Category: Ciência e Saúde

Vacina criada com ajuda de IA passa pelo primeiro teste em humanos

Vacina criada com ajuda de IA passa pelo primeiro teste em humanos

Reino Unido começa a testar vacinas feitas com ajuda de IA (imagem: Pexels/Gustavo Fring)

Resumo

Vacina PEVAC-PS, desenvolvida com auxílio de inteligência artificial, concluiu sua primeira fase de avaliação em humanos no Reino Unido.
Os testes não registraram efeitos colaterais significativos e mostraram que o conceito funciona.
A pesquisa, realizada pela Universidade de Cambridge, avaliou a vacina em 39 voluntários saudáveis e já prepara uma nova rodada de testes.

Uma vacina experimental desenvolvida com auxílio de inteligência artificial pode agir contra futuras mutações do coronavírus. Em testes no Reino Unido, a PEVAC-PS concluiu sua primeira fase de avaliação em humanos e não registrou efeitos colaterais significativos.

A vacina foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Cambridge, da Inglaterra, e avaliada em 39 voluntários saudáveis. A proposta é que ela possa agir contra diferentes tipos de sarbecovírus, grupo que inclui o SARS-CoV-1, as variantes do SARS-CoV-2 (causador da pandemia da Covid-19) e outros vírus encontrados em animais com potencial de transmissão para humanos.

Como a IA projetou a vacina?

Pesquisadores usaram IA para identificar traços em comum em diferentes variantes (imagem: Growtika/Unsplash)

Os pesquisadores usaram a plataforma DIOSynVax (sigla em inglês para Vacina Sintética Digitalmente Otimizada para a Imunidade, em tradução livre) para analisar RBDs (Domínios de Ligação ao Receptor) de uma proteína chamada glicoproteína espicular (spike) em múltiplos vírus, disponíveis em programas de vigilância globalmente. O estudo procurou partes do vírus que tendem a mudar pouco, mesmo quando novas variantes surgem.

Com essa informações, a IA ajudou a projetar uma sequência sintética inédita de RBD, descrita pela equipe como um “superantígeno”, criado para treinar o sistema imunológico a reconhecer pontos funcionais e mais conservados de diferentes tipos de coronavírus.

Um dos alvos mapeados foi a região associada ao anticorpo monoclonal S309, conhecido por reagir contra diferentes vírus da família dos sarbecovírus.

Através da mesma plataforma, já há pesquisas em andamento para uma vacina universal contra a gripe sazonal, uma dose voltada à gripe aviária H5N1 e soluções para febres hemorrágicas, incluindo vírus da família do Ebola. Esses testes, porém, ainda estão sendo conduzidos em animais.

Teste inicial mostrou resposta imune

Proposta quer evitar caos da pandemia de Covid-19 (imagem: Yuri Samoilo/Flickr)

A pesquisa realizou os testes em 39 participantes entre 18 e 50 anos na Inglaterra e, segundo a publicação, a vacina ativou respostas imunes contra o SARS-CoV-2, o SARS original e vírus relacionados de origem animal. De acordo com a BBC, o impacto inicial foi considerado “modesto”, mas provou que o conceito funciona.

Por isso, a equipe já prepara uma nova rodada de testes, incluindo cerca de 200 pessoas, para avaliar a eficácia da vacina em uma população mais diversa. À BBC, o líder da pesquisa, professor Jonathan Heeney, afirma que a abordagem deve nos proteger “daquilo que pode causar o próximo surto ou doença”.

O investigador-chefe do teste na Universidade de Southampton, Saul Faust, também defende o desenvolvimento desse tipo de imunizante antes de novos surtos. Para ele, avançar clinicamente com vacinas desse tipo antes do início de uma epidemia pode salvar vidas e evitar toda a catástrofe econômica da última pandemia, como lockdowns.

Vírus ainda circula no Brasil

Embora em patamar baixo em comparação aos anos de pandemia e aos primeiros meses após as campanhas de vacinação, o SARS-CoV-2 segue em circulação no Brasil. E um dos maiores problemas é justamente a capacidade de mutação do vírus.

Em 2026, há registro de 1.108 sequenciamentos do SARS-CoV-2, sendo que 77 estão em circulação no país. Por aqui, foram mais de 80 mil casos de síndrome gripal por Covid-19 até o fim de maio, segundo o Ministério da Saúde.
Vacina criada com ajuda de IA passa pelo primeiro teste em humanos

Vacina criada com ajuda de IA passa pelo primeiro teste em humanos
Fonte: Tecnoblog

Android 17 terá recurso para combater vício em redes sociais

Android 17 terá recurso para combater vício em redes sociais

Novo função do Android 17 quer frear a rolagem infinita nas redes sociais (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

Android 17 terá um recurso para ajudar a combater o vício em redes sociais.
O Pause Point vai exigir uma espera de 10 segundos antes de abrir aplicativos considerados “viciantes”, como Instagram e TikTok.
Durante a espera, o Android deve sugerir atividades mais construtivas e permitir visualizar fotos pessoais.

