mac Mini, mas o trabalho pesado de processamento ainda dependia de servidores externos.

Com o Portable Computer, toda a infraestrutura roda de forma isolada na máquina. Para dar conta do recado, o sistema exige equipamentos com alto poder de processamento, limitando o uso inicial a supercomputadores de mesa, como o DGX Spark, e a PCs equipados com GPUs parrudas da linha Nvidia RTX.

Today we’re launching Portable Computer on @NVIDIA DGX Spark.Portable Computer is a fully local version of Perplexity Computer, where the entire runtime: orchestrator LLM, subagent LLM, agent harness all run on your local hardware. No cloud dependency. pic.twitter.com/plVWz5PaAw— Perplexity (@perplexity_ai) August 25, 2026

Como o Portable Computer garante a privacidade?

O mercado corporativo tem mudado seu foco das simples interações de chat para agentes de IA, o que gera uma demanda maior por poder de processamento e faturas altíssimas. Ao executar as tarefas localmente, o usuário simplesmente deixa de ser cobrado a cada requisição. Segundo o vice-presidente de engenharia de infraestrutura da Perplexity, Nate Kupp, a novidade “incorpora tudo o que é necessário para funcionar localmente”.

Caso a capacidade do hardware chegue ao limite durante uma análise muito complexa, o sistema é inteligente o suficiente para adotar um comportamento híbrido. O agente pausa a ação e pede permissão ao usuário antes de acionar um modelo de nuvem mais potente, como o Claude Opus 5.

Para não comprometer a privacidade, o software garante que o modelo remoto devolva apenas orientações em texto, sem jamais ler documentos, pastas e arquivos confidenciais que estão hospedados na máquina.

Execução local garante que dados sensíveis não sejam enviados para fora da máquina (imagem: reprodução/Perplexity)

Quais são os requisitos de hardware?

Devido à alta carga de trabalho autônoma, a Perplexity estabeleceu requisitos rígidos: pelo menos 24 GB de VRAM, o que requer uma GPU de alto desempenho, como a GeForce RTX 3090 ou superior.

No lançamento, o Portable Computer pode ser configurado nativamente com o modelo Qwen 3.8 27B ou o PPLX 27B (uma versão otimizada internamente com base no Qwen).

A documentação oficial da ferramenta também confirmou o suporte iminente à arquitetura Nemotron, composta por modelos de código aberto da própria Nvidia.

Sistema exige placas de vídeo de alto desempenho (imagem: reprodução/Nvidia)

Apesar de rodar localmente, a plataforma conta com forte integração a aplicativos externos como Google Drive, Gmail, GitHub e Slack. Na prática, a IA consegue extrair informações financeiras, mastigar dados de planilhas e compartilhar análises prontas sem qualquer intervenção humana.

Em termos de desempenho, o modelo integrado foi testado no Local Knowledge Work Bench, uma avaliação da própria Perplexity composta por 53 tarefas de análise e pesquisa. Executando o modelo PPLX 27B em um DGX Spark, a precisão bateu os 85,4%. O sistema exigiu menos tempo de processamento em comparação a arquiteturas abertas concorrentes, como o Raspberry Pi e o Hermes, principalmente em testes multimodais e de navegação na web.

Neste primeiro momento, o software está restrito ao Linux e a contas corporativas atreladas aos planos Pro. Segundo a Reuters, a Nvidia estuda um investimento que poderia avaliar a Perplexity em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 154 bilhões em conversão direta).
Perplexity lança sistema de IA que roda tudo no seu PC

Perplexity lança sistema de IA que roda tudo no seu PC
Fonte: Tecnoblog

Ubuntu cresce mais no Windows do que no próprio Linux

Ubuntu cresce mais no Windows do que no próprio Linux

O WSL integra o ambiente do Ubuntu na área de trabalho do Windows 11 (imagem: reprodução/Canonical)

Resumo

A base de usuários do Ubuntu no Windows 11, via Subsistema Windows para Linux (WSL), está crescendo mais do que as instalações nativas, de acordo com a Canonical.
Desenvolvedores preferem o Linux no Windows 11 devido à praticidade e restrições no ambiente de trabalho, que normalmente não permitem a configuração de outros sistemas em dual-boot.
A Microsoft atraiu o público do Linux com melhorias no WSL, incluindo transferências de arquivos mais velozes e configurações de rede mais estáveis, permitindo até rodar modelos pesados de IA com acesso direto à GPU.

