Category: Inteligência Artificial

Google lança Gemini 4 Carbon com avanços em cibersegurança, mas você ainda não pode usá-lo

Google lança Gemini 4 Carbon com avanços em cibersegurança, mas você ainda não pode usá-lo

Google Gemini ganha novo modelo de fronteira (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

O Google lançou o Gemini 4 Carbon, um modelo de inteligência artificial focado em cibersegurança e programação avançada, com capacidades de identificação de vulnerabilidades e correção de códigos.
O Gemini 4 Carbon alcançou 59 pontos no índice da Artificial Analysis, superando rivais como o Claude Opus 5.5 da Anthropic e o GPT-6 Astra da OpenAI.
O modelo será restrito a especialistas de defesa digital e autoridades dos EUA por enquanto, com previsão de liberação para API em uma a duas semanas, mas sem prazo para chegada ao aplicativo Gemini ou interface para navegadores.

Apenas duas semanas após o anúncio do Gemini 4 Argon, o Google já lançou o que considera o seu novo modelo de fronteira. O Gemini 4 Carbon é destinado a tarefas avançadas de programação e cibersegurança, incluindo identificação de vulnerabilidades em ambientes controlados e correção de códigos.

O modelo, apresentado nesta quarta-feira (29/10), não chega ao público geral por enquanto. Como tem sido comum desde o Claude Mythos 5 para modelos com tamanho poder, o Carbon será inicialmente restrito a especialistas de defesa digital enquanto conduz avaliações de segurança com autoridades dos Estados Unidos.

O Google prevê liberar os primeiros acessos por API entre daqui a uma e duas semanas, enquanto ainda não há prazo para a chegada ao aplicativo Gemini ou à interface para navegadores. O preço da API deve seguir a mesma tabela do modelo Argon: US$ 2 (cerca de R$ 10) por milhão de tokens de entrada e US$ 10 (R$ 53) por milhão de tokens de saída.

Gemini 4 Carbon lidera ranking de IA

O Google destaca o avanço da IA em benchmarks. No índice da consultoria independente Artificial Analysis, que mede o desempenho próximo do uso real da IA, o Gemini 4 Carbon alcançou 59 pontos. O número o coloca à frente de rivais como Claude Opus 5.5 (Anthropic), com 58, do GPT-6 Astra (OpenAI), com 57, e do Gemini 4 Argon, com 50.

Segundo o Google DeepMind, um dos principais avanços está em tarefas mais longas: em testes internos, o Carbon conseguiu trabalhar durante dias sobre problemas complexos de software, retomando etapas e buscando alternativas quando encontrava caminhos sem solução.

Ainda assim, há tarefas em que desempenhou menos do que concorrentes. No benchmark FrontierSWE 2, voltado a agentes de programação, ficou abaixo do GPT-6 Astra e do Opus 5.5. Perdeu para a IA da Anthropic também no OSWorld-2.1, um dos principais testes de capacidade de operação autônoma de computadores.

Gemini 4 Carbon sai na frente de IAs concorrentes em maioria dos testes (imagem: reprodução/Google)

Modelo consegue explorar falhas

O foco maior do Gemini 4 Carbon é o setor de cibersegurança. Nos testes apresentados pela companhia, ele obteve:

88,2% no SEC-bench Pro, voltado à identificação de vulnerabilidades reais

54,8% no ExploitGym, que testa a exploração de falhas

71% no CWE-bench, focado na criação de correções de código

Com o avanço, o Google afirma que o modelo consegue atuar desde o encontro de vulnerabilidades até uma possível correção. A atenção da indústria a esse tópico, vale lembrar, ocorre após casos seguidos de “fuga” de ambientes de testes por diferentes modelos da OpenAI, Anthropic e Meta.

O Carbon também se mostrou bastante resistente a ataques de prompt injection, algo que tem sido um problema especialmente em empresas e órgãos públicos que têm atribuído etapas de trabalho à IA. O teste não conseguiu enganar o modelo do Google em nenhuma das tentativas de ataque.
Google lança Gemini 4 Carbon com avanços em cibersegurança, mas você ainda não pode usá-lo

Google lança Gemini 4 Carbon com avanços em cibersegurança, mas você ainda não pode usá-lo
Fonte: Tecnoblog

TVs da LG perdem acesso à IA da Microsoft

TVs da LG perdem acesso à IA da Microsoft

Microsoft Copilot começou a aparecer em smart TVs LG em dezembro (imagem: reprodução/Reddit)

Resumo

A Microsoft encerrará o suporte ao Copilot em smart TVs da LG até o final de 2024.
A integração do Copilot nas TVs da LG permitia tirar dúvidas e receber recomendações com base nas atividades do usuário.
A decisão de encerrar o suporte foi tomada pela Microsoft, que mudou sua estratégia de inteligência artificial para focar em produtividade.