O Google revelou um novo recurso que chegará nativamente com o Android 17 para ajudar a combater o doomscrolling — hábito de ficar rolando a tela do celular de forma viciosa. Chamada Pause Point, a função cria uma trava de segurança: em vez de só alertar o usuário sobre o tempo excessivo de uso, agora o sistema exige uma espera obrigatória antes de abrir apps classificados como distrações.

A novidade deve congelar a inicialização de um app por 10 segundos, caso ele seja marcado pelo usuário como “viciante”. A tela, no entanto, não ficará apagada durante esse intervalo: o Android vai aproveitar esse tempo para sugerir atividades mais construtivas.

O recurso vai exibir desde atalhos para um exercício rápido de respiração até recomendações de aplicativos úteis instalados no celular. Há ainda a opção de visualizar um carrossel com fotos pessoais, funcionando como um estímulo visual para o usuário sair um pouco da tela.

Aplicativos de terceiros focados em controle de tempo, como Finch ou Focus Friend, já têm seu público fiel. O grande trunfo do Pause Point, no entanto, é rodar de forma nativa, o que deve tornar a trava mais difícil de ser ignorada.

Recurso nativo deve ajudar mais o usuário

Recurso aproveita o intervalo obrigatório para sugerir um respiro (imagem: reprodução/Google)

A principal diferença está no momento em que a intervenção acontece. Os limites de tempo tradicionais do Android, lançados em 2018, costumam falhar porque dependem da força de vontade do usuário. A pessoa estoura a cota de uso, recebe um alerta na tela e, na maioria das vezes, o ignora para continuar navegando.

O 9to5Google destaca que, ao bloquear a abertura do aplicativo logo no primeiro toque, a nova função corta a descarga imediata de dopamina gerada pelo carregamento do feed. O usuário é forçado a parar e decidir se realmente quer gastar tempo naquela plataforma ou se o clique foi apenas um movimento no “piloto automático”.

Se, após os 10 segundos, a pessoa confirmar que deseja abrir a rede social, o Android permite até configurar um cronômetro para aquela sessão específica.

Vale mencionar que, para desativar completamente o recurso, será necessário reiniciar o smartphone — uma camada extra criada para dificultar o desligamento da função por impulso. A versão estável do Android 17, que incluirá a novidade, está prevista para junho.

Resposta contra os algoritmos

A aplicação dessa ferramenta mais agressiva não acontece por acaso. O Google apresentou o Pause Point no momento em que governos do mundo todo elaboram planos para restringir ou até proibir o uso de redes sociais por menores de idade.

Ao integrar essa barreira de uso ao sistema móvel mais popular do mundo, o Google se posiciona como parte da solução. O diretor de operações de produto da divisão de Plataformas e Ecossistemas do Google, Dieter Bohn, pontuou durante coletiva de imprensa que a empresa reconhece o problema.

“O Android está mais poderoso do que nunca, mas também queremos oferecer as ferramentas para você se desconectar quando precisar”, afirmou. “Acho que todos nós já pegamos o celular, abrimos algum aplicativo e ficamos no piloto automático, e uma hora se passou.”

O Google já confirmou que mais recursos focados em combater o tempo de tela abusivo serão lançados nos próximos meses.
Android 17 terá recurso para combater vício em redes sociais

Android 17 terá recurso para combater vício em redes sociais
Fonte: Tecnoblog

ChatGPT ganha versão focada em perguntas médicas e de saúde

ChatGPT ganha versão focada em perguntas médicas e de saúde

ChatGPT ganha versão focada em perguntas médicas e de saúde (imagem: reprodução/OpenAI)

Resumo

ChatGPT Health foi criado para consultas de saúde, com proteções adicionais de privacidade e colaboração de mais de 260 médicos;
Serviço permite conexão com prontuários eletrônicos e ferramentas de saúde, como Apple Health e MyFitnessPal;
Novidade ainda não está disponível globalmente; é necessário se cadastrar em uma lista de espera.

Se você nunca usou o ChatGPT para analisar um exame médico ou esclarecer dúvidas sobre doenças, há boas chances de que um dia você faça isso. Não surpreende, portanto, que a OpenAI tenha anunciado uma versão do serviço direcionada especificamente para consultas de saúde: o ChatGPT Health.

A própria OpenAI admite que o ChatGPT é muito acessado dentro de contextos médicos, “com centenas de milhões de pessoas fazendo perguntas sobre saúde e bem-estar toda semana”.

São consultas em que o usuário descreve sintomas e pede para o ChatGPT apontar as possíveis causas ou em que pede para o serviço de IA explicar resultados de exames médicos que, muitas vezes, têm termos técnicos pouco claros para o público leigo, só para dar alguns exemplos.

Para atender a essas demandas, o ChatGPT Health é capaz até de se conectar a prontuários eletrônicos e a ferramentas de saúde, como Apple Health e MyFitnessPal, para ter dados atualizados do usuário.

Por que o ChatGPT Health foi criado?

Se o ChatGPT já é capaz de funcionar como um “consultor médico” ou algo nesse sentido, por que a OpenAI anunciou uma variação do serviço focada em saúde?

