Category: Legislação

Canadá manda fechar escritórios do TikTok, mas não proíbe acesso à rede

Canadá manda fechar escritórios do TikTok, mas não proíbe acesso à rede

Governo canadense avaliou planos do TikTok antes de tomar decisão (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Canadá ordenou o encerramento das atividades da ByteDance, dona do TikTok, no país. O país aponta riscos de segurança nacional como o motivo da decisão. Mesmo assim, o aplicativo e a rede continuarão liberados.

“A medida foi baseada nas informações e evidências coletadas ao longo de uma avaliação, bem como nos conselhos da comunidade de inteligência e segurança do Canadá e de outros parceiros governamentais”, afirmou o ministro de Inovação, Ciência e Indústria, François-Philippe Champagne. “A decisão de usar um app ou plataforma de rede social é individual.”

Rede social continua liberada (imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

TikTok foi proibido em aparelhos do governo

Já faz algum tempo que o TikTok está na mira de autoridades canadenses. Em fevereiro de 2023, dispositivos de uso governamental foram proibidos de ter o aplicativo instalado.

Desde então, a plataforma vinha sendo avaliada — pelas leis locais, o governo tem poderes para estudar se investimentos estrangeiros representam riscos à segurança nacional. Isso pode ter impactado os planos da ByteDance no país. A empresa não lançou o TikTok Shop e o programa de pagamento para criadores, por exemplo.

Empresa promete entrar com recurso

De acordo com o TechCrunch, o TikTok contratou dezenas de profissionais de operações, engenharia e marketing em diversos locais do Canadá. Segundo a ByteDance, o fechamento dos escritórios afetará “centenas de empregos com boa remuneração”. Em um comunicado, a empresa disse que entrará com recurso na justiça contra a ordem.

“A plataforma TikTok continuará disponível para criadores para que os usuários possam encontrar uma audiência e explorar novos interesses, além de ajudar negócios a terem sucesso”, declarou um porta-voz da companhia.

Estima-se que o TikTok tenha cerca de 15 milhões de usuários no Canadá, com o público entre 18 e 24 anos sendo o mais engajado na plataforma.

Outros países ameaçam tomar medidas

Já faz alguns anos que o TikTok vem sendo investigado por questões de segurança. O app é acusado de coletar dados de usuários de outros países e armazená-los na China, o que poderia representar um risco à privacidade e segurança.

Nos Estados Unidos, as primeiras iniciativas contra o TikTok vieram ainda no primeiro mandato do presidente Donald Trump, mas não obtiveram sucesso.

Em 2024, o Congresso americano aprovou uma lei que obriga a ByteDance a vender a rede social em até 270 dias. O prazo se encerra em janeiro de 2025, mas a volta de Trump à Casa Branca pode mudar os rumos. Quando a lei foi aprovada, ele criticou a medida, dizendo que ela só serviria para beneficiar a Meta.

Com informações: Reuters, TechCrunch
Canadá manda fechar escritórios do TikTok, mas não proíbe acesso à rede

Canadá manda fechar escritórios do TikTok, mas não proíbe acesso à rede
Fonte: Tecnoblog

Austrália quer banir redes sociais para jovens com menos de 16 anos

Austrália quer banir redes sociais para jovens com menos de 16 anos

Projeto de lei criado pelo governo australiano tem apoio da oposição e deve ser aprovado sem dificuldades (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A Austrália quer banir o uso de redes sociais para adolescentes com menos de 16 anos. O projeto de lei foi criado pelo governo do país e visa proteger os jovens e crianças dos perigos das redes sociais. A proposta deve ser aprovada sem problemas no parlamento australiano, visto que a oposição apoia o projeto.

O projeto de lei foi anunciado nesta quinta-feira (lembrando que agora são 20h na Austrália) por Anthony Albanese, primeiro-ministro do país. O governo espera apresentar o PL no parlamento ainda em novembro, com a lei entrando em vigor em 2025. Apesar de propostas similares em outras nações, o projeto apresentado pelo governo australiano é um dos mais duros, com a maior idade limite de proibição de uso de redes sociais.

Por que a Austrália quer proibir as redes sociais para menores de 16 anos?