A LG não terá mais o Copilot em suas smart TVs. A integração com a inteligência artificial da Microsoft será encerrada até o fim de 2026, conforme aponta notificação enviada para o sistema webOS dos modelos da marca. O recurso estava presente desde 2025 como IA nativa das TVs, permitindo tirar dúvidas e receber recomendações com base nas suas atividades. 

Segundo a mensagem enviada aos televisores, a decisão pelo fim do suporte veio da Microsoft e atinge tanto o app de chat do Copilot quanto suas atividades no sistema operacional. O Tecnoblog realizou testes e confirmou o fim da integração em aparelho vendido no Brasil.

De acordo com o Windows Central, o movimento teria a ver com uma mudança de estratégia adotada pela gigante americana. A Microsoft anunciou mudanças nos serviços de IA em setembro e voltou suas operações para produtividade.

Microsoft dá outro foco para sua IA

Microsoft Copilot não estará mais disponível em smart TVs LG (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A Microsoft unificou os dois apps disponíveis até então, o Copilot padrão e o Microsoft 365 Copilot. A partir disso, a ideia é que o serviço funcione menos como um chat e mais como um recurso de produtividade, seja para atuar junto ao pacote Office ou realizar trabalhos mais aprofundados de programação.

Com a mudança de estratégia, a presença do modelo nas TVs da LG parou de fazer sentido. Vale lembrar que televisores da Samsung também receberam a integração com o Copilot, mas o app também já não aparece mais nos sistemas Tizen.

Polêmica logo no início da integração

A presença do Copilot nas smart TVs da LG foi curta e cercada de polêmica. Apesar do anúncio feito durante a CES 2025, em janeiro, a integração começou de fato em dezembro, com um aplicativo web que não podia ser deletado. Além disso, a chegada do app se deu por meio de um download “forçado” nas TVs da marca.

Na época, muitos usuários foram pegos de surpresa e reclamaram da presença do app. Apesar de “nativo”, o recurso contava basicamente com uma versão web na IA, sem integração total com o televisor. Pouco mais de 10 meses depois, usuários recebem a notificação do fim da parceria.
TVs da LG perdem acesso à IA da Microsoft

TVs da LG perdem acesso à IA da Microsoft
Fonte: Tecnoblog

Meta adia mudança nos termos após reação negativa

Meta adia mudança nos termos após reação negativa

Novos termos atingem empresas que usam produtos de publicidade da Meta (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Meta adiou de 30 de outubro para 20 de novembro a chegada de seus novos termos comerciais.
Anunciantes afirmam que regras poderiam permitir coleta ampla de conteúdo para produtos de IA.
A empresa nega mudança em suas práticas de rastreamento.

A Meta adiou seus novos termos comerciais após críticas de anunciantes e entidades. O texto permitiu interpretações de que abriria caminho para a coleta de conteúdo para treinar IAs sem a necessidade de negociar licenças com seus produtores. As regras, que começariam a valer em 30 de outubro, agora estão previstas para entrar em vigor em 20 de novembro.

Em nota enviada ao Tecnoblog, a empresa afirma que decidiu ampliar o prazo para responder às preocupações levantadas por parceiros e esclarecer melhor como seus rastreadores funcionam.

Por que as novas regras foram tão criticadas?

A primeira versão das novas regras dizia que a Meta poderia usar ferramentas automatizadas, como rastreadores e bots, para acessar páginas e conteúdos de contas empresariais. O texto também afirmava que esses materiais poderiam ser usados para desenvolver, melhorar, pesquisar e treinar produtos da empresa.

Especialistas alertaram que isso poderia dar à Meta uma base para coletar conteúdo de sites ligados a empresas que usam suas plataformas. Depois das críticas, a companhia modificou os termos e retirou referências explícitas ao treinamento de produtos. A alteração, porém, não encerrou as preocupações.

A nova versão ainda parece permitir a coleta de conteúdo de sites associados a contas comerciais para uso no desenvolvimento de produtos da Meta, que podem incluir ferramentas de IA.

A pressão aumentou para que autoridades antitruste da União Europeia e do Reino Unido suspendessem a chegada da mudança. Segundo a Reuters, um dos argumentos é que empresas dependentes de Facebook, Instagram e outros serviços poderiam acabar concedendo à Meta direitos sobre conteúdos disponíveis em seus sites.

Nos Estados Unidos, a News/Media Alliance, entidade que representa mais de 2 mil jornais, revistas e veículos digitais, afirma que as regras podem prejudicar o mercado de licenciamento de conteúdo e pede a retirada das cláusulas.

