Category: China

Xiaomi bloqueia celulares com ROM global e deixa donos “por conta própria”

Xiaomi bloqueia celulares com ROM global e deixa donos “por conta própria”

HyperOS 3 deixou usuários com ROMs alternativas na mão (imagem: reprodução/Xiaomi)

Resumo

A atualização HyperOS 3 da Xiaomi, baseada no Android 16, inutilizou celulares com ROM global não oficial, especialmente importados da China.
A Xiaomi não oferece suporte para dispositivos modificados fora de seus canais oficiais, deixando usuários sem correções para o problema.
Reverter para o HyperOS 2.2 pode ser a única solução, exigindo reinicializações repetidas para acionar o rollback de emergência do Android.

Donos de celulares da Xiaomi adquiridos por meio de importadores independentes passaram a relatar, nos últimos dias, uma enorme dor de cabeça: os aparelhos foram inutilizados após a chegada do HyperOS 3, nova versão da interface própria da fabricante, baseada no Android 16.

Os casos afetam principalmente smartphones importados da China que utilizam ROM global não oficial, prática comum no chamado mercado cinza. De acordo com os relatos, após a instalação do HyperOS 3, esses aparelhos passam a iniciar apenas no modo de recuperação ou entram em bootloop permanente.

Vendedores não oficiais costumam comprar versões chinesas dos aparelhos (que são mais baratas), desbloquear o bootloader e instalar uma interface global para incluir idiomas ocidentais e serviços do Google.

O que causa o problema?

Segundo o Gizmochina, a atualização introduziu uma verificação rigorosa de região, que compara o hardware do aparelho com a região do software instalado. Quando o sistema identifica uma incompatibilidade – como hardware chinês rodando uma ROM global modificada –, o processo de inicialização falha.

Geralmente, o smartphone não carrega o sistema operacional, entrando em modo de recuperação e ficando preso em um bootloop (quando o dispositivo entra em um loop de reinicialização).

Smartphones ficam bloqueados após atualização (imagem: reprodução/Gizchina)

A Xiaomi classifica essas ROMs convertidas como instalações não autorizadas e, por isso, não trata o problema como um bug do sistema. Ainda de acordo com a publicação, a empresa considera que esses dispositivos foram modificados fora de seus canais oficiais.

Com isso, os aparelhos impactados podem ficar definitivamente presos ao HyperOS 2.2, versão anterior do sistema, sem acesso a futuras atualizações do Android.

Como resolver?

Segundo o Gizchina, a empresa não pretende oferecer correções ou suporte para celulares comprados por meio de importadores não oficiais. A gigante chinesa teria comunicado que os clientes afetados por esse problema estão “por conta própria” em relação ao Android 16 e ao HyperOS 3.

Dessa forma, para quem foi atingido pelo bloqueio, a reversão do sistema para a versão anterior pode ser a única forma de salvar o dispositivo:

O usuário deve forçar a reinicialização do celular repetidamente (pressionando o botão liga/desliga). Pode ser necessário fazer esse processo entre 10 e 15 vezes seguidas.

Essa sequência de falhas propositais no boot pode acionar o protocolo de rollback de emergência do Android, desinstalando a atualização problemática e restaurando o HyperOS 2.2.

Se o aparelho voltar a ligar, é importante desativar imediatamente as atualizações automáticas para evitar que o HyperOS 3 tente se instalar de novo.

A atualização que causou o bloqueio é uma das mais aguardadas pelos fãs da marca. O HyperOS 3 promete otimizações significativas de desempenho e traz a funcionalidade “Xiaomi Super Island”, um recurso visual e interativo comparável à Dynamic Island da Apple.
Xiaomi bloqueia celulares com ROM global e deixa donos “por conta própria”

Xiaomi bloqueia celulares com ROM global e deixa donos “por conta própria”
Fonte: Tecnoblog

Medida do Brasil pode elevar custo da fibra óptica vinda da China

Medida do Brasil pode elevar custo da fibra óptica vinda da China

O preço final dos cabos de fibra óptica importados da China para prestadoras de pequeno porte pode subir mais de 170% (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

A aplicação de direitos antidumping definitivos sobre cabos de fibra óptica importados da China acendeu um sinal de alerta no setor de telecomunicações no Brasil. A medida, aprovada pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) no fim de dezembro de 2025, prevê a cobrança adicional de US$ 2,42 por quilo do produto (cerca de R$ 12,99) e já começa a refletir nos preços praticados no mercado nacional.