Uma explicação é o fator privacidade. Frequentemente, consultas sobre saúde no ChatGPT envolvem dados sensíveis do usuário. Por isso, o ChatGPT Health foi criado com proteções adicionais para informações de saúde, de acordo com a OpenAI:

O Health fica em um espaço próprio dentro do ChatGPT, onde suas conversas, aplicativos conectados e arquivos ficam armazenados separadamente de suas outras conversas. O Health tem memórias separadas, garantindo que seu contexto de saúde permaneça contido nesse espaço.

Outro objetivo é oferecer resultados mais precisos, até porque orientações equivocadas ou incoerentes sobre saúde podem ser prejudiciais ao usuário. Para tanto, a OpenAI desenvolveu o ChatGPT Health em colaboração com mais de 260 médicos de variadas especialidades.

Dentro desse aspecto, o objetivo também é o de indicar, com mais precisão, o quão urgente o usuário deve procurar um médico ou outro profissional de saúde para tratar de alguma condição.

Nesse sentido, a OpenAI esclarece que, apesar de os recursos do ChatGPT Health serem focados especificamente em saúde e bem-estar, o serviço não substitui o atendimento médico.

ChatGPT Health no celular (imagem: reprodução/OpenAI)

Como acessar o ChatGPT Health?

O ChatGPT Health ainda não foi liberado globalmente. Por ora, é preciso se cadastrar em uma lista de espera. Quando estiver disponível em sua conta, o Health poderá ser acessado a partir da coluna à esquerda da versão web do serviço, bem como nos aplicativos móveis oficiais.

A liberação oficial deve ocorrer nas próximas semanas, no mundo todo. Contudo, a integração com determinadas ferramentas de saúde só estará disponível nos Estados Unidos ou exigirá o uso de um iPhone.
ChatGPT ganha versão focada em perguntas médicas e de saúde

ChatGPT ganha versão focada em perguntas médicas e de saúde
Fonte: Tecnoblog

Satélite da Starlink perde controle e entra em rota de reentrada na Terra

Satélite da Starlink perde controle e entra em rota de reentrada na Terra

Satélite passa por um processo de reentrada na Terra (Imagem: SpaceX/Divulgação)

Resumo

A SpaceX informou que perdeu o controle de um satélite da constelação da Starlink após a ocorrência de uma anomalia técnica, fazendo com que o equipamento passasse a perder altitude e iniciasse um processo de reentrada na atmosfera da Terra. Segundo a empresa, o satélite não representa risco para a Estação Espacial Internacional (ISS) e deve se desintegrar completamente ao atravessar a atmosfera nas próximas semanas.

O episódio ocorreu poucos dias depois de a companhia relatar um quase acidente envolvendo um satélite chinês, o que voltou a chamar atenção para os desafios da operação em órbita baixa da Terra. A região, cada vez mais disputada por empresas privadas e agências governamentais, concentra um número crescente de aparelhos dedicados principalmente a serviços de internet espacial.

O que aconteceu com o satélite da Starlink?

De acordo com a SpaceX, o satélite identificado como Starlink 35956 apresentou uma falha grave que incluiu perda repentina de comunicação, redução de altitude e a liberação de material do sistema de propulsão.

A empresa também mencionou a ejeção de um pequeno número de objetos rastreáveis, com baixa velocidade relativa, o que indica que houve algum tipo de evento energético anormal a bordo.

On December 17, Starlink experienced an anomaly on satellite 35956, resulting in loss of communications with the vehicle at 418 km. The anomaly led to venting of the propulsion tank, a rapid decay in semi-major axis by about 4 km, and the release of a small number of trackable…— Starlink (@Starlink) December 18, 2025

Segundo a empresa de monitoramento espacial Leo Labs, os dados de radar sugerem que o incidente foi provocado por uma “fonte energética interna”, descartando, ao menos por enquanto, a hipótese de colisão com outro objeto. Após o evento, sensores detectaram dezenas de fragmentos próximos a ele, reforçando a possibilidade de uma falha estrutural ou explosão localizada.

O incidente aconteceu a cerca de 418 quilômetros de altitude, uma faixa considerada especialmente sensível por concentrar grande parte das operações em órbita baixa.

Por que a órbita baixa preocupa especialistas?

Milhares de objetos disputam espaço na órbita baixa da Terra (imagem: SpaceX)

Mais de 24 mil objetos — entre satélites ativos e detritos espaciais — são monitorados nessa região ao redor do planeta. A expectativa é que esse número cresça de forma acelerada nos próximos anos. Estimativas indicam que, até o fim da década, cerca de 70 mil satélites possam estar operando nessa mesma faixa orbital, impulsionados por megaconstelações como a Starlink e da Amazon Leo.

Esse adensamento aumenta significativamente o risco de colisões, que podem gerar ainda mais fragmentos e provocar reações em cadeia difíceis de controlar.
Satélite da Starlink perde controle e entra em rota de reentrada na Terra

Satélite da Starlink perde controle e entra em rota de reentrada na Terra
Fonte: Tecnoblog