O que diz a Meta?

Meta afirma que mudança não altera a forma como seus rastreadores acessam sites (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A Meta contesta a interpretação de que os novos termos ampliam seus direitos sobre conteúdos publicados na internet e afirma que as regras não mudam como seus rastreadores acessam sites. Ao Tecnoblog, a empresa disse que o adiamento servirá para esclarecer as mudanças.

“Estamos prorrogando a data de entrada em vigor dos nossos termos atualizados para 20 de novembro, para que tenhamos mais tempo para esclarecer aos nossos parceiros e stakeholders o que muda e o que não muda”, afirma.

A plataforma também diz que os “proprietários de conteúdo continuarão podendo usar o robots.txt para sinalizar suas preferências.” O robots.txt é um arquivo usado por sites para indicar quais áreas podem ou não ser acessadas por rastreadores automatizados.

O adiamento não significa que a empresa tenha desistido dos novos termos. Até o momento, a Meta apenas transferiu a entrada em vigor para 20 de novembro. As três semanas adicionais podem abrir espaço para novos ajustes enquanto a companhia responde às críticas levantadas.
Meta adia mudança nos termos após reação negativa

Meta adia mudança nos termos após reação negativa
Fonte: Tecnoblog

Claude ganha agente 24×7 para brigar com ChatGPT, Google e Meta

Claude ganha agente 24×7 para brigar com ChatGPT, Google e Meta

Duet fica disponível em um app independente do Claude padrão (imagem: Lupa Charleaux/Tecnoblog)

Resumo

A Anthropic lançou o Claude Duet, um agente de IA projetado para ajudar no dia a dia, especialmente para uso profissional.
O Claude Duet funciona 24 horas por dia, organizando rotinas e otimizando tempo, com uma versão prévia disponível para pesquisa e uso por profissionais e pequenas empresas.
A Anthropic promete segurança e privacidade, recusando o compartilhamento de informações sensíveis e permitindo que os usuários autorizem o uso de dados financeiros ou de saúde.

A Anthropic revelou o Claude Duet, novo sistema de IA que funciona como um agente pessoal que trabalha 24 horas por dia. Ele promete organizar a rotina e otimizar o tempo das pessoas. O anúncio ocorreu nesta quarta-feira (21/10).

A atuação será semelhante à vista na função de Dots do ChatGPT, já disponível no Brasil; no antigo Gemini Spark, do Google, que agora fica na área de Tarefas; e no Muse, da Meta, sem previsão de lançamento por aqui. Estas ferramentas criam resumos e fazem sugestões baseadas nas suas atividades digitais.

Num primeiro momento, a tecnologia fica disponível como uma versão prévia voltada para pesquisa, focada principalmente em uso por profissionais e pequenas empresas. Ela tem base no Claude Opus 5.5 e funciona por meio de um app independente, disponível para Android e iPhone (iOS), além do site claude.ai.

Nova fase dos agentes pessoais de IA

O lançamento do Claude Duet marca a entrada da Anthropic no ramo das IAs agênticas que funcionam 24×7, focadas em ações autônomas no dia a dia. Aqui, a ideia é conectar o modelo aos seus principais apps e softwares de produtividade, permitindo reunir e-mails relevantes do dia, encontrar horários na sua agenda, fazer projeções financeiras e dar sugestões com base nas suas atividades.

Isso não chega a ser uma novidade. As próprias IAs generativas podem funcionar de maneira semelhante, sobretudo nas versões mais avançadas. Mas, para isso, é necessário incluir prompts específicos e aprofundados, com algumas limitações de uso a depender das plataformas analisadas. Com o Duet, isso passa a ser automático, e as interações de rotina tendem a ser mais simplificadas, como um assistente pessoal mesmo.

A ideia é que o Duet trabalhe para organizar suas atividades. A Anthropic também fala em uma máquina virtual, a exemplo da Meta, e promete funcionamento independente por meio de um navegador próprio. Apesar de ser mais autônomo que chatbots, o Claude Duet deixa decisões complexas para o usuário, que precisa aprovar pagamentos, confirmar envio de mensagens e bater o martelo sobre mudanças de configuração, por exemplo.

Agente pessoal promete ajudar a organizar e otimizar sua rotina (imagem: divulgação/Anthropic)

O que a Anthropic fala sobre segurança e privacidade

Um assistente para profissionais e pequenas empresas pode lidar com muitos dados confidenciais. Pensando nisso, a Anthropic prometeu mecanismos para analisar e identificar as informações sensíveis. O agente vai recusar o compartilhamento de números de cartão de crédito e documentos de identificação, como já ocorre em outras funções do Claude. Já dados financeiros ou de saúde só serão compartilhados caso o usuário dê autorização na sessão.