Em nota conjunta, a TelComp (Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas) e a Abramulti (Associação Brasileira dos Operadores de Telecomunicações e Provedores de Internet) afirmam que a decisão pode elevar de forma relevante o custo de um insumo considerado estratégico para a expansão da conectividade no Brasil.

Segundo apuração do TeleSíntese, reajustes já foram observados e passaram a impactar os cálculos financeiros de prestadoras de serviços, especialmente as de menor porte.

Por que a medida preocupa o setor?

As entidades ressaltam que não defendem nem apoiam práticas de dumping. O posicionamento, segundo elas, busca chamar atenção para os efeitos econômicos e sociais do aumento de custos de importação de cabos e fibras ópticas, com reflexos diretos em pequenos provedores e na oferta de internet em regiões menos atendidas.

Estimativas preliminares indicam que o preço final dos cabos de fibra óptica importados da China para prestadoras de pequeno porte pode subir mais de 170%. Considerando a participação desses produtos no mercado, a avaliação é que o reajuste tende a pressionar também os preços de fabricantes nacionais e de cabos provenientes de outros países. Nesse cenário, o preço de equilíbrio de todos os cabos comercializados no Brasil poderia aumentar em torno de 50%.

Além dos cabos, foi aplicada medida antidumping sobre a importação de fibras ópticas, o que, segundo as associações, pode intensificar ainda mais os efeitos sobre a cadeia produtiva e o mercado de infraestrutura de telecomunicações.

Medida antidumping foi aplicada sobre a importação de fibras ópticas (imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Impactos sobre conectividade e políticas públicas

De acordo com a TelComp e a Abramulti, a elevação generalizada dos custos tende a desacelerar a expansão da banda larga, sobretudo em áreas menos atrativas do ponto de vista econômico e entre consumidores de menor renda. O risco é de aprofundamento do chamado abismo digital, em um momento em que o país ainda busca ampliar o acesso à internet de qualidade.

As entidades também destacam possíveis impactos sobre políticas públicas estruturantes. Programas de conectividade de escolas, como o Aprender Conectado, e obrigações relacionadas à implantação da infraestrutura do 5G podem ser afetados, com risco de redução no número de escolas atendidas e aumento significativo dos custos dos projetos.

Com informações do TeleSíntese

Medida do Brasil pode elevar custo da fibra óptica vinda da China

Medida do Brasil pode elevar custo da fibra óptica vinda da China
Fonte: Tecnoblog

Jovi homologa bateria para celular com 7.000 mAh

Jovi homologa bateria para celular com 7.000 mAh

Jovi é o nome comercial da Vivo Communication Technology no Brasil (arte: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Jovi homologou uma bateria de 7.000 mAh para o modelo J2507, fabricado pela Sunwoda na China e montado no Polo Industrial de Manaus.
O Vivo X300 Ultra, possivelmente equipado com essa bateria, terá duas câmeras de 200 MP e uma ultrawide de 50 MP, além do SoC Snapdragon 8 Elite Gen 5.
A homologação foi realizada pela Agência Nacional de Telecomunicações em 02/01, permitindo a venda no mercado brasileiro.

O ano de 2026 deve ser dedicado aos smartphones com baterias grandes na fabricante chinesa Jovi. A filial brasileira da Vivo Communication obteve a homologação de mais uma bateria, desta vez com 7.000 mAh-hora. O Tecnoblog visualizou a documentação do componente, que foi registrado sob o código de modelo BB50X.

O documento foi emitido pela Agência Nacional de Telecomunicações em 02/01 e, na prática, permite a venda do novo produto no mercado doméstico. O componente será fabricado na China pela empresa especializada Sunwoda.

O restante da documentação revela que o smartphone na qual ela será utilizada tem o código de modelo J2507 e que ele será fabricado no Polo Industrial de Manaus.

Bateria BB50X da Jovi (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Certificado de homologação da bateria BB50X (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

O que é J2507?

Assim como na homologação anterior, há um mistério em relação a qual aparelho receberá a bateria. O código V2507 corresponde ao Vivo Y19s, produto lançado em 2024 e vendido no país como Jovi Y19s. Portanto, podemos descartar facilmente essa possibilidade.

A capacidade da bateria, de 7.000 mAh, se alinha com o Vivo X300 Ultra, que deve ser lançado ainda neste semestre não apenas na China, segundo rumores e vazamentos. Ele deverá trazer duas câmeras de 200 MP: a principal e a teleobjetiva periscópica, além de uma ultrawide de 50 megapixels, e deve vir equipado com o poderoso SoC Snapdragon 8 Elite Gen 5 da Qualcomm.