Na coletiva em que a proposta foi apresentada, Albanese declarou que as redes sociais estão prejudicando as crianças e adolescentes. O primeiro-ministro deu como exemplo os riscos à saúde mental e física causados pelo uso excessivo de redes sociais. Albanese destacou o problemas de autoestima causado em meninas e conteúdo misógino voltado para meninos.

Redes sociais da Meta, Snapchat, TikTok, X e YouTube são algumas das redes sociais sob o escopo da lei (Imagem: Stacey MacNaught/Flickr)

Para corroborar a declaração de Albanese, um estudo realizado pela Universidade de Amsterdã mostrou que adolescentes e jovens adultos (18-21) tem o seu humor influenciado pela quantidade de likes recebidas. Os autores do estudo apontam que isso pode causar transtorno de ansiedade e depressão.

Já uma pesquisa realizada pela Meta teve um resultado similar — e mais próxima do ponto apresentado por Albanese. A pesquisa revelou que o Instagram é prejudicial para adolescentes, principalmente meninas. Este público sofre mais com problemas relacionados a autoestima, visto que o Instagram é uma rede social onde “todo mundo é bonito”.

Como o projeto de lei quer impedir o acesso de jovens?

Outro ponto mais duro do projeto de lei, quando comparado com propostas e legislações de outros países, é que o governo quer usar dados biométricos e documentos pessoais para impedir a criação de contas por menores de 16 anos. É como se o CPF fosse usado para criar a conta no Instagram no Brasil.

O projeto de lei proíbe a criação de contas para menores de 16 anos mesmo que os pais autorizem e não abre exceção para adolescentes que já tem contas nas redes sociais — que provavelmente terão o acesso bloqueado.

O Digital Industry Group, associação que tem entre seus membros a Meta, TikTok, X e Google, disse que a lei encorajará os jovens a buscar lugares “mais sombrios” e não regulados da internet — é até engraçado essa declaração de uma associação da qual a Meta faz parte, visto que o Instagram e Facebook estão lotados de anúncios de golpes e fraudes.

Com informações: Reuters
Austrália quer banir redes sociais para jovens com menos de 16 anos

Austrália quer banir redes sociais para jovens com menos de 16 anos
Fonte: Tecnoblog

Anatel processa TIM por má-fé e obtém vitória no DF

Anatel processa TIM por má-fé e obtém vitória no DF

TIM queria cobrar franquia mensal de dispositivos IOT (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A TIM foi condenada por litigância de má-fé ao abrir múltiplos processos sobre a cobrança de franquia mensal para dispositivos IoT.
A operadora pagará uma multa de 10 salários mínimos, equivalente a pouco mais de R$ 14 mil, após decisão judicial favorável à Anatel.
A Anatel, representada pela AGU, bloqueou a tentativa da TIM de impor a cobrança, e a decisão reforça que práticas semelhantes não serão toleradas.

A Agência Nacional de Telecomunicações venceu a TIM num processo judicial que envolve má-fé da operadora. A agência reguladora questionava a conduta da TIM em abrir diversas ações na Justiça para tratar de um mesmo assunto, o que se caracteriza como litigância de má-fé.

A TIM foi condenada a pagar dez salários mínimos para a Anatel, o equivalente a pouco mais de R$ 14 mil. “O simbolismo da decisão indica que esse comportamento não passará despercebido e não será tolerado pelo Judiciário”, declarou a agência em nota à imprensa.

A TIM queria cobrar franquia mensal das MVNOs que oferecessem serviços para dispositivos de M2M e IoT. Após a Anatel barrar este formato de negócio, a operadora começou os variados processos, que se tornaram alvo da recente decisão judicial.

A Anatel foi representada pela Advocacia Geral da União, órgão apropriado para casos assim.

O Tecnoblog tenta contato com a TIM para saber se a empresa pretende recorrer da decisão. O processo número 1100814-17.2023.4.01.3400 está atualmente na 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal.

Anatel processa TIM por má-fé e obtém vitória no DF

Anatel processa TIM por má-fé e obtém vitória no DF
Fonte: Tecnoblog

Motorola nega fim de celulares 5G no Brasil

Motorola nega fim de celulares 5G no Brasil

Motorola e Ericsson têm disputa em corte do Reino Unido e na Justiça do Rio de Janeiro (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Motorola está em disputa judicial com a Ericsson no Reino Unido por licenciamento de patentes relacionadas ao 5G.
A Ericsson também processa a Motorola no Brasil, com possível envolvimento da Anatel para suspender a venda de produtos.
A Motorola afirma que continua comercializando smartphones 5G no Brasil; ela lançou seis novos modelos recentemente.
O esclarecimento foi feito com exclusividade ao Tecnoblog.

