O fim da mídia física: conheça 5 impactos no mercado de games

O fim da mídia física: conheça 5 impactos no mercado de games

Fim da mídia física deve impactar jogadores do Brasil e do mundo (lilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Sony anunciou que deixará de produzir versões físicas de seus jogos a partir de 2028, o que pode transformar a forma como compramos, compartilhamos, colecionamos e preservamos os videogames, segundo a empresa.
O fim da mídia física pode resultar em menos descontos e concorrência no mercado de jogos, tornando os preços mais estáveis e controlados pelas fabricantes, sem a disputa entre lojas físicas.
A mudança também pode afetar o mercado de usados e o colecionismo, além de levantar preocupações sobre a preservação dos jogos, que ficam atrelados a servidores e lojas online, podendo desaparecer se os serviços forem encerrados.

A mídia física nos videogames pode estar com os dias contados: a Sony comunicou que deixará de produzir versões físicas de seus jogos a partir de 2028. Essa mudança era esperada, já que a empresa por anos investiu no formato digital, com serviços de assinatura e consoles sem leitor de discos.

A medida marca o fim de uma era para a indústria de games. Desde a estreia do primeiro PlayStation, em 1994, os discos estiveram presentes em praticamente toda a trajetória da marca e acompanharam o crescimento de um mercado que hoje movimenta bilhões de dólares por ano.

Por muito tempo, comprar um jogo significava ir até uma loja, levar a caixa para casa, organizar a coleção na estante e até trocar ou revender aquele título depois de terminá-lo. Com a transição para o digital, esse hábito tende a se tornar cada vez mais raro.

O avanço do formato digital não chega a ser uma surpresa: 85% das vendas de jogos completos da loja do PlayStation saíram direto por download, segundo balanço divulgado no fim de 2025. Enquanto isso, assinaturas como PlayStation Plus, Game Pass e GeForce Now estão mudando o jeito como nós jogamos.

Acabar de vez com o disco físico não é algo que passa em branco. Veja cinco impactos que podem surgir com essa mudança.

Menos descontos e menos concorrência

Sem concorrência, o preço não cai. A vantagem de comprar jogos em mídia física é justamente não ficar refém do monopólio das lojas virtuais.

Enquanto, no digital, você paga o valor imposto pela plataforma, no mercado físico, as lojas disputam o seu bolso, o que sempre gera promoções de verdade. É por causa dessa briga que vemos tantos descontos agressivos por aí. Não é difícil encontrar lançamentos custando bem menos poucas semanas depois de chegarem às lojas. Os preços podem cair ainda mais em períodos como Black Friday e Natal devido à necessidade de renovação de estoque.

Jogos em promoção nas Lojas Americanas (imagem: reprodução/Reddit)

Com o fim dos discos, parte desse cenário tende a desaparecer. Os jogadores ficarão mais dependentes das lojas digitais oficiais. Na prática, isso pode significar um mercado mais centralizado, onde fabricantes passam a ter controle quase total sobre a distribuição dos games.

Lojistas estão preocupados. A rede canadense PNP Games, por exemplo, lançou uma campanha online pedindo que a Sony volte atrás. O abaixo-assinado já registrou mais de 300 mil assinaturas.

O mercado de usados pode desaparecer

Poucas indústrias permitem que um produto seja utilizado, revendido e continue funcionando perfeitamente para outro consumidor. Os videogames sempre fizeram parte desse grupo.

Os jogos usados sustentam uma engrenagem financeira vital para os jogadores. Vender um título zerado para abater o custo do próximo lançamento sempre foi a regra do jogo para economizar. Sem o mercado de segunda mão, o acesso aos games ficaria restrito a um público menor.

Anúncio do jogo God of War Ascension para PS3 (imagem: reprodução/Mercado Livre)

Essa lógica desaparece por completo no mercado digital. Como as licenças ficam presas a uma única conta, é impossível transferir ou revender um jogo. Isso significa perder uma importante forma de reduzir os custos para o consumidor.