O agente pessoal é classificado como “pré-modelo de pesquisa” e ainda será melhorado. A Anthropic promete que o serviço passará por constantes testes de estresse. O Claude Duet também faz parte do seu programa de recompensa por bugs, e possíveis vulnerabilidades encontradas por terceiros serão consideradas.
Claude ganha agente 24×7 para brigar com ChatGPT, Google e Meta

Claude ganha agente 24×7 para brigar com ChatGPT, Google e Meta
Fonte: Tecnoblog

Meta lança o Muse Wonder, sua IA mais avançada até agora

Meta lança o Muse Wonder, sua IA mais avançada até agora

O Muse Wonder combina memória entre conversas para executar tarefas complexas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Meta apresentou os modelos Muse Wonder e Muse Wonder Full, descritos como os mais avançados da empresa.
As novidades focam em agentes de IA com memória entre conversas e maior persistência em tarefas complexas.
O Muse Wonder já está disponível para desenvolvedores, mas chegará ao aplicativo Muse mais tarde.

A Meta apresentou o Muse Wonder e o Muse Wonder Full, seus novos modelos de inteligência artificial voltados para agentes pessoais e profissionais. Segundo a companhia, os sistemas são os mais poderosos que já criou e reforçam a disputa com modelos de ponta das rivais OpenAI e Anthropic.

Os modelos foram treinados para executar tarefas que demandam várias etapas, como analisar contratos, desenvolver aplicativos e utilizar navegadores ou outros programas.

O que o Muse Wonder pode fazer?

Uma das principais novidades é o recurso Active Memory, que permite ao modelo guardar informações importantes entre diferentes conversas e recuperá-las em novas tarefas. Já o Active Focus foi desenvolvido para manter o agente trabalhando mesmo diante de dificuldades.

Segundo a Meta, o modelo pode tentar métodos alternativos ao encontrar obstáculos, adaptar o plano conforme surgem novas informações e pedir ajuda ao usuário quando necessário. Antes de executar ações consideradas importantes, ele também pede confirmação.

A novidade combina essas funções com capacidade de operar computadores. Em demonstrações, a Meta mostra o Muse Wonder usando um navegador e outros aplicativos para criar e encomendar produtos a partir de fotos de um perfil no Instagram. O modelo também foi treinado para programação e pode dividir um projeto entre subagentes, realizar alterações em vários arquivos e continuar trabalhando mesmo quando encontra erros.

Esses recursos ampliam as funções do Muse, que já conseguia navegar em sites e preencher formulários sozinho, um nível de autonomia que já gerou conflitos. A Amazon bloqueou recentemente o serviço em sua loja após acusá-lo de não se identificar adequadamente.

O Muse Wonder já está disponível para desenvolvedores a US$ 4 por milhão de tokens de entrada e US$ 20 por milhão de tokens de saída (cerca de R$ 20 e R$ 100 em conversão direta, respectivamente). Já o Muse Wonder Full, versão mais avançada, fica restrito aos planos pagos do Muse Code e não possui cobrança individual por tokens.

IA compete com os modelos mais avançados

Avanço da inteligência dos modelos da Meta ao longo de 14 meses (imagem: divulgação)

A big tech afirma que Muse Wonder e Wonder Full atingem desempenho de ponta em avaliações envolvendo programação, memória e agentes profissionais. A companhia destaca tarefas longas de desenvolvimento de software e atividades envolvendo áreas como finanças, saúde e direito, mas os resultados precisam ser vistos com cautela, já que parte das comparações foi realizada ou selecionada pela própria Meta.

Em testes independentes da Artificial Analysis, o Muse Wonder marcou 52 pontos no Intelligence Index, um índice que reúne avaliações de raciocínio, programação e outras capacidades, resumindo o desempenho em uma pontuação. O Muse Wonder Full chegou a 56 pontos. Ambos superaram o Muse Spark 1.3, com 48, mas ficaram abaixo do Claude Opus 5.5, com 58.

Quando o Muse chega ao Brasil?

A Meta afirma que o Muse Wonder chegará “em breve” ao aplicativo Muse, inicialmente para assinantes. O serviço continua limitado principalmente aos Estados Unidos e Canadá, sem previsão de lançamento no Brasil.
Meta lança o Muse Wonder, sua IA mais avançada até agora

Meta lança o Muse Wonder, sua IA mais avançada até agora
Fonte: Tecnoblog

Funcionária é demitida após recusar “sentinela” que tira foto a cada 3 minutos

Funcionária é demitida após recusar “sentinela” que tira foto a cada 3 minutos

Sistema faria uma captura pela webcam a cada três minutos durante o expediente (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

Funcionária afirma que empresa exigiu cerca de 160 fotos pela webcam durante cada expediente.
Sistema Sentinel AI usaria reconhecimento facial para confirmar a presença do trabalhador.
Processo alega que pedido médico para reduzir o monitoramento foi rejeitado pela companhia.