A base de usuários do Ubuntu rodando dentro do Windows 11, por meio do Subsistema Windows para Linux (WSL), está crescendo mais rápido do que as instalações nativas em desktops. A observação estatística foi feita pela Canonical, empresa responsável pelo desenvolvimento da distribuição Linux. A projeção oficial é que o uso, impulsionado pela ferramenta da Microsoft, ultrapasse o número de máquinas que rodam o sistema nativamente já nos próximos meses.

O cenário revela uma grande mudança no mercado de tecnologia. A antiga rivalidade entre os dois ecossistemas deu lugar a uma integração profunda em que o Windows atua como o sistema hospedeiro, enquanto o Linux opera como o ambiente mais prático de desenvolvimento e execução de códigos.

Por que desenvolvedores preferem o Linux no Windows 11?

O fenômeno ganha força no meio corporativo devido à união entre praticidade e restrições comuns no ambiente de trabalho. Profissionais de tecnologia costumam receber máquinas equipadas com Windows dos empregadores, sujeitas a políticas de segurança que proíbem a formatação do equipamento ou a configuração de outros sistemas em dual boot.

O vice-presidente de Engenharia da Canonical, Jon Seager, explicou em entrevista ao The Pragmatic Engineer que a demanda é impulsionada, em grande parte, por fluxos de trabalho que envolvem inteligência artificial e aprendizado de máquina. Com o WSL, o usuário instala o Ubuntu no ambiente da Microsoft. Uma vez configurado, a interação ocorre pelo aplicativo de Terminal, permitindo acessar janelas gráficas do Ubuntu direto na área de trabalho do Windows, por exemplo.

Essa flexibilidade acabou tornando o WSL uma solução quase padrão. Ele entrega o ecossistema que as ferramentas de IA exigem, sem interferir na camada de gerenciamento do Windows, que executa o controle corporativo exigido pelas empresas.

O terminal do Ubuntu rodando no Windows (imagem: reprodução/Canonical)

Como a Microsoft atraiu o público do Linux?

A Microsoft investiu em melhorias profundas no WSL, como transferências de arquivos mais velozes entre os dois sistemas e configurações de rede mais estáveis. Em termos de processamento bruto, a integração já possibilita rodar modelos pesados de IA utilizando acesso direto à GPU de dentro do Linux.

A estratégia também se reflete nos servidores, com a empresa mantendo o Azure Linux, sua própria distribuição de código aberto.

Apesar dos indícios de uma inversão nas métricas de instalação, o ambiente Linux nativo ainda mantém relevância técnica em determinados cenários. O WSL não substitui a experiência de controle total sobre os recursos de hardware oferecida por um computador com Ubuntu nativo. Além disso, desenvolvedores relatam restrições de licenciamento ou conflitos de rede no WSL.
Ubuntu cresce mais no Windows do que no próprio Linux

Ubuntu cresce mais no Windows do que no próprio Linux
Fonte: Tecnoblog

Dell vê crescimento do Linux e comemora “ano do sistema no notebook”

Dell vê crescimento do Linux e comemora “ano do sistema no notebook”

Tux, o símbolo do Linux (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Linux está ganhando popularidade entre as pessoas que querem fugir de todas as bugigangas do chamado Microslop, o fenômeno de colocar IA em todas as partes do Windows. De acordo com o vice-presidente de Produto da Dell, Konstantin Tuv, o sistema operacional rival está vivendo uma período de ascensão por conta disso.