Emprestar jogos fica mais difícil

Antes da popularização da internet de alta velocidade, emprestar jogos era algo bastante comum. Muitas pessoas conheceram franquias inteiras dessa forma. Foi assim que eu pude, por exemplo, jogar Donkey Kong Bananza, Tony Hawk’s Pro Skater 3 + 4 e Hunter x Hunter: Nen x Impact, três títulos lançados em julho de 2025, um mês muito movimentado para a indústria de games naquele ano. Seria muito caro comprar todos eles em um intervalo tão curto, mas, graças aos empréstimos, eu e mais dois amigos pudemos aproveitar essa experiência sem pesar no bolso.

O sistema GameShare e o formato Virtual Game Card foram as soluções apresentadas pela Nintendo para contornar esse problema. O primeiro permite compartilhar jogos digitais usando apenas uma cópia do título, seja por meio de uma conexão local sem fio entre aparelhos próximos ou online, via GameChat. Já o cartão de jogo virtual permite transferir jogos digitais entre dois consoles compatíveis, oferecendo uma experiência mais próxima à dos cartuchos físicos.

O colecionismo perde um de seus pilares

Para uma parcela do público, videogame nunca foi só um software. É a caixa na estante que você olha e lembra exatamente de quando comprou, do dia que zerou, daquele cheiro de plástico novo. É o encarte com as artes que você fica folheando. Isso acaba virando parte da sua história com o game, e também ajuda a contar a história de toda uma época.

Encarte Pokémon X (foto: Caio Hansen/Tecnoblog)

Por mais que as fabricantes continuem lançando pôsteres, estatuetas e outros brindes, a ausência da mídia dentro da caixa esvazia parte da magia dessas versões especiais. Esse público vai sentir com mais força o golpe da aposentadoria dos discos.

A preservação dos jogos fica mais vulnerável

De todos os impactos que essa decisão carrega, um dos que mais geram preocupações é a preservação. Livro se guarda na prateleira. Filme se conserva em DVD ou Blu-ray. Já os jogos dependem de uma combinação complexa de hardware, software e infraestrutura digital.

Sem o disco, a existência de um jogo fica totalmente atrelada a servidores e lojas online. Se a empresa decidir encerrar esses serviços ou desligar os sistemas de validação, o game deixa de existir da noite para o dia – e o consumidor perde o acesso para sempre.

Exemplos desse problema já podem ser vistos. A Sony anunciou o fechamento das lojas digitais do PS3 e PS Vita e também informou que vai apagar mais de 500 filmes comprados pelos clientes da PlayStation Store europeia.

Captura da página do movimento Stop Killing Games (imagem: Caio Hansen/Tecnoblog)

Em resposta a tudo isso, surgiu o movimento Stop Killing Games, que defende que jogos pagos continuem acessíveis após o fim do suporte oficial, seja por meio de um modo offline ou de servidores privados. A campanha ganhou força na Europa e já ultrapassou 1 milhão de assinaturas.

São só desvantagens?

A Sony não é a primeira empresa a apostar fortemente no digital. A Microsoft investe há anos no Xbox Game Pass, um serviço de assinatura que funciona de forma semelhante a plataformas de streaming, como a Netflix. Além disso, o Xbox Cloud Gaming permite acessar jogos pela nuvem em TVs e celulares, sem a necessidade de um console. O mercado caminha nessa direção, impulsionado pela popularização da internet e pela busca das fabricantes por modelos de distribuição mais lucrativos.

Para empresas como Sony e Microsoft, vender diretamente ao consumidor elimina intermediários e dá o controle total do mercado. Para o jogador, a principal vantagem está na já conhecida praticidade do download instantâneo e acesso remoto à biblioteca de jogos.
O fim da mídia física: conheça 5 impactos no mercado de games

O fim da mídia física: conheça 5 impactos no mercado de games
Fonte: Tecnoblog