Vivo quer desligar a rede 2G “o quanto antes”
Vivo quer desligar a rede 2G “o quanto antes”
Desligamento vai reduzir custos operacionais e liberar espaço para melhorias no 5G (Imagem: Lucas Braga / Tecnoblog)
Resumo
A Vivo pretende desativar a rede 2G “o quanto antes” para reduzir custos e liberar espectro de frequências para o 4G e 5G.
No entanto, a operadora ainda enfrenta obstáculos, incluindo a dependência de dispositivos corporativos que ainda usam essa rede.
O 2G ainda é utilizado por 6,7% das conexões comerciais/empresariais no Brasil, principalmente por equipamentos como rastreadores e medidores de energia.
Manter a infraestrutura do 2G ativa no Brasil deixou de fazer sentido para a Vivo. Durante a coletiva para divulgação de resultados financeiros, nesta terça-feira (28), o CEO Christian Gebara afirmou que quer desativar a rede legada “o quanto antes for possível” para eliminar os altos custos de operação e limpar o espectro de frequências, com o objetivo final de turbinar o 4G e o 5G.
Apesar da urgência declarada pelo executivo, a Vivo ainda não tem um cronograma para encerrar o serviço de segunda geração. Hoje, o desligamento ainda esbarra em diversos obstáculos. O principal talvez seja a enorme base de dispositivos corporativos que ainda dependem do sinal antigo para funcionar.
Por que o 2G da Vivo ainda não foi desligado?
O sinal 2G pode parecer sinônimo de lentidão, mas ele ainda é fundamental para o nicho de Internet das Coisas (IoT). Dados de maio ilustram bem essa realidade: enquanto o 4G domina o setor de forma isolada, com 64,4% das linhas e o 5G avança para 23,9%, o antigo 2G ainda responde por 6,7% do mercado de conexões para fins comerciais/empresariais. Curiosamente, a rede de segunda geração supera até mesmo o 3G, que hoje amarga apenas 5,1% de participação.
Essa continuidade do 2G é sustentada quase integralmente pelo setor corporativo. Segundo o portal Convergência Digital, Gebara explicou que a demanda por uso do 2G por usuários comuns já é irrelevante, mas equipamentos como rastreadores veiculares de frotas, medidores inteligentes de concessionárias de energia elétrica e antigas máquinas de cartão de crédito seguem presos à rede antiga.
Na prática, os inúmeros clientes precisam migrar fisicamente para tecnologias mais modernas antes que a operadora tenha condições técnicas de puxar a tomada das antenas. Para tentar resolver esse gargalo, até a Anatel entrou em cena. A agência reguladora sinalizou que pretende suspender a homologação de celulares e dispositivos restritos ao 2G ou 3G para estancar a entrada de aparelhos defasados no mercado nacional, forçando a indústria a adotar padrões mais recentes.
Ainda assim, o próprio mercado mantém uma sobrevida ao formato antigo. Dispositivos focados no uso básico e de baixo custo continuam sendo lançados pelas fabricantes. Um exemplo recente é o celular de entrada Nokia 123 Shield, que sai de fábrica utilizando o padrão GSM, provando que o ecossistema do 2G ainda respira.
Dividindo a conta das antenas com a TIM
Enquanto o desligamento total não chega, a alternativa encontrada pelas gigantes das telecomunicações para não perder dinheiro é focar no compartilhamento de infraestrutura. A Vivo mantém um acordo de uso conjunto de rede, conhecido como RAN Sharing, com a TIM. O modelo funciona como uma divisão de despesas operacionais.
No caso específico do GSM (o 2G), o acordo é ainda mais incisivo: ele envolve o desligamento da rede legada de uma das operadoras. Em vez de cada empresa manter sua própria torre na mesma cidade, consumindo mais energia e exigindo manutenção duplicada, a antena de uma delas é desativada. Assim, os clientes que ainda possuem aparelhos restritos ao sinal GSM passam a usar integralmente a rede 2G da outra operadora no lugar, eliminando a redundância da infraestrutura.
No fim, a lógica de mercado das operadoras brasileiras é promover um desligamento escalonado, permitindo que as faixas de frequência hoje desperdiçadas com o tráfego fantasma do 2G sejam completamente limpas. Com essas “rodovias” virtuais liberadas, as conexões modernas ganharão mais faixas de tráfego, garantindo mais capacidade, estabilidade e velocidade para suportar o crescente consumo de dados no Brasil.
Vivo quer desligar a rede 2G “o quanto antes”
Vivo quer desligar a rede 2G “o quanto antes”
Fonte: Tecnoblog

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