Snapdragon 8 fez sua estreia em 2021 e chega à quinta geração (imagem: divulgação)
Jovi homologa bateria para celular com 7.000 mAh

Jovi homologa bateria para celular com 7.000 mAh
Fonte: Tecnoblog

Vendas de robôs humanoides saltam 480%, com liderança absoluta da China

Vendas de robôs humanoides saltam 480%, com liderança absoluta da China

China lidera mercado de produção de robôs humanoides (imagem: divulgação)

Resumo

As remessas globais de robôs humanoides cresceram 480% em 2025, atingindo mais de 13 mil unidades, lideradas pela China.
Empresas chinesas, como AgiBot e Unitree Robotics, dominaram o mercado, com 70% das remessas totais.
O mercado ainda é pequeno, mas espera-se alcançar 2,6 milhões de unidades até 2035.

As vendas globais de robôs humanoides deram um salto expressivo em 2025. Segundo dados da consultoria Omdia, as remessas desse tipo de equipamento quase quintuplicaram em relação ao ano anterior, alcançando mais de 13 mil unidades. O avanço chama atenção pelo ritmo acelerado, mas ainda representa um mercado pequeno quando comparado a outros segmentos da indústria de tecnologia.

O crescimento foi fortemente concentrado na China, que dominou a produção e respondeu pela maior parte dos robôs enviados no período. Empresas chinesas ocuparam seis das dez primeiras posições no ranking global, deixando concorrentes dos Estados Unidos, como Tesla, Figure AI e Agility Robotics, com participação residual em volume.

China dispara na liderança do mercado

A startup AgiBot, sediada em Xangai, enviou 5.168 robôs humanoides no período, o equivalente a cerca de 38% do mercado mundial. Na sequência aparece a Unitree Robotics, de Hangzhou, que distribuiu aproximadamente 4.200 unidades, alcançando 32% de participação. A terceira colocação ficou com a UBTech Robotics, de Shenzhen, com cerca de mil robôs enviados no ano.

Outras empresas chinesas, como Leju Robotics, Engine AI e Fourier Intelligence, completaram as posições seguintes do ranking. Juntas, elas reforçam a vantagem competitiva do país em escala produtiva e velocidade de comercialização. De acordo com a Omdia, as remessas globais cresceram quase 480% em 2025, e a projeção é que o volume alcance 2,6 milhões de unidades até 2035.

“Os fornecedores chineses estão estabelecendo novos padrões na produção em larga escala, tendo atingido a marca de milhares de unidades enviadas em um curto período, o que possibilita a implantação de dezenas de milhares de robôs anualmente”

– Lian Jye Su, analista da Omdia

Por que os EUA ficaram tão atrás?

Optimus é o robô desenvolvido pela empresa norte-americana Tesla (Imagem: Divulgação/Tesla)

Enquanto a China avançou rapidamente, empresas americanas tiveram desempenho modesto. A Tesla, por exemplo, enviou apenas 150 unidades de humanoides, cerca de 1% do mercado global. Figure AI e Agility Robotics também ficaram na casa das 150 unidades cada.

Analistas apontam que a diferença está ligada a uma combinação de políticas públicas favoráveis, investimentos estatais e privados e uma infraestrutura industrial já preparada para escalar a produção. A chamada “inteligência incorporada”, ramo da IA aplicada a corpos físicos, foi classificada pelo governo chinês como setor estratégico, o que impulsionou ainda mais o desenvolvimento local.

Além disso, o preço pesa a favor dos fabricantes chineses. A Unitree oferece modelos básicos por cerca de US$ 6 mil (R$ 32 mil), enquanto a AgiBot comercializa versões simplificadas por aproximadamente US$ 14 mil (cerca de R$ 76 mil). Em comparação, Elon Musk já estimou que o Optimus, da Tesla, deve custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil (R$ 108 mil e R$ 162 mil), ainda sem produção em larga escala.

Apesar da liderança chinesa, o mercado segue em fase inicial. A própria Omdia destaca que, embora o crescimento seja acelerado, os volumes atuais ainda são pequenos — o que reforça o potencial de expansão nas próximas décadas.