Uma funcionária afirma ter sido demitida após se recusar a aceitar um sistema de monitoramento que tiraria cerca de 160 fotos de seu rosto por dia. O caso virou uma ação judicial em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Segundo o processo, Glennis Von Sander-Timinski trabalhava de casa na Sutherland Healthcare Solutions desde 2018.

Em agosto, a companhia informou que adotaria uma ferramenta chamada Sentinel AI, que usaria a webcam do notebook para registrar uma imagem a cada três minutos durante um expediente de oito horas. Segundo o processo, o sistema também utilizaria reconhecimento facial para confirmar se a funcionária estava perto do computador.

Por que a funcionária foi contra o monitoramento?

De início, ela solicitou uma adaptação por preocupação com a privacidade e com os efeitos do sistema sobre a sua saúde. Seu médico enviou uma recomendação para que as capturas fossem menos frequentes, afirmando que o monitoramento estava aumentando o estresse e agravando sintomas de ansiedade.

A ação alega que a empresa não aceitou reduzir a frequência. A funcionária teria recebido como alternativas aceitar o monitoramento, voltar ao trabalho presencial ou deixar a empresa. A ação estima que o deslocamento consumiria aproximadamente seis horas por dia. Ela acabou demitida em 8 de setembro.

Os advogados alegam que a companhia não ofereceu uma adaptação razoável prevista pela legislação de Nova Jersey. O processo ainda está em andamento, portanto as acusações não representam uma decisão legal sobre a conduta da empresa. Caberá à Justiça determinar se houve violação da legislação estadual.

Alguns estados americanos começaram a impor limites a esse tipo de prática. No Maine, uma lei que entrou em vigor em 2026 proíbe o monitoramento dentro de casa, em bens pessoais ou no veículo particular do funcionário, exceto quando necessário para o trabalho. Empresas também precisam avisar os empregados antes de iniciar a vigilância.

Vigilância de funcionários ficou mais sofisticada

Ferramentas podem acompanhar atividades em dispositivos corporativos (Imagem: BongkarnThanyakij/iStock)

Empresas já podem acompanhar localização, produtividade, comunicações e atividades realizadas em dispositivos corporativos. Algumas ferramentas também conseguem acessar câmeras de notebooks e celulares fornecidos pelos empregadores.

Recursos semelhantes aparecem até em softwares muito usados no ambiente corporativo. O Microsoft Teams, por exemplo, pode identificar quando um funcionário está no escritório ao detectar a conexão com a rede Wi-Fi da empresa. A Microsoft também precisou alterar o Microsoft 365 após críticas de que a plataforma permitia acompanhar atividades como envio de e-mails e participação em chats corporativos.

O caso lembra outro episódio em que uma empresa americana foi condenada na Holanda depois de demitir um funcionário que se recusou a manter a webcam ligada durante o expediente remoto.
Funcionária é demitida após recusar “sentinela” que tira foto a cada 3 minutos

Funcionária é demitida após recusar “sentinela” que tira foto a cada 3 minutos
Fonte: Tecnoblog

IA tem menos regras que uma caixa de leite, diz Microsoft

IA tem menos regras que uma caixa de leite, diz Microsoft

Autorregulação desconsidera empresas ruins, diz Brad Smith (imagem: Stephen McCarthy/Flickr)

Resumo

O presidente da Microsoft, Brad Smith, afirma que as exigências de segurança para inteligências artificiais são menores do que produtos cotidianos, como máquinas de lavar e caixas de leite.
Executivos da Microsoft defendem normas mais rígidas no setor e mecanismos para interromper modelos em tarefas comprometedoras, incluindo um “freio de emergência” para IA.
A empresa sugere notificações de pessoas afetadas por incidentes e avaliações independentes de sistemas avançados antes da liberação pública.

As inteligências artificiais estão sujeitas a menos exigências de segurança do que produtos cotidianos, como máquinas de lavar e caixas de leite. É o que afirmo o presidente da Microsoft, Brad Smith, que defendeu regras mais rígidas e a criação de normas de monitoramento e responsabilização das empresas por acidentes.

Em entrevista à BBC, Smith disse que “toda caixa de leite que você vê na mercearia passa por regras de segurança e inspeção” e que, por isso, “sabemos que ele é seguro”. Para ele, é esse tipo de confiança que a indústria precisa gerar para a IA.