“Acho que não é tão grande quanto o Windows [em representatividade de vendas], obviamente, mas estamos vendo um aumento de popularidade”. Em seguida, Tuv começou a falar sobre o trabalho de integração dos notebooks XPS com o Omarchy, uma distribuição focada em desenvolvedores, baseada no Arch Linux e com o gerenciador de janelas Hyprland.

“É aqui que tentamos nos aprofundar nisso (…) e não apenas damos suporte ao Linux, mas também (…) engajamos essa comunidade e permitimos outros tipos de soluções comunitárias [grassroots] para o cliente mais antenado e para quem talvez o Windows não seja a melhor opção”, comenta Tuv, em entrevista para o Tecnoblog durante o evento Dell Technologies World, realizado nos Estados Unidos.

Como a Dell planeja o suporte de dia um ao kernel do Linux?

A Dell já fala que 2026 é “o ano do Linux no notebook”, jogando luz para a parceria de desenvolvimento feita entre a fabricante, a Intel e a equipe do Omarchy – liderada por David Heinemeier Hansson, também conhecido como DHH, o mesmo criador do Ruby on Rails. Eles querem resolver o problema de incompatibilidade do kernel Linux com equipamentos mais novos.

Normalmente, quando um processador novo é lançado, os componentes do PC/notebook ficam inutilizáveis por meses, até que a comunidade de desenvolvedores atualize o kernel do Linux. Por isso é um desafio usar o sistema em aparelhos mais recentes.

Na linha XPS 14 e 16, modelos lançados em 2026, as três equipes (Dell, Intel e Omarchy) trabalharam para lançar uma solução temporária para o kernel oficial, o “linux-ptl”. A sigla “ptl” corresponde a Panther Lake, nova geração da Intel.

Com isso, ao instalar o Omarchy em um XPS, usuários podem ver o “linux-ptl” na tela de boot. A ideia é que a solução seja substituída pelo Linux 7.0, mas até lá, todos os componentes de hardware como som, câmera, tela, Wi-Fi e até a NPU (Unidade de Processamento Neural, para recursos de IA) seguem funcionando normalmente.

Vale ressaltar que esse trabalho não ficou restrito aos PCs da Dell ou à distribuição Omarchy. A solução “linux-ptl” foi enviada para o kernel principal do Linux e pode ser aplicada tanto a outros notebooks com Panther Lake quanto a outras distribuições, como o Ubuntu.

Mais Dell: lideranças falam sobre IA e mercado de trabalho

Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Tecnoblog (@tecnoblog)

O repórter viajou para os Estados Unidos a convite da Dell Technologies
Dell vê crescimento do Linux e comemora “ano do sistema no notebook”

Dell vê crescimento do Linux e comemora “ano do sistema no notebook”
Fonte: Tecnoblog

Linux deixará de suportar os clássicos chips AMD K5

Linux deixará de suportar os clássicos chips AMD K5

Kernel Linux deixará de suportar os clássicos chips AMD K5 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

Linux encerrará suporte a processadores AMD K5, lançados em 1996, a partir da versão 7.2 do kernel em 2026;

motivo principal é ausência ou implementação despadronizada do recurso Time Stamp Counter (TSC) em determinadas variantes desses chips;

modelos antigos da Cyrix sem suporte a TSC também serão afetados pela medida.

Lançados em 1996, os processadores AMD K5 deixarão de ser suportados pelo Linux em breve. A remoção do suporte deve começar, oficialmente, pela versão 7.2 do kernel, a ser lançada no segundo semestre de 2026. O motivo principal da decisão? Os esforços necessários para manter suporte a CPUs sem “TSC” (você já vai entender).

TSC é a sigla para Time Stamp Counter. Trata-se de um recurso presente em chips x86 que conta os ciclos do processador desde o momento em que ele entra em operação (a contagem é zerada quando o computador é desligado, obviamente). O TSC pode ser usado para agendamento de processos, checagem de desempenho, sincronização de tarefas, entre outras ações.

O problema é que algumas variantes do AMD K5 não contavam com TSC ou o implementavam de modo despadronizado. Para lidar com esses chips, o kernel Linux precisa manter um código adicional que faz uma espécie de emulação desse recurso ou aciona mecanismos de contagem alternativos, que são mais lentos ou complexos.