Vendas de robôs humanoides saltam 480%, com liderança absoluta da China

Vendas de robôs humanoides saltam 480%, com liderança absoluta da China
Fonte: Tecnoblog

Ex-funcionários da Samsung são indiciados por vazar segredos industriais

Ex-funcionários da Samsung são indiciados por vazar segredos industriais

Dez pessoas foram indiciadas por vazar segredos da memória DRAM (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

Ex-funcionários da Samsung foram indiciados na Coreia do Sul por vazarem segredos industriais de memória DRAM de 10 nm para a China.
A investigação afirma que a tecnologia da empresa chinesa CXMT foi baseada em conhecimento indevidamente apropriado da Samsung.
O caso ocorre no momento em que o mercado de memórias enfrenta alta de preços devido à escassez de chips.

Um grupo de dez ex-executivos e funcionários da Samsung foi indiciado na Coreia do Sul por vazar segredos industriais sobre memória DRAM de 10 nanômetros (nm) para a China. As informações teriam sido usadas no desenvolvimento da primeira DRAM produzida internamente no país asiático, em 2023.

Segundo o portal sul-coreano The Elec, a investigação aponta que a tecnologia utilizada pela chinesa Changxin Memory Technologies (CXMT) foi baseada em conhecimento apropriado indevidamente da Samsung Electronics. A CXMT é hoje a única fabricante chinesa de DRAM em larga escala.

Entenda o caso

Ex-funcionários da Samsung teriam vazado informações (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A Procuradoria do Distrito Central de Seul anunciou ontem (23/12) a prisão de um executivo da CXMT, ex-funcionário da Samsung, acusado de liderar o desenvolvimento da tecnologia de DRAM de 10 nm na empresa chinesa. Outros quatro funcionários da CXMT também foram presos. Além deles, cinco gerentes de desenvolvimento foram indiciados, mas responderão ao processo em liberdade.

As acusações envolvem violação da Lei de Proteção da Tecnologia Industrial, legislação sul-coreana voltada à defesa de segredos estratégicos do setor produtivo. De acordo com os promotores, os crimes teriam causado prejuízos que podem chegar a “dezenas de trilhões de won” à indústria de semicondutores da Coreia do Sul.

A investigação afirma que a CXMT recebeu US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9,3 bilhões) em investimentos do governo chinês e, paralelamente, recrutou engenheiros e executivos-chave da Samsung. Esses profissionais teriam transferido conhecimento técnico sensível ao novo empregador.

Em um dos casos citados pela promotoria, um ex-pesquisador da Samsung, que ingressou na CXMT em 2016, teria compartilhado centenas de documentos manuscritos descrevendo, em detalhes, o funcionamento da tecnologia de memória DRAM.

Memória RAM em alta

Memórias RAM estão mais caras (foto: Everton Favretto/Tecnoblog)

O caso ocorre no momento em que o mercado de memórias enfrenta um salto de valor pelo uso em inteligência artificial. O vice-presidente sênior da Samsung no Brasil, Gustavo Assunção, revelou ao Tecnoblog que os eletrônicos devem ficar 20% mais caros no Brasil a partir do primeiro trimestre de 2026. 

O motivo é a escassez de chips de memória no mundo. Segundo o executivo da Samsung, o custo da memória RAM no planeta vem crescendo desde setembro. Em 2026, deve bater “dois dígitos generosos”.

De acordo com o CEO da Micron, Sanjay Mehrotra, esse movimento teria começado com a construção acelerada de data centers de IA: as fabricantes teriam revisado as previsões de demanda, já que a produção não consegue acompanhar o ritmo.

A alta, vale lembrar, também fez a própria Micron retirar do mercado a marca Crucial.
Ex-funcionários da Samsung são indiciados por vazar segredos industriais

Ex-funcionários da Samsung são indiciados por vazar segredos industriais
Fonte: Tecnoblog

Golpistas usam IA para conseguir reembolso de lojas online

Golpistas usam IA para conseguir reembolso de lojas online

Inteligência artificial está sendo usada para aplicar golpes por meio do e-commerce (ilustração: reprodução/Max Pixel)

Resumo

Golpistas usam IA para criar imagens e vídeos falsos para fraudar reembolsos em plataformas de comércio online chinesas.
A AppZen identificou que 14% dos documentos fraudulentos em setembro de 2025 indicavam uso de IA, enquanto a Ramp bloqueou mais de US$ 1 milhão em notas suspeitas nos últimos 90 dias.
O uso de IA para adulterar imagens em pedidos de reembolso cresceu mais de 15% desde o início de 2025, segundo a Forter.