A Motorola continua vendendo celulares com tecnologia 5G no Brasil, conforme a empresa esclareceu ao Tecnoblog com exclusividade. O tema entrou no radar da indústria depois de relatos de uma encrenca entre a fabricante de telefones e a Ericsson por causa do pagamento pelo uso de patentes.

A companhia americana – controlada pela chinesa Lenovo – realizou diversos lançamentos nos últimos meses, conforme você pode ver na listagem abaixo:

Moto G85 (04/07)

Motorola Razr 50 Ultra (17/07)

Motorola Edge 50 (11/09)

Motorola Edge 50 Neo (17/09)

Motorola Razr 50 (26/09)

Moto G55 (02/10)

A ideia é continuar trazendo novos modelos ao mercado. A maioria dos celulares da Motorola já conta com tecnologia 5G, que marca presença em centenas de cidades.

Ericsson vs Motorola no exterior

O esclarecimento a respeito deste tema tem como pano de fundo a disputa entre Motorola e Ericsson no Reino Unido. O assunto é bastante complexo, mas o resumo é de que as empresas estão se processando mutuamente por causa do licenciamento de tecnologias que fazem parte do 5G nos smartphones.

Na semana passada, a Veja publicou que a Ericsson também estaria processando a Motorola no território brasileiro, e que até mesmo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) poderia ser envolvida no caso. O objetivo seria barrar a comercialização dos aparelhos 5G enquanto a situação não é resolvida, de acordo com a revista.

Nós temos poucas informações porque o processo corre em segredo de Justiça e nenhuma das empresas envolvidas se pronunciou sobre ele. De toda forma, a declaração da Motorola ao Tecnoblog passa a mensagem de que nada muda no catálogo de telefones – o que deve tranquilizar os fãs da marca.
Motorola nega fim de celulares 5G no Brasil

Motorola nega fim de celulares 5G no Brasil
Fonte: Tecnoblog

X/Twitter está de volta ao Brasil, ordena Anatel; procedimento pode levar horas

X/Twitter está de volta ao Brasil, ordena Anatel; procedimento pode levar horas

Anatel notifica provedores de internet sobre a volta do X (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Anatel começou a notificar os provedores de internet sobre o retorno do X/Twitter ao Brasil após 38 dias de bloqueio.
O bloqueio, o mais longo da história da internet brasileira, foi causado por descumprimento de ordens judiciais.
Provedores dependem da notificação oficial da Anatel para liberar o acesso, e o desbloqueio deve ocorrer nas próximas horas.

A Agência Nacional de Telecomunicações confirmou por volta das 10h20 desta quarta-feira (dia 09/10) que iniciou a notificação dos provedores de internet a respeito da volta do X/Twitter ao Brasil. Cada empresa deverá tomar as providências para que os clientes possam acessar a rede social de Elon Musk.

O X/Twitter está fora do ar há 38, quase 39 dias. Já é o mais longo bloqueio por decisão judicial da internet brasileira, segundo fontes com quem eu conversei. A empresa cumpriu uma série de medidas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Players do mercado online se lembram do banimento sofrido pelo WhatsApp em 2016 por não colaborar com investigações policiais e pela Uber em 2015, na esteira das discussões sobre a legalidade do app. Em ambos os casos, a interrupção durou 72 horas.

Site do X às 10h55: ainda inacessível (imagem: reprodução/Tecnoblog)

Provedores não podem desbloquear por conta própria

A aguardada volta do X/Twitter ao Brasil está levando mais tempo do que o esperado, em especial para os fãs da rede social de Elon Musk. Os provedores de internet, no entanto, não poderiam reativar o acesso sem que fossem notificados pela agência reguladora. Elas dependem da notificação da Anatel, de acordo com a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).