Esse código adicional requer esforços de manutenção. Então, os desenvolvedores precisam, de tempos em tempos, definir o que deve ser mantido e o que deve ser removido do kernel para não só otimizar esses esforços, como também para garantir que o projeto não fique “inchado”.

Neste ponto, o contexto desta história fica visível: o AMD K5 é um chip introduzido na década de 1990 e, portanto, pouco usado atualmente; nesse cenário, os esforços para manter o suporte ao modelo não compensam mais, presumivelmente.

Chip AMD K5 (imagem: reprodução/eBay)

Quando o AMD K5 será “aposentado” no Linux?

O Phoronix encontrou referências para a remoção de chips x86 sinalizados como “sem TSC” no repositório do kernel Linux 7.2, versão que deve ser lançada entre agosto e outubro de 2026. A versão atual é o kernel Linux 7.0, vale relembrar.

Além do AMD K5, a medida valerá para outros chips i586/i686 sem suporte adequado a TSC, a exemplo de alguns modelos da família Cyrix.

Atualmente, os desenvolvedores preparam o lançamento do kernel 7.1, versão que marcará o fim do suporte a processadores i486 no Linux.
Linux deixará de suportar os clássicos chips AMD K5

Linux deixará de suportar os clássicos chips AMD K5
Fonte: Tecnoblog

Fim do suporte a chips i486 no Linux está próximo

Fim do suporte a chips i486 no Linux está próximo

Fim do suporte a chips i486 no Linux está próximo (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

kernel Linux deve iniciar remoção do suporte aos chips i486 na versão 7.1;
suporte ao i486 gera código legado e rotinas de emulação x86-32 para CPUs 32 bits antigas, o que consome tempo de manutenção;
Linux já encerrou suporte a chips i386 em 2012 por motivo semelhante.

Introduzidos no final dos anos 1980 e popularizados na década seguinte, os processadores i486 deverão deixar de ser suportados pelo kernel Linux. Desenvolvedores do projeto já se movimentam para que as linhas de código referentes a esses chips deixem de existir. Entre eles está Linus Torvalds.

O motivo: os chips i486 são muito antigos e, consequentemente, são pouco utilizados atualmente. Sobre isso, há cerca de um ano, Torvalds chegou a comentar:

Eu realmente tenho a sensação de que é hora de deixar o suporte ao i486 para trás.

Não há nenhuma razão real para alguém desperdiçar um segundo de esforço de desenvolvimento com esse tipo de problema.

Linus Torvalds

A qual problema Torvalds se refere? Também no ano passado, Ingo Molnar, outro importante desenvolvedor do projeto, explicou o porquê de o suporte a chips i486 ser complicado no Linux:

Na arquitetura x86, nós temos vários recursos complexos de emulação de hardware em x86-32 para suportar CPUs antigas de 32 bits que pouquíssimas pessoas usam com kernels modernos.

Essa compatibilidade às vezes causa problemas que as pessoas gastam tempo para resolver, tempo este que poderia ser gasto em outras atividades.

Ingo Molnar

Faz sentido. Código pouco usado em um projeto tão importante e complexo como o Linux exige esforços de manutenção, adaptação e até otimização para que o kernel não fique “inchado” ou tenha problemas de desempenho. Convém direcionar esforços para aquilo que tem mais prioridade.

Em tempo, o nome i486 faz referência à linha de processadores 80486 (ou somente 486) de 32 bits que a Intel lançou no fim dos anos 1980 e início da década de 1990. Também houve alternativas oferecidas pela concorrência, a exemplo dos chips Am486, da AMD.

Não seria um movimento inédito. Basta nos lembrarmos de que, em 2012, o kernel Linux perdeu suporte aos chips i386, que antecederam os processadores i486, por razões parecidas.

Processador Intel 486 DX (imagem: yellowcloud/Flickr)

Quando o suporte a i486 deixará de existir no Linux?