A disseminação de ferramentas de inteligência artificial capazes de gerar imagens e vídeos realistas começa a produzir efeitos colaterais claros no comércio eletrônico. Plataformas que dependem de provas visuais para validar pedidos de reembolso enfrentam um novo tipo de fraude: comprovantes fabricados digitalmente para simular produtos danificados ou defeituosos.

Anteriormente, tomamos ciência de que trabalhadores nos Estados Unidos estavam usando IA enviar notas e comprovantes falsos. Segundo a AppZen, cerca de 14% dos documentos fraudulentos analisados em setembro de 2025 tinham indícios de uso de IA, um salto expressivo em relação ao ano anterior. A fintech Ramp afirma ter bloqueado mais de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,6 milhões) em notas suspeitas apenas nos últimos 90 dias.

Como a IA está sendo usada para fraudar reembolsos

Já na China, relatos recentes indicam que consumidores passaram a enviar imagens e vídeos gerados ou alterados por IA para justificar pedidos de devolução. Em plataformas como RedNote e Douyin, vendedores e atendentes publicaram exemplos de supostos danos impossíveis de ocorrer na prática, como xícaras de cerâmica “rasgadas” em camadas ou etiquetas de envio com caracteres sem sentido.

Um dos casos que mais repercutiu envolveu a venda de caranguejos vivos. A comerciante Gao Jing recebeu vídeos que mostravam animais supostamente mortos na entrega, mas notou inconsistências. “Minha família cria caranguejos há mais de 30 anos. Nunca vimos um caranguejo morto com as pernas apontadas para cima”, disse a vendedora, em um vídeo que postou no Douyin. A fraude foi confirmada pelas autoridades, e o comprador acabou detido por oito dias.

Golpistas tentam aplicar golpe em comerciante de caranguejos (Imagem: reprodução/Douyin)

Quais são os riscos para consumidores e plataformas?

O problema não se limita à China. A empresa americana Forter estima que o uso de imagens adulteradas por IA em pedidos de reembolso cresceu mais de 15% desde o início do ano. “Essa tendência começou em meados de 2024, mas acelerou no último ano, à medida que as ferramentas de geração de imagens se tornaram amplamente acessíveis e fáceis de usar”, disse Michael Reitblat, CEO e cofundador da empresa.

Segundo ele, nem é necessário que a fraude seja perfeita. Equipes de atendimento e revisão muitas vezes não têm tempo para analisar cada imagem em detalhe. Em alguns casos, grupos organizados chegaram a enviar mais de US$ 1 milhão (R$ 5,6 milhões) em pedidos fraudulentos em janelas curtas de tempo, usando IPs rotativos para dificultar a identificação.

Como resposta, alguns vendedores passaram a usar inteligência artificial para analisar imagens suspeitas. Ainda assim, as soluções são limitadas, e as plataformas nem sempre aceitam essas análises como prova. O risco, alertam especialistas, é que o endurecimento das políticas de devolução acabe prejudicando consumidores legítimos.
Golpistas usam IA para conseguir reembolso de lojas online

Golpistas usam IA para conseguir reembolso de lojas online
Fonte: Tecnoblog

iRobot: fabricante do Roomba entra com pedido de falência

iRobot: fabricante do Roomba entra com pedido de falência

Roomba, robô aspirador da iRobot, foi lançado em 2002 (imagem: divulgação)

Resumo

A iRobot entrou com pedido de falência e negocia venda para a fabricante chinesa Picea Robotics.
A criadora do robô aspirador Roomba enfrenta dificuldades financeiras devido a tarifas comerciais dos EUA e concorrência de marcas chinesas.
A companhia afirma que clientes não serão afetados.

A iRobot, criadora do famoso e pioneiro robô aspirador Roomba, entrou com um pedido de proteção à falência nesse domingo (14/12). A companhia norte-americana comunicou que pretende ser adquirida pela empresa chinesa Picea Robotics, atual fabricante terceirizada dos robôs. O acordo prevê a continuidade das operações sem interrupções para usuários e parceiros comerciais.

Fundada em 1990 por pesquisadores do MIT, a iRobot revolucionou o setor com o lançamento do Roomba, em 2002. Ele não foi exatamente o primeiro robô aspirador a ser lançado, mas foi o primeiro a ter sucesso comercial, tornando-se referência no mercado.

Apesar de ainda comandar 42% do mercado norte-americano e 65% no Japão, a iRobot enfrentou uma queda íngreme de receita nos últimos anos devido à concorrência de outras marcas, como a Roborock e a Ecovacs.