A entidade, que representa empresas de pequeno e médio porte, estima que o processo de desbloqueio ocorra em questão de horas.
X/Twitter está de volta ao Brasil, ordena Anatel; procedimento pode levar horas

X/Twitter está de volta ao Brasil, ordena Anatel; procedimento pode levar horas
Fonte: Tecnoblog

X/Twitter é liberado no Brasil e acesso deve voltar em questão de horas

X/Twitter é liberado no Brasil e acesso deve voltar em questão de horas

X, de Elon Musk, cumpriu exigências determinadas por Moraes (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (dia 08/10) o fim da suspensão da rede social X (antigo Twitter) no Brasil. A plataforma, de propriedade do empresário Elon Musk, estava bloqueada desde 30 de agosto de 2024.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) afirmou ainda não ter recebido ordens do STF para liberar o acesso à rede social. O órgão regulador é responsável por determinar que as operadoras permitam novamente a conexão entre a plataforma e os usuários brasileiros.

Segundo o G1, o ministro deu prazo de 24 horas para a Anatel tomar as medidas necessárias para reestabelecer o acesso ao X no Brasil.

Moraes decidiu pela liberação após parecer favorável de Paulo Gonet, Procurador-Geral da República. Antes disso, a plataforma precisou nomear um representante legal no país, bloquear os perfis de nove investigados e pagar um total de R$ 28,6 milhões em multas por descumprimento de ordens judiciais.

Bloqueio, multa por uso de VPN e contas congeladas

O X foi bloqueado no Brasil no fim de agosto, após uma sequência de embates com a Justiça brasileira e, em especial, com o ministro Alexandre de Moraes. A escalada incluiu o fechamento do escritório brasileiro da rede social de modo repentino.

Moraes, então, exigiu que o X apontasse um novo representante legal. Como isso não aconteceu, a plataforma foi suspensa, com multa de R$ 50 mil a quem usasse VPN para acessar a rede.

As contas bancárias da Starlink, provedora de internet via satélite da SpaceX, também de Elon Musk, foram bloqueadas, como forma de garantir o pagamento de multas impostas ao X. Moraes considerou que as empresas fazem parte de um mesmo conglomerado econômico.

Com informações: G1
X/Twitter é liberado no Brasil e acesso deve voltar em questão de horas

X/Twitter é liberado no Brasil e acesso deve voltar em questão de horas
Fonte: Tecnoblog

Homologar um único celular pode custar R$ 300 mil; entenda essa conta

Homologar um único celular pode custar R$ 300 mil; entenda essa conta

Laboratórios fazem testes rigorosos (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Resumo

A Anatel não arrecada com a homologação de celulares desde 2019, quando o processo se tornou gratuito.
No entanto, os laboratórios credenciados cobram entre R$ 100 mil e R$ 300 mil por modelo para realizar os testes exigidos.
O processo de homologação garante a segurança física, elétrica e cibernética dos aparelhos.
Smartphones ilegais (sem homologação e sem pagar impostos) representam cerca de 25% do mercado. Eles prejudicam a arrecadação do governo e a competitividade da indústria nacional.

O processo de homologação de celulares no Brasil costuma levantar muitas dúvidas de consumidores. Afinal, ele serve para turbinar o caixa da Anatel? A agência reguladora explica que não, conforme relatório obtido por nós. Por outro lado, os testes nos aparelhos podem custar até R$ 300 mil para as fabricantes, segundo fontes do Tecnoblog. Bastante grana.

Nós nos debruçamos sobre o assunto e explicamos os detalhes nas linhas abaixo. Para isso, conversamos tanto com representantes da Anatel quanto com pessoas do mercado.

Como funciona o processo de homologação?

Fachada da sede da Anatel (Imagem: Reprodução/Anatel)

Necessária para obter o tal selo da Anatel, a certificação e homologação de celulares é considerada essencial para a venda dos produtos por aqui. As fabricantes precisam conduzir uma série de testes, em especial para garantir a segurança física, elétrica e cibernética dos aparelhos. Diversas normas da Anatel estabelecem os padrões mínimos.

Normalmente, as indústrias contratam laboratórios acreditados pela agência reguladora. As verificações são feitas em salas que reproduzem diversos cenários distintos.

Laboratórios cobram até R$ 300 mil

Este teste não é gratuito. Muito pelo contrário: custa a partir de R$ 100 mil por modelo de telefone, de acordo com uma fonte do setor. A conta pode chegar a R$ 300 mil quando falamos de aparelhos premium, que estão repletos de recursos adicionais.