Entre as medidas que possibilitariam isso estão notificações de pessoas afetadas por incidentes e avaliações independentes de sistemas avançados antes da liberação pública. A defesa de regras mais rígidas também se soma à posição do CEO da Microsoft, Satya Nadella, favorável à criação de mecanismos para pausar ou desligar modelos de IA que apresentem comportamentos inesperados.

Nadella quer “freio de emergência” para IA

Satya Nadella é CEO da Microsoft (imagem: divulgação)

Em uma publicação no X, Nadella afirmou que as empresas precisam considerar a possibilidade de seus sistemas serem comprometidos e garantir que pessoas autorizadas possam interromper suas operações. “Devemos presumir que um modelo está comprometido e contê-lo desde o início”, escreveu o CEO.

“Pense nisso como um freio de emergência. Qualquer pessoa autorizada deve ser sempre capaz de pausar ou desligar um modelo no meio de uma tarefa. Modelos mais avançados exigirão tecnologias de contenção mais avançadas que precisamos padronizar.”

Satya Nadella, CEO da Microsoft

O mecanismo, conhecido como kill switch, permitiria interromper uma tarefa caso o sistema representasse algum risco. Nadella também defende separar o modelo de IA dos mecanismos responsáveis por coordenar e executar suas ações, além de padronizar tecnologias de contenção.

Microsoft questiona limites da autorregulação

Microsoft pede mais regras de segurança para IAs (imagem: Igor Shimabukuro/Tecnoblog)

A cobrança contrasta com a preferência do governo de Donald Trump por uma abordagem mais favorável à autorregulação do setor. O presidente dos Estados Unidos reuniu no fim de setembro representantes de gigantes da tecnologia, incluindo OpenAI, Anthropic, Google e Meta, para a assinatura de um compromisso de segurança que prevê colaboração com mecanismos de supervisão e auditorias.

Smith elogiou a iniciativa, mas afirmou que compromissos voluntários não são suficientes para garantir que todas as empresas adotem práticas responsáveis.

“É um bom passo, é um passo necessário… Mas não acho que seja suficiente por mais tempo […] as empresas boas farão o que você pede. São as companhias que não são responsáveis que devem nos preocupar”.

– Brad Smith, presidente da Microsoft

OpenAI, Anthropic e Meta estiveram entre as desenvolvedoras de IAs que afirmaram ter tido problemas com modelos em treinamento “fugindo” de ambientes de testes, acessando a internet e inclusive hackeando sistemas de terceiros, como no caso do repositório Hugging Face.

As revelações acabaram promovendo, ainda que indiretamente, as capacidades agênticas de alguns modelos e deram mais força aos críticos das práticas de segurança das empresas.
IA tem menos regras que uma caixa de leite, diz Microsoft

IA tem menos regras que uma caixa de leite, diz Microsoft
Fonte: Tecnoblog

McDonald’s é alvo de processo por usar IA para definir preços

McDonald’s é alvo de processo por usar IA para definir preços

McDonald’s é alvo de processo por usar sistema de IA (imagem: Visual Karsa/Unsplash)

Resumo

McDonald’s é alvo de ação coletiva nos EUA por usar sistema de IA para definir preços do cardápio, acusando a empresa de violar leis antitruste.
A ação afirma que o McDonald’s coordena preços entre lojas próprias e franqueadas, reduzindo a concorrência.
O McDonald’s rejeitou as acusações, afirmando que a definição final dos preços cabe aos operadores das franquias.

O McDonald’s virou alvo de uma ação coletiva nos Estados Unidos após a revelação de que a empresa coordena preços do cardápio por um sistema de IA. Protocolado na sexta-feira (02/10) por um consumidor na cidade de Chicago, o processo acusa a companhia de violar as leis antitruste do país.

A ação sustenta que a rede conspirou com franqueados independentes para alinhar e fixar preços usando os modelos de IA alimentados por dados comerciais sigilosos, segundo a Reuters. Afirma, ainda, que os valores deveriam ser definidos independentemente por cada empresa, mas que o sistema adotado pelo McDonald’s teria reduzido essa concorrência entre lojas.

Processo questiona sistema de preços

A ação surge poucos dias após a agência revelar que uma ferramenta de precificação por IA usada pelo McDonald’s nos EUA usa histórico de compras locais para calcular a chamada “sensibilidade ao preço”. Ou seja, a empresa estima, pela tecnologia, quanto os consumidores de cada região estariam dispostos a pagar pelos lanches.

A investigação encontrou diferenças até mesmo entre lojas muito próximas, chegando a 21% em duas unidades a cerca de 3,2 km de distância em uma mesma cidade.

