Samsung vai ampliar produção de DRAM para frear chips chineses

Samsung vai ampliar produção de DRAM para frear chips chineses

Produção final de DRAMs da Samsung será centralizada (imagem: divulgação/Samsung)

Resumo

Samsung deve ampliar a produção de DRAM em 15% até o fim do ano para atender à alta demanda de clientes como a Apple.
O objetivo seria evitar o avanço de negociações com empresas chinesas, como a CXMT.
A fabricante deve centralizar as etapas de fabricação de DRAM no campus de Hwaseong, na Coreia do Sul, reduzindo a dependência de transporte interno.

A Samsung criou uma força-tarefa para reorganizar sua produção de memórias DRAM no campus de Hwaseong, conhecido como H1, e elevar a capacidade de fabricação em cerca de 15% até o fim do ano. O complexo na Coreia do Sul estava desativado desde que a empresa descontinuou antigas linhas de memória LPDDR4.

O espaço servirá para a instalação de uma nova etapa final de produção dos wafers de memória, de acordo com o jornal sul-coreano SE Daily.

Com a aceleração dos envios, a empresa tenta responder à alta demanda de clientes do mercado de eletrônicos, como a Apple, e evitar o avanço das negociações de companhias ocidentais com novas opções chinesas, incluindo, principalmente, a CXMT.

Samsung deve centralizar produção

Companhia expandirá finalização de chips em complexo desativado (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Até então, a produção de DRAM da companhia era dividida entre diferentes unidades:

Processamento inicial no Complexo 1 de Hwaseong

Etapa final entre o Complexo 2 de Hwaseong e o campus de Cheonan

O modelo criava uma dependência maior de transporte interno entre cidades e complexos industriais, aumentando o tempo de fabricação. Com a reestruturação, as etapas devem ser concentradas no campus de Hwaseong, segundo o jornal.

A iniciativa é conduzida por Jun Young-hyun, chefe da divisão de semicondutores da Samsung.

Preços seguem em alta

A tentativa de ampliação ocorre em um momento de forte pressão no mercado global de memórias, dominado pelo trio Samsung, SK Hynix e Micron. Com a demanda por infraestrutura de inteligência artificial sendo priorizada pelas fabricantes de chips, o mercado de eletrônicos básicos passou a negociar memórias DRAM convencionais a preços mais altos.

Os preços dos componentes subiram de 80% a 90% no início de 2026, em comparação com o final do ano passado, segundo um relatório da consultoria Counterpoint Research. Para o consumidor final, isso significou uma alta em aparelhos como smartphones, notebooks e videogames.

Desde o final ano passado, fabricantes como a Samsung, Lenovo e Dell já anunciavam o repasse dos custos para os produtos em 2026 – e isso não deve acabar antes de 2028.

A remessa de smartphones caiu para o pior nível desde 2013, e a Qualcomm, fabricante dos famosos chips Snapdragon, já prevê um novo reajuste que deve impactar ainda mais os preços nas lojas.

China conquista espaço

Memórias LPDDR5X da CXMT (imagem: reprodução/CXMT)

A pressão sobre a oferta levou empresas como a Apple a avaliarem a compra de memórias de fabricantes chinesas, como a CXMT. Segundo a imprensa estadunidense, a gigante de Cupertino teria recorrido a autoridades dos EUA para obter autorização e usar os componentes em dispositivos fora do mercado local.

De acordo com o Wall Street Journal, players ocidentais, como a estadunidense Micron, se opuseram aos movimentos da companhia pelos produtos da CXMT.

A CXMT, que se dedica à fabricação de memórias DRAM, realizou sua oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa de Xangai na semana passada, e rapidamente alcançou uma valorização de cerca de 470% nos papéis.

A empresa já faz parte dos planos da China para crescer no mercado de memória, conseguindo uma fatia de cerca de 8% do setor em 2025, podendo chegar a 11% em 2028, segundo dados da Counterpoint Research citados pela AP News.

Samsung vai ampliar produção de DRAM para frear chips chineses

Samsung vai ampliar produção de DRAM para frear chips chineses
Fonte: Tecnoblog