O gerente de produto Henrique Costa, da Asus no Brasil, nos revela que a homologação dos Zenfones sai por por volta de R$ 150 mil por modelo. “ Nós enviamos pelo menos seis amostras dos aparelhos e ao menos 25 baterias. A partir daí, o laboratório escolhido por nós faz a sequência de testes.”

Este processo costuma levar de 45 a 60 dias. “Por isso os modelos vendidos no Brasil são seguros. O consumidor pode dormir em paz.”

Costa comenta conosco que há um custo altíssimo para a implementação dos laboratórios de certificação e homologação, o que reflete no valor cobrado das fabricantes. É por isso que, de acordo com ele, só faz sentido produzir aparelhos em larga escala, a fim de diluir o gasto com as testagens.

Os carregadores, por exemplo, passam por uma averiguação mais rigorosa do que em outros países.

Quanto a Anatel fatura com isso?

Resolução nº 715 da Anatel (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

A Agência Nacional de Telecomunicações já ganhou muito dinheiro com o serviço de homologação no passado. Desde 2004, foram arrecadados R$ 25,9 milhões de reais com os trâmites obrigatórios.

Tudo mudou em 2019: a resolução número 715, que estabeleceu a homologação gratuita, foi aprovada no dia 23 de outubro. Seu artigo 58 diz o seguinte: “O certificado de homologação será expedido de forma gratuita, após o cumprimento pelo interessado de todas as ações necessárias à sua obtenção.”

A pedido do Tecnoblog, a Anatel enviou a relação de valores arrecadados ao longo dos anos. Confira abaixo.

AnoValor Arrecadado2004R$ 420 mil2005R$ 730 mil2006R$ 810 mil2007R$ 910 mil2008R$ 1,11 milhão2009R$ 1,33 milhão2010R$ 1,39 milhão2011R$ 1,64 milhão2012R$ 1,64 milhão2013R$ 1,96 milhão2014R$ 1,90 milhão2015R$ 2,00 milhões2016R$ 2,31 milhões2017R$ 2,51 milhões2018R$ 2,83 milhões2019R$ 2,37 milhões2020R$ 0,002021R$ 0,002022R$ 0,002023R$ 0,00Compilação feita pelo Tecnoblog com base em dados oficiais da Anatel

A agência nos declarou que não arrecada de nenhuma outra forma com a homologação dos aparelhos. Também explicou que não existe nenhum repasse dos laboratórios nem dos Organismos de Certificação Designados (OCDs).”

O superintendente de Outorga e Recursos à Prestação, Vinicius Caram, conta ao Tecnoblog que não há planos de voltar com a cobrança.

Por que órgãos governamentais combatem os celulares irregulares?

Primeiro é preciso dar um passo atrás e compreender o que são celulares irregulares. De forma resumida, são aparelhos fabricados fora do país, que entram no território nacional por vias obscuras (por exemplo, escondidos na lataria de ônibus ou em baús de motos que cruzam a Ponte da Amizade, no Paraná).

Eles chegam a lojistas que participam de marketplaces e que escoam os produtos para os compradores finais sem a devida documentação.

Se não tem nota fiscal, significa que não recolheu os impostos. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação estima que o governo – nas suas variadas esferas – abocanha cerca de 37,5% do preço final de um telefone. É dinheiro que deixa de entrar nos cofres públicos.

Além disso, os aproximadamente 25% de smartphones ilegais custam menos e competem de forma predatória com os aparelhos produzidos no país, segundo reclamam as empresas do setor. Elas têm feito pressão para uma atuação mais efetiva das autoridades competentes – o que nos leva, de novo, à exigência de certificação da Anatel.

Homologar um único celular pode custar R$ 300 mil; entenda essa conta

Homologar um único celular pode custar R$ 300 mil; entenda essa conta
Fonte: Tecnoblog

Amazon perde na Justiça o direito de vender celulares piratas

Amazon perde na Justiça o direito de vender celulares piratas

Lojistas usam Amazon para oferecer celulares contrabandeados, segundo CNCP (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Anatel conseguiu impedir a Amazon de vender celulares irregulares, após decisão judicial de instância superior.
A agência argumenta que celulares sem homologação representam riscos à saúde, economia e segurança pública.
A Amazon defendia que a Anatel não tem autoridade para regular o comércio digital.
A medida faz parte de uma série de ações da Anatel contra a venda de smartphones ilegais desde junho de 2023.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) conseguiu impedir a Amazon de vender celulares irregulares. O desembargador federal Carlos Muta, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, julgou improcedente uma liminar que beneficiava a gigante das compras online. A decisão saiu nesta segunda-feira (dia 30/09).