Por que a iRobot chegou à falência?

Segundo a Reuters, o principal golpe para a empresa veio das tarifas comerciais dos EUA: o governo estabeleceu uma cobrança de 46% sobre produtos importados do Vietnã, onde a iRobot fabricava a maior parte dos Roombas para o mercado doméstico. As taxas elevaram os custos em US$ 23 milhões apenas em 2025.

Essa medida, em paralelo à concorrência acirrada das fabricantes chinesas, forçou cortes de preços e investimentos caros em tecnologia, o que teria afetado diretamente os lucros.

Vale lembrar que, em 2022, a Amazon anunciou a aquisição da empresa por US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9,1 bilhões, na conversão atual). Porém, o acordo não foi concluído devido a investigações antitruste da União Europeia, deixando a iRobot com uma dívida de US$ 190 milhões (R$ 1 bilhão) de um empréstimo emergencial feito para manter as operações durante o impasse.

Picea Robotics deve assumir a iRobot

iRobot se tornou referência com os modelos Roomba (imagem: divulgação)

Sem caixa, a empresa atrasou pagamentos à Picea Robotics, sua principal fabricante na China. A relação estratégica foi iniciada em 2023 para desenvolver novos modelos mais competitivos.

A Picea, porém, se tornou credora majoritária ao adquirir a dívida da iRobot, deixando de ser apenas fornecedora. Como lembra a Reuters, isso fez com que a fabricante chinesa transformasse crédito em capital, assumindo 100% do controle acionário e apagando os US$ 264 milhões em dívidas (US$ 190 milhões do empréstimo e US$ 74 milhões de contas não pagas).

O que muda para os usuários do Roomba?

Segundo a empresa, nada. A iRobot garante que aplicativos, suporte técnico e programas de clientes permanecerão inalterados para seus usuários, pelo menos por enquanto. Os 274 funcionários atuais e cadeias de suprimentos globais também não sofrerão alterações imediatas.

A Picea Robotics não detalhou planos para futuros desenvolvimentos de produtos.
iRobot: fabricante do Roomba entra com pedido de falência

iRobot: fabricante do Roomba entra com pedido de falência
Fonte: Tecnoblog

Navegador promete privacidade, mas age como espião a serviço de criminosos

Navegador promete privacidade, mas age como espião a serviço de criminosos

Universe Browser tem conexões suspeitas e instala programas silenciosamente (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

Pesquisadores apontam que o navegador Universe Browser envia dados e comandos a servidores na China, Hong Kong e Taiwan.

O navegador instala extensões e programas ocultos, monitorando atividades do usuário.

Segundo a Infoblox, também há ligação do browser com o grupo Vault Viper, envolvido em crimes cibernéticos e exploração de trabalhadores.

Pesquisadores de cibersegurança descobriram que o navegador Universe Browser direciona o tráfego de internet para servidores na China, instala programas sem conhecimento do usuário, monitora o teclado e altera as conexões do dispositivo. Ironicamente, o programa se apresenta como capaz de “evitar vazamentos de privacidade” e manter os usuários “longe do perigo”.

Os achados são da empresa de segurança de redes Infoblox, que trabalhou com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) nessa tarefa. A investigação também encontrou ligações com uma rede de crimes cibernéticos do Sudeste Asiático, que envolve lavagem de dinheiro, jogos de azar ilegais, tráfico humano e trabalhos forçados.

O que o Universe Browser faz no seu computador?

O navegador tem versões para Windows e Android, distribuídas por download direto, além de estar disponível para iOS na App Store da Apple.

Usando engenharia reversa na versão do Universe Browser para Windows, os pesquisadores encontraram diversas ferramentas similares às presentes em malware, além de técnicas para fugir da detecção de antivírus.

Universe Browser imita o Chrome, mas bloqueia vários recursos (imagem: reprodução/Infoblox)

Um desses comportamentos é obter imediatamente a localização do usuário, idioma usado e se o programa está rodando em uma máquina virtual. Depois disso, ele espera algum tempo antes de se conectar a endereços de IP na China, em Hong Kong e em Taiwan. Esses endereços são ligados ao grupo criminoso por trás do navegador, conhecido como Vault Viper.

O browser imita o Google Chrome, mas ferramentas de desenvolvedor e configurações ficam inacessíveis para o usuário — nem mesmo o clique com o botão direito do mouse funciona.