Linus Torvalds e sua turma trabalham atualmente no kernel Linux 7.0, versão que pode ser anunciada oficialmente já no próximo fim de semana. Porém, o Phoronix observou que uma alteração de código que dá início à remoção do suporte a i486 foi inserida recentemente em uma ramificação relacionada ao kernel 7.1.

Isso significa que a versão seguinte ao Linux 7.0 é que deve dar início ao processo de aposentadoria dos chips 486 na plataforma. Mas não pense que esta será uma decisão tomada às pressas: discussões sobre o fim do suporte a chips i486 no Linux existem pelo menos desde 2022.

Quem tem um PC 486 em atividade não ficará desamparado, porém. Neste caso, a solução é recorrer a uma distribuição Linux com uma versão anterior do kernel e que, como tal, mantém suporte a esse tipo de processador.
Fim do suporte a chips i486 no Linux está próximo

Fim do suporte a chips i486 no Linux está próximo
Fonte: Tecnoblog

Zorin Linux atinge 2 milhões de downloads após Windows 10 perder suporte

Zorin Linux atinge 2 milhões de downloads após Windows 10 perder suporte

Zorin OS 18 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Resumo

Zorin OS 18 atingiu 2 milhões de downloads em três meses após fim do suporte ao Windows 10, em 14 de outubro de 2025;
Mais de 75% dos downloads do Zorin OS 18 vieram de usuários do Windows;
Projeto Zorin OS 18 é baseado no Ubuntu 24.04.3, possui suporte de longo prazo até junho de 2029 e inclui o Wine 10.0 para compatibilidade com aplicativos do Windows.

O fim do suporte ao Windows 10 pela Microsoft encorajou muitos usuários e organizações a pelo menos testarem o Linux. Prova disso vem do Zorin OS 18: a distribuição levou apenas três meses para alcançar a marca de 2 milhões de downloads, feito notável para um projeto que, até então, parecia ser despretensioso.

A Microsoft encerrou o suporte ao Windows 10 em 14 de outubro de 2025. A solução mais óbvia para quem usava esse sistema consistia em migrar para o Windows 11. O problema é que os requisitos de hardware dessa versão a tornam incompatível com PCs antigos — tipicamente, aqueles fabricados ou montados antes de 2017.

Esse cenário era o “empurrãozinho” do qual muita gente precisava para experimentar o Linux. Coincidência ou não, o Zorin OS 18 foi lançado oficialmente na mesma data em que o Windows 10 perdeu suporte.

Logo na primeira semana após o lançamento, a distribuição superou a marca de 100.000 downloads. Em novembro, depois de um mês, esse número já havia subido para 1 milhão de downloads.

Agora, nesta segunda semana de 2026, os desenvolvedores do projeto celebraram outro feito: a marca de 2 de milhões de downloads do Zorin OS 18 desde o seu lançamento oficial.

Em postagem no X, os desenvolvedores afirmam que mais de três quartos (75%) desses downloads vieram de usuários do Windows.

Gerenciador de arquivos do Zorin OS 18 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Não há informação sobre a quantidade de downloads que correspondem a usuários do Windows 10. Nessa leva, pode haver usuários de Windows 11 que simplesmente tiverem interesse em testar a distribuição. Tampouco está claro qual é a proporção de downloads que resultaram em instalações efetivas do sistema operacional.

De todo modo, no melhor dos cenários, os números apresentados sugerem que o Zorin OS conquistou pelo menos 1,5 milhão de usuários de Windows. Para uma distribuição Linux até então não muito popular, trata-se de um avanço notável.

O que o Zorin OS 18 oferece?

O Zorin OS 18 é baseado na distribuição Ubuntu 24.04.3, foi lançado com kernel Linux 6.14 e oferece suporte de longo prazo (LTS), garantido até junho de 2029.

Um de seus diferenciais é a interface amigável, fruto de uma modificação bastante acentuada do ambiente de desktop Gnome. Até certo ponto, a interface lembra a dinâmica de uso do Windows 10. Há até uma espécie de Menu Iniciar alinhado à esquerda por ali.