A Amazon questionava na Justiça a possibilidade de a Anatel tomar medidas contra a venda de smartphones e outros equipamentos eletrônicos que entram no país de forma ilegal e sem recolher os impostos. Ela havia obtido uma vitória parcial, mas a decisão foi revista em instância superior.

Diversos riscos

No despacho, o desembargador estabelece que:

A Anatel justificou suas ações ao alegar que os aparelhos não certificados expõem a sociedade a diversos riscos, de cunho social, econômico, sanitário e de segurança pública, entre outros

A agência argumentou ainda que a decisão liminar anterior (favorável à Amazon) caracterizou grave lesão à ordem econômica por interferir diretamente na política industrial e na economia nacional

Celulares sem homologação da Anatel não foram testados quanto à emissão das ondas eletromagnéticas, podendo apresentar índices não recomendados pela Organização Mundial da Saúde e causando prejuízo à saúde do consumidor

O revés de hoje coloca a Amazon novamente na lista de plataformas online de compra/venda que poderão ser penalizadas por causa do trânsito de produtos irregulares. A empresa defendia que as medidas cautelares da Anatel são ilegais porque recaem sobre pessoas jurídicas não reguladas por ela. Em outras palavras, a agência de telecomunicações não teria autoridade para atuar no comércio digital.

Vaivém do caso

A Anatel divulgou em 20 de junho uma série de medidas contra os aparelhos ofertados na internet por até metade do preço oficial. O presidente Carlos Baigorri informou que as páginas poderiam ser bloqueadas em território nacional caso insistissem na prática, uma medida classifica como “extrema” por ele.

Na ocasião, a Amazon se disse “surpresa” com o plano da Anatel.

A Amazon e o Mercado Livre iniciaram ações judiciais contra as medidas de combate aos telefones piratas. O pleito do Mercado Livre foi julgado improcedente no Distrito Federal, e agora foi formalizada a perda da Amazon.
Amazon perde na Justiça o direito de vender celulares piratas

Amazon perde na Justiça o direito de vender celulares piratas
Fonte: Tecnoblog

Dados neurais passam a ser protegidos por lei estadual nos EUA

Dados neurais passam a ser protegidos por lei estadual nos EUA

Dados neurais são equiparados a informações biométricas e de saúde (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O governador da Califórnia (Estados Unidos), Gavin Newson, sancionou um projeto que visa impedir que dados cerebrais de consumidores sejam usados de forma inadequada por empresas de tecnologia. Ele altera a lei de proteção de dados pessoas do estado para incluir “dados neurais” na lista de “informações pessoais sensíveis”.

Como explica o New York Times, isso inclui dados gerados pelo cérebro e também pelos nervos do resto do corpo. A Califórnia já incluía imagens faciais, DNA e impressões digitais na lista de dados sensíveis.

Na prática, consumidores poderão pedir acesso a seus dados, além de solicitar que as empresas excluam ou alterem o que foi coletado. Eles também poderão limitar esta coleta, bem como proibir a venda ou o compartilhamento destes dados.

Tecnologias neurais estão em alta

O Times observa que vários produtos e serviços relacionados ao cérebro e à mente vêm surgindo nos últimos anos. Entre eles, estão aplicativos para meditar, melhorar a concentração e tratar transtornos psicológicos, como depressão. Alguns deles podem monitorar e registrar dados cerebrais.

Colorado já tem regras para este tipo de dados, e outros estados discutem leis semelhantes (Imagem: Robina Weermeijer / Unsplash)

A publicação diz que isso pode incluir pensamentos, sentimentos e intenções. Já existem pesquisas científicas para usar este tipo de dados para reconstituir o que uma pessoa viu em um vídeo ou controlar a fala e as expressões faciais de um avatar.

