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Snapchat é acusado de estimular vício em redes e fecha acordo nos EUA

Snapchat é acusado de estimular vício em redes e fecha acordo nos EUA

Snap conseguiu o acordo antes do início do julgamento em Los Angeles (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Resumo

A empresa Snap, dona do Snapchat, fechou acordo em processo nos EUA sobre vício em redes sociais.
O julgamento testa a tese de que redes sociais são produtos “defeituosos” e podem ser responsabilizadas por danos pessoais.
A Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações é central no debate sobre a responsabilidade das plataformas.
Meta, TikTok e YouTube seguem no caso.

A empresa controladora do Snapchat fechou um acordo em um processo que acusa grandes plataformas digitais de incentivarem o vício em redes sociais. O acerto foi anunciado poucos dias antes do início do julgamento em Los Angeles, que é considerado o primeiro do tipo a avançar para a fase de júri nos Estados Unidos.

Embora o Snapchat já não tenha a mesma relevância no Brasil, o caso chama atenção por envolver também Meta, TikTok e YouTube, que permanecem como rés no processo. Não se sabe quanto será pago pois os termos do acordo com a empresa Snap não foram divulgados. Ela não será mais processada nesta ação específica.

Em nota enviada à BBC após a audiência na Suprema Corte da Califórnia, a Snap afirmou que as partes ficaram “satisfeitas por terem conseguido resolver este assunto de maneira amigável”.

Por que é um processo histórico?

A ação foi movida por uma jovem identificada pelas iniciais K.G.M., hoje com 19 anos. Ela alega que se tornou dependente de aplicativos de redes sociais ainda na adolescência e que isso teve impactos diretos sobre sua saúde mental. Segundo a acusação, escolhas de design e funcionamento dos algoritmos teriam sido determinantes para o uso compulsivo.

Este é o primeiro de vários processos semelhantes que devem chegar a julgamento ao longo do ano nos Estados Unidos. A estratégia jurídica lembra a adotada décadas atrás contra a indústria do tabaco, com milhares de adolescentes, distritos escolares e procuradores estaduais acusando empresas de tecnologia de causar danos pessoais e sociais.