Zorin OS 18 Core (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Outro recurso interessante é o suporte a aplicativos de Windows, efeito da incorporação do Wine 10.0 à distribuição. Isso também pode ter facilitado a migração do Windows 10 para o Zorin OS.

O Zorin OS 18 pode ser baixado a partir do site do projeto. Após o download, basta recorrer a uma ferramenta como o Rufus para criar um pendrive de instalação.
Zorin Linux atinge 2 milhões de downloads após Windows 10 perder suporte

Zorin Linux atinge 2 milhões de downloads após Windows 10 perder suporte
Fonte: Tecnoblog

Momento histórico: Bill Gates e Linus Torvalds se encontram pela 1ª vez

Momento histórico: Bill Gates e Linus Torvalds se encontram pela 1ª vez

Bill Gates e Linus Torvalds (foto: LinkedIn/Mark Russinovich)

Em tempos de inteligência artificial generativa, a imagem que abre esse texto poderia ser falsa. Mas não é. Bill Gates, cofundador da Microsoft, e Linus Torvalds, criador do Linux, se encontraram pela primeira vez após décadas de rivalidade.

Não que um fosse inimigo declarado do outro. Mas, ideologicamente, ambos sempre ocuparam posições opostas. Enquanto o Windows é mantido como parte de um ecossistema comercial e fechado, o Linux segue um modelo de código aberto para uso livre por qualquer organização ou indivíduo.

Não está claro se Bill Gates e Linus Torvalds trataram dessa rivalidade. A postura amigável de ambos na foto sugere que não.

O encontro entre os dois foi intermediado por Mark Russinovich, executivo do alto escalão da Microsoft, e contou com a presença de Dave Cutler, conhecido por ser o principal desenvolvedor do Windows NT.

Na postagem no LinkedIn em que divulga a foto do icônico encontro, Russinovich declarou:

Eu tive a emoção da minha vida, oferecendo um jantar a Bill Gates, Linus Torvalds e David Cutler. Linus nunca conheceu Bill, e Dave nunca conheceu Linus. Nenhuma decisão importante sobre o kernel [Linux] foi tomada, mas talvez no próximo jantar.

Mark Russinovich, Bill Gates, Linus Torvalds e David Cutler (foto: LinkedIn/Mark Russinovich)

Por que o encontro de Gates e Torvalds é tão marcante?

Por causa de seu trabalho com o Linux, Linus Torvalds chegou a ser considerado um “novo Bill Gates” ou um “novo Steve Jobs”. Mas ele nunca quis formar uma megacorporação.

Em mais de uma ocasião, Torvalds explicou que criou o Linux para atender a uma necessidade própria. O projeto poderia ajudar outras pessoas, por isso, o Linux passou a ser mantido por uma comunidade da qual Torvalds é líder até hoje.

Embora Gates nunca tenha morrido de amores pelo Linux, o período em que a Microsoft atacou o projeto correspondeu à fase em que Steve Ballmer esteve à frente da companhia (entre 1998 e 2014). Mas tudo indica que Gates nunca teve problemas com Torvalds, razão pela qual é um tanto surpreendente que ambos nunca tivessem se encontrado.

Se já houve oportunidade de encontro, talvez ela tenha sido recusada, mas por Linus Torvalds. Ele já fez algumas provocações contra a Microsoft. Uma das frases atribuídas a Torvalds é: “a Microsoft não é má, eles apenas fazem sistemas operacionais realmente ruins”.

Mas o tempo passa. Hoje, a Microsoft já não abomina o Linux como antes (o Windows Subsystem for Linux é um exemplo notável dessa mudança de postura) e Torvalds já não é tão crítico com relação à companhia. Diante disso, não dá para negar que Russinovich foi perspicaz em fazer esse encontro ocorrer.
Momento histórico: Bill Gates e Linus Torvalds se encontram pela 1ª vez

Momento histórico: Bill Gates e Linus Torvalds se encontram pela 1ª vez
Fonte: Tecnoblog