O jornal também destaca que existe uma lacuna regulatória para este tipo de produto. Nos EUA, dispositivos médicos estão sujeitos a leis de saúde federais, mas aparelhos de neurotecnologia não precisam seguir estas regras.

Além disso, a Califórnia é um hub de tecnologia, com inúmeras startups de neurociência. Estes fatores ajudam a explicar a aprovação da lei.

A associação Neurorights Foundation, que atua pela proteção de dados cerebrais, examinado as políticas de dados de 30 empresas. Segundo a instituição, quase todas tinham acesso a este tipo de informação, sem limitações significativas. Além disso, mais da metade permitia o compartilhamento com terceiros.

“O que costumava ser ficção científica não é mais”, diz Rafael Yuste, neurocientista da Universidade Columbia e presidente da fundação.

Antes da Califórnia, o estado do Colorado aprovou uma legislação semelhante. A Neurorights Foundation estão em discussão com parlamentares de Flórida, Texas e Nova York, entre outros estados.

Texto recebe críticas

Para Marcello Ienca, professor da Universidade Técnica de Munique (Alemanha), a lei limita excessivamente os dados neurais, quando deveria se concentrar em prevenir inferências intrusivas sore pensamentos e emoções, independentemente da fonte usada.

“O que importa é se você está fazendo um tipo de inferência que infrinja meus direitos à privacidade”, argumenta Ienca.

A TechNet, que representa empresas como Meta, Apple e OpenAI, se opôs à lei. A associação argumentou que incluir o sistema nervoso periférico seria muito amplo e atrapalharia qualquer tecnologia que registra comportamento humano.

O texto final manteve a menção ao sistema nervoso periférico, mas definiu que informações inferidas por dados não neurais não estariam cobertas pela lei. Na prática, isso libera monitores cardíacos, medidores de pressão e aparelhos de teste de glicemia, explica Jared Genser, consultor da Neurorights Foundation.

Com informações: The New York Times
Dados neurais passam a ser protegidos por lei estadual nos EUA

Dados neurais passam a ser protegidos por lei estadual nos EUA
Fonte: Tecnoblog

X/Twitter volta a funcionar em celulares no Brasil; Anatel avalia situação

X/Twitter volta a funcionar em celulares no Brasil; Anatel avalia situação

Elon Musk, dono do X, critica decisões do Supremo Tribunal Federal (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O X voltou a funcionar no Brasil para usuários de diversas localidades, mesmo sem o uso de VPN. Os relatos começaram a surgir em outras redes sociais e rapidamente puderam ser confirmados ao executar o aplicativo do X no Android e no iPhone.

A Anatel informou ao Tecnoblog que não houve alteração na decisão judicial sobre o bloqueio da plataforma e que o caso está sendo avaliado. O termo “O Twitter voltou” já figura nos Trending Topics da rede social.

Assunto em desenvolvimento
Esta matéria trata de um assunto recente e que ainda está se desenvolvendo. Atualize a página para visualizar novas informações.

Pessoas comemoram o retorno do X (imagem: reprodução/Tecnoblog)

Ainda não se sabe o que permite o acesso ao X. A principal tese, ao menos neste momento, é de que o app tenha adotado outro domínio ou IP. Já que as operadoras cortam o acesso ao interromper a comunicação com os servidores, uma rota alternativa permitiria retomar o fornecimento do serviço.

Note que o acesso na manhã de hoje (quarta-feira, dia 18/09) só é possível pelos apps oficiais. O domínio x.com permanece inacessível. Ao tentar abri-lo no computador, surge o já tradicional aviso de que existe uma indisponibilidade do DNS.

Domínios x.com e twitter.com continuam bloqueados (imagem: reprodução/Tecnoblog)

O bloqueio da rede social começou nas maiores empresas de telecomunicações do país em 30 de agosto, após uma queda de braço entre o proprietário da rede, Elon Musk, e o Supremo Tribunal Federal. O bilionário critica decisões tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes. Moraes inicialmente decidiu de forma monocrática, mas a 1ª Turma do STF confirmou a interrupção da plataforma de forma unânime em 2 de setembro.

X/Twitter volta a funcionar em celulares no Brasil; Anatel avalia situação

X/Twitter volta a funcionar em celulares no Brasil; Anatel avalia situação
Fonte: Tecnoblog