O Universe Browser também instala vários programas persistentes que rodam silenciosamente em segundo plano. Além disso, duas extensões acompanham o pacote. Uma serve para enviar prints para um domínio ligado aos criminosos. A outra, de acordo com a análise da Infoblox, serve para detectar se o usuário está navegando em algum site de jogos de azar ligado ao Vault Viper.

O que os criminosos pretendem com o navegador?

A Infoblox observou que o Universe Browser é anunciado em sites ligados a uma mesma empresa desenvolvedora de jogos para cassinos online, que estaria ligada ao grupo Vault Viper.

Navegador busca atrair jogadores (imagem: reprodução/Infoblox)

O atrativo usado é a capacidade de driblar restrições impostas por países asiáticos a jogos de azar pela internet. “Cada site de cassino operado [pelo grupo] tem um link e uma propaganda [para o Universe Browser]”, diz Maël Le Touz, da Infoblox, em entrevista à Wired.

Os pesquisadores acreditam que esses sejam os alvos dos agentes maliciosos. “Este navegador poderia servir como uma ferramenta perfeita para identificar jogadores ricos e obter acesso a suas máquinas”, diz o relatório da companhia.

Ao longo dos últimos anos, o Vault Viper também esteve relacionado com grupos criminosos que recrutaram centenas de milhares de pessoas de mais de 60 países, forçando-as a trabalhar em “fábricas de golpes” no Sudeste Asiático, em países como Mianmar, Laos e Camboja. Parte desses golpes consiste justamente em atrair interessados em jogos de azar para extorquir dinheiro deles.
Navegador promete privacidade, mas age como espião a serviço de criminosos

Navegador promete privacidade, mas age como espião a serviço de criminosos
Fonte: Tecnoblog

Robot Phone: Honor revela celular com braço mecânico que se move sozinho

Robot Phone: Honor revela celular com braço mecânico que se move sozinho

Robot Phone tem braço mecânico autônomo (imagem: reprodução/Honor)

Resumo

A Honor revelou o conceito do Robot Phone, celular com câmera robótica e um braço mecânico autônomo, que se movimenta com ajuda de IA.
Mais detalhes devem ser divulgados no MWC 2026, em fevereiro, mas ainda não há data de lançamento.
A fabricante chinesa tem investido no “Plano Alpha”, voltado a dispositivos inteligentes com IA e funções quase autônomas.

A Honor surpreendeu ao apresentar, logo após o lançamento dos novos celulares Magic 8 na China, um conceito do que chamou de “Robot Phone”. O smartphone tem uma câmera robótica que se move com o auxílio de um pequeno braço mecânico, abrindo espaço para novas interações entre o usuário e o dispositivo.

A fabricante chinesa apenas divulgou, ontem (15/10), um vídeo conceitual do aparelho, sem mostrar um protótipo real. Mais informações sobre o projeto devem ser reveladas durante o Mobile World Congress (MWC), que ocorre em fevereiro de 2026 em Barcelona, na Espanha. Por enquanto, o celular não tem data oficial de lançamento.

Como funciona o Robot Phone?

No vídeo divulgado pela marca, o “telefone robô” aparece com um design mais espesso que o de smartphones convencionais e um módulo de câmera dividido em duas partes. Dali, um braço retrátil se estende e movimenta o sensor principal, permitindo capturar de forma automática imagens em diferentes ângulos, inclusive selfies.

Celular permite guardar todo o braço robótico (imagem: reprodução/Honor)

O mecanismo lembra o de câmeras retráteis já vistas em modelos anteriores, como o Asus Zenfone 6, lançado em 2019. Mas a proposta da Honor vai além: o braço do Robot Phone é capaz de se mover de forma autônoma, enquadrar cenas e ajustar a posição de gravação de acordo com o contexto.

Segundo o vídeo conceitual, o sistema usa inteligência artificial para agir de forma “emocional”, respondendo a estímulos e interagindo de maneira mais natural com o usuário. Em comunicado, a Honor afirma que o aparelho “vislumbra o futuro do telefone como mais do que apenas uma ferramenta”.

Honor aposta em IA e dispositivos inteligentes

Robot Phone aposta em recursos de enquadramento de câmera (imagem: reprodução/Honor)

A apresentação do Robot Phone faz parte do plano de transformação da Honor em uma empresa focada em dispositivos inteligentes baseados em IA. A fabricante anunciou recentemente o investimento de US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos para acelerar essa mudança.