Ainda que a empresa afirme que os franqueados tenham autonomia para definir os preços, operadores relataram pressão para seguir as recomendações do sistema. A matriz envia relatórios de orientação e acompanha desvios em relação aos valores sugeridos, comportamento que pode impactar na renovação de licenças de franquia, segundo a Reuters.

Consumidores reclamam de redução na concorrência

Tecnologia impacta na concorrência entre restaurantes franqueados, diz ação (imagem ilustrativa: Max Pixel)

Na avaliação dos autores da ação, o problema está nesse alinhamento dos valores cobrados. Os consumidores argumentam que o sistema centralizados de precificação elimina parte da concorrência, mesmo entre franquias, que deveriam tomar suas decisões comerciais de forma independente.

Em declaração, Lark Turner, advogado do autor da ação, acusou o McDonald’s de usar sua escala e os dados obtidos por meio da rede de franquias para aumentar os preços. Segundo ele, o restaurante “está alavancando seus tesouros de dados e seu sistema de franquias para extorquir os consumidores”.

O processo se soma a outras disputas nos Estados Unidos envolvendo o uso de algoritmos de precificação em mercados nos quais empresas independentes podem acabar adotando valores semelhantes. Casos relacionados a ferramentas digitais usadas nos setores hoteleiro e imobiliário também passaram a levantar questionamentos antitruste.

O que diz o McDonald’s?

Em pronunciamento publicado ontem (05/10), o McDonald’s rejeitou as acusações e classificou o processo como infundado. “A inteligência artificial não define o preço de um Big Mac ou de qualquer outro item do cardápio”, declarou em nota.

A empresa afirmou que as alegações são “especulativas e desinformadas” e reiterou que a definição final dos preços cabe aos operadores das franquias. O McDonald’s também defendeu o uso de softwares de análise e recomendação de preços, dizendo que ferramentas desse tipo são utilizadas de forma legítima em diferentes setores da economia.
McDonald’s é alvo de processo por usar IA para definir preços

McDonald’s é alvo de processo por usar IA para definir preços
Fonte: Tecnoblog

Apple vai dificultar acesso aos dados do Mac por causa da IA

Apple vai dificultar acesso aos dados do Mac por causa da IA

Agentes de IA aumentam a preocupação com permissões no macOS (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Apple vai adicionar novos controles à permissão de Acesso Total ao Disco do macOS.
Recurso pode oferecer a aplicativos acesso a arquivos, e-mails, mensagens e até histórico de navegação.
Empresa afirma que agentes de IA cada vez mais autônomos aumentam os riscos associados a esse tipo de permissão.

A Apple vai reforçar os controles para aplicativos que exigem acesso aos dados armazenados em um Mac. A mudança mira a permissão conhecida como Acesso Total ao Disco (ou Full Disk Access, em inglês) e chega em meio ao crescimento de agentes de inteligência artificial capazes de interagir com arquivos e aplicativos no computador.

Em um comunicado para desenvolvedores, a companhia afirma que pretende garantir que essa permissão só seja concedida por uma ação “muito explícita” do usuário. A Apple ainda não detalhou como esses novos controles funcionarão nem informou quando a mudança será implementada.

O que é o Acesso Total ao Disco no macOS?

O sistema da Apple utiliza diferentes mecanismos para limitar quais dados cada aplicativo pode acessar. O Acesso Total ao Disco é uma exceção criada para permitir que programas de backup consigam ler informações distribuídas pelo sistema. Quando ativada, a permissão pode liberar acesso a arquivos, e-mails, mensagens e até ao histórico de navegação.

Segundo a empresa, alguns desenvolvedores estão utilizando esse nível de acesso de maneiras que podem expor informações armazenadas no computador sem que os usuários entendam o que está acontecendo.

A ideia atual não é eliminar o recurso. A proposta é adicionar novas etapas para garantir que os usuários que realmente desejem liberar esse acesso façam isso conscientemente.

Acesso Total ao Disco libera informações protegidas pelo sistema (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Agentes de IA aumentam preocupação

A Apple relacionou a mudança ao avanço dos agentes de IA. Esses sistemas não só respondem a perguntas, mas podem executar tarefas e utilizar informações armazenadas no disco do computador com maior autonomia. Na avaliação da empresa, conforme esses agentes se tornam mais capazes e independentes, os riscos associados ao Acesso Total ao Disco devem aumentar.

O tema ganhou atenção recentemente após uma divergência envolvendo o Muse, o agente pessoal de IA lançado pela Meta. Um jornalista afirmou que a ferramenta conhecia o conteúdo de suas mensagens privadas, mesmo sem uma autorização clara para isso.

A Meta contestou o relato e afirmou que o Muse só consegue acessar mensagens quando o usuário habilita as permissões necessárias, incluindo o Acesso Total ao Disco e uma conexão específica com o aplicativo Mensagens.

