Banco de dados sem proteção expõe 149 milhões de logins e senhas

Banco de dados sem proteção expõe 149 milhões de logins e senhas

Milhões de credenciais foram expostas na internet (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

149 milhões de credenciais de serviços como Gmail, Facebook e Binance ficaram expostas em uma base de dados sem proteção na internet, que já foi retirada do ar após denúncias.
Malwares do tipo infostealer foram os responsáveis por alimentar o banco de dados, infectando dispositivos e capturando informações digitadas pelas vítimas para organizar consultas em larga escala.
Custo reduzido de até US$ 300 mensais para alugar essas infraestruturas criminosas facilita a operação de fraudes e invasões, permitindo que atacantes obtenham volumes massivos de dados com baixo investimento.

Uma base de dados contendo cerca de 149 milhões de nomes de usuário e senhas ficou acessível publicamente na internet antes de ser derrubada. O material reunia credenciais de serviços populares — como Gmail, Facebook e Binance —, além de acessos a plataformas governamentais, instituições financeiras e serviços de streaming.

Não se trata de um vazamento ligado diretamente a uma empresa específica. Segundo especialistas, o problema foi a exposição de um banco de dados sem qualquer tipo de proteção, que pôde ser acessado livremente por meio de um navegador comum até ser denunciado e retirado do ar.

O conjunto foi identificado pelo pesquisador de segurança Jeremiah Fowler, que não conseguiu determinar quem era o responsável pela base ou com qual finalidade ela era mantida. Diante disso, ele notificou o serviço de hospedagem, que removeu o conteúdo por violação dos termos de uso.

O que havia na base de dados exposta?

Entre os registros encontrados estavam cerca de:

48 milhões de credenciais do Gmail

17 milhões de credenciais do Facebook

420 mil credenciais da plataforma de criptomoedas Binance

Também havia dados de outras contas amplamente utilizadas, como Yahoo, Outlook, iCloud, TikTok, Netflix e OnlyFans, além de acessos ligados a domínios educacionais e institucionais.

Gmail estava entre os alvos do banco de dados (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Fowler identificou ainda logins associados a sistemas governamentais de diferentes países, informações de bancos e de cartões de crédito. Segundo ele, a estrutura do banco de dados indicava um alto nível de organização, com registros classificados automaticamente para facilitar buscas e consultas em larga escala.

“Isso é como uma lista de desejos dos sonhos para criminosos, porque há muitos tipos diferentes de credenciais. O banco de dados estava em um formato feito para indexar grandes registros, como se quem o configurou esperasse coletar uma grande quantidade de dados. E havia toneladas de logins governamentais de muitos países diferentes”, afirmou Fowler à revista Wired.

Como os dados foram coletados?

De acordo com Fowler, há fortes indícios de que o banco tenha sido alimentado por malwares conhecidos como infostealers. Esse tipo de software infecta dispositivos e coleta automaticamente informações digitadas pelas vítimas, como logins e senhas, usando técnicas como keylogging.

O pesquisador relatou que, ao longo de cerca de um mês em que tentou contato com o provedor de hospedagem, a base continuou crescendo, com a inclusão constante de novas credenciais. Ele optou por não divulgar o nome da empresa envolvida, explicando que se trata de um provedor global que opera por meio de afiliadas regionais — neste caso, no Canadá.

Especialistas em inteligência de ameaças alertam que esse tipo de banco amplia significativamente o potencial de golpes, invasões e fraudes. Allan Liska, analista da Recorded Future, explicou à revista Wired que os infostealers reduziram drasticamente o custo e a complexidade da atividade criminosa.

Segundo ele, alugar esse tipo de infraestrutura pode custar entre US$ 200 e US$ 300 por mês (R$ 1.060 a R$ 1.580, em conversão direta), permitindo que criminosos obtenham grandes volumes de credenciais com investimento relativamente baixo.
Banco de dados sem proteção expõe 149 milhões de logins e senhas

Banco de dados sem proteção expõe 149 milhões de logins e senhas
Fonte: Tecnoblog