Hoje, a fabricante já oferece ferramentas de inteligência artificial em seus smartphones, como recursos para encontrar ofertas personalizadas em sites de e-commerce chineses, solicitar táxis automaticamente e receber dicas de enquadramento de câmera em tempo real.

Essas iniciativas fazem parte do chamado “Plano Alpha”, visão corporativa que busca aproximar a tecnologia da interação humana. Com o Robot Phone, a Honor pretende transformar o smartphone em um assistente que aprende, responde e interage de forma quase autônoma.

Com informações do The Verge e da CNBC
Robot Phone: Honor revela celular com braço mecânico que se move sozinho

Robot Phone: Honor revela celular com braço mecânico que se move sozinho
Fonte: Tecnoblog

Na China, banheiros públicos mostram anúncios para liberar papel higiênico

Na China, banheiros públicos mostram anúncios para liberar papel higiênico

Tecnologia foi adotada para reduzir desperdício (imagem: reprodução/China Insider)

Resumo

Banheiros públicos na China adotaram dispensadores inteligentes que exibem anúncios ou exigem pagamento digital para liberar papel higiênico.
Medida faz parte da “revolução dos banheiros”, medida do governo que busca modernizar instalações e reduzir desperdício de papel.
Programa do governo foi uma resposta direta ao aumento do turismo doméstico no país.

Uma nova geração de dispensadores “inteligentes” de papel higiênico está chamando a atenção em banheiros públicos na China. A novidade exige que os usuários assistam a anúncios em vídeo ou efetuem um pagamento digital antes de liberar o insumo, tão importante em momentos de necessidade.

A medida, adotada para controlar o desperdício e modernizar as instalações sanitárias do país, ganhou espaço na mídia estrangeira após um vídeo que circula nas redes sociais mostrar o inusitado sistema.

Como funciona o processo?

Os usuários precisam escanear um QR code com o celular para ativar as máquinas. Após a leitura do código, o cidadão é obrigado a visualizar um breve anúncio publicitário ou a pagar uma taxa de 0,5 yuan (aproximadamente R$ 0,40) para obter uma única folha de papel.

Segundo autoridades chinesas, o sistema foi implementado porque algumas pessoas pegavam quantidades excessivas de papel higiênico quando ainda era oferecido gratuitamente.

A ideia gerou debate. Críticos apontam para uma falha logística fundamental: um indivíduo sem um smartphone, com a bateria do aparelho descarregada ou sem acesso a métodos de pagamento digital ficaria incapacitado de obter papel higiênico, por exemplo.

O portal China Insider divulgou um vídeo que mostra como o sistema funciona na prática:

Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por China Insider (@chinainsider)

China aposta em “revolução dos banheiros”

Este sistema, no entanto, não é uma novidade isolada, mas sim uma evolução de outras medidas tecnológicas aplicadas ao longo de quase uma década. A iniciativa faz parte de um programa apelidado de “revolução dos banheiros”, lançado pelo governo para melhorar a qualidade e a gestão das instalações sanitárias em todo o país, especialmente em pontos turísticos.

Em 2017, o portal CBC noticiou a instalação dos primeiros dispensadores de alta tecnologia no Templo do Céu, um ponto turístico de 600 anos em Pequim, com uso de reconhecimento facial. Para combater o furto de rolos inteiros de papel, as máquinas escaneavam o rosto do usuário e liberavam uma tira padronizada de 60 centímetros. O mesmo indivíduo só poderia fazer uma nova retirada após um intervalo de nove minutos.

Dois anos depois, em 2019, o sistema foi atualizado para ampliar o tempo de espera entre as retiradas para dez minutos por pessoa, numa tentativa de refinar o controle sobre o consumo. A transição para o modelo atual, baseado em anúncios e micropagamentos, substitui a biometria pela interação com o smartphone do usuário.

Dispensador “inteligente” instalado em um banheiro público chinês (imagem: reprodução/Reddit)

A “revolução dos banheiros” foi uma resposta direta ao aumento do turismo doméstico na China e à crescente demanda do público por instalações de melhor qualidade. Historicamente, muitos banheiros públicos em locais turísticos eram conhecidos por suas condições precárias.

Além do controle sobre o uso do papel, a tal modernização inclui outras medidas, como a substituição gradual de vasos sanitários de cócoras por modelos de estilo ocidental. Há ainda o teste com novas instalações. Em Xangai, por exemplo, foi inaugurado um banheiro público de gênero neutro para otimizar o fluxo e reduzir filas.

Com informações de Oddity Central, CBC, Reddit e China Insider
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Fonte: Tecnoblog