IAs estão ganhando mais acesso aos dispositivos

A discussão vai além do Muse. Ferramentas de IA para computadores estão recebendo recursos que exigem acesso cada vez maior aos dados. Em agosto, o ChatGPT ganhou o Computer History no macOS, função que registra atividades realizadas no computador para permitir que a IA encontre informações e ajude em tarefas futuras.

Outro caso recente reforça essa preocupação. Pesquisadores encontraram uma falha, já corrigida, no aplicativo do ChatGPT para macOS, que poderia permitir que um invasor assumisse o controle do app e acessasse conversas, sessões do navegador e outros dados sensíveis.

Ao mesmo tempo, casos de agentes ultrapassando limites definidos pelos usuários vêm aumentando. Em setembro, a própria OpenAI criou um protocolo para investigar e divulgar situações em que seus modelos agem sem autorização, acessam dados indevidamente ou burlam restrições.

A Apple afirma que os novos controles do macOS terão como objetivo deixar os riscos mais claros antes de um aplicativo receber acesso completo aos dados da máquina.
Apple vai dificultar acesso aos dados do Mac por causa da IA

Apple vai dificultar acesso aos dados do Mac por causa da IA
Fonte: Tecnoblog

Google anuncia Gemini 4 Argon, IA para tarefas complexas e segurança

Google anuncia Gemini 4 Argon, IA para tarefas complexas e segurança

Google anuncia Gemini 4 Argon, IA para tarefas complexas e segurança (imagem: reprodução/Google)

Resumo

O Google revelou o Gemini 4 Argon, um modelo de linguagem de IA para tarefas complexas e segurança.
O Gemini 4 Argon obteve 77,9% no DeepSWE 1.1, superando o Claude Opus 5.5 e o GPT-6 Astra.
O modelo será liberado aos poucos, inicialmente para testadores confiáveis e especialistas de segurança, e posteriormente para desenvolvedores e clientes corporativos.

O Gemini 4 Argon é o mais novo modelo de linguagem para inteligência artificial do Google. A novidade é focada em raciocínio profundo, de modo a ser apta para lidar com tarefas complexas e de longa duração, de acordo com a própria companhia.

Por conta disso, o Gemini 4 Argon pode ser usado em atividades de desenvolvimento de software, em pesquisas financeiras avançadas e na extração de informações de vídeos extensos, só para citar alguns exemplos.

Para dar uma noção do que o novo modelo pode proporcionar, o Google afirma que o Gemini 4 Argon obteve uma pontuação de 77,9% no DeepSWE 1.1, enquanto, no mesmo benchmark, o Claude Opus 5.5 e o GPT-6 Astra alcançaram 74,2% e 74,1%, respectivamente (ver gráfico mais abaixo).

Não por acaso, o Google também afirma que já vem empregando o Gemini 4 Argon em sua própria infraestrutura, usando agentes baseados no modelo para reescrever bases de código de C/C++ para Rust (uma linguagem mais moderna e segura) e na otimização do consumo de memória por aplicações de data center.

Outro ponto forte do Gemini 4 Argon está no aspecto da segurança digital. O Google explica que o modelo foi treinado para identificar e corrigir vulnerabilidades críticas em softwares de modo autônomo, tendo desempenho superior ao do Flash Cyber 3.8.

Para evitar que esses atributos sejam usados para fins maliciosos, o Google afirma ter estabelecido salvaguardas que inibem ações por “prompt injection” (ataques por meio de instruções maliciosas), bem como o uso do modelo em ataques virtuais ou em ameaças CBRN (química, biológica, radiológica e nuclear).

Desempenho do Gemini 4 Argon no DeepSWE 1.1 (imagem: reprodução/Google)

Quando o Gemini 4 Argon será lançado?

O Gemini 4 Argon vai ser liberado aos poucos. Por ora, a novidade está disponível apenas para alguns “testadores confiáveis” e especialistas de segurança por meio do Fairwind, um novo programa do Google que dá acesso a modelos de IA a pessoas selecionadas, sem que elas estejam sujeitas a determinadas salvaguardas.

Em breve, o Google liberará o Gemini 4 Argon para desenvolvedores, clientes corporativos do Google Cloud e assinantes do Google AI Ultra. Na fase inicial de liberação, os preços serão os seguintes:

US$ 2 por milhão de tokens de entrada

US$ 10 por milhão de tokens de saída

desconto de 95% no preço para tokens de entrada em cache

Depois do período promocional, esses valores dobrarão.
Google anuncia Gemini 4 Argon, IA para tarefas complexas e segurança

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Fonte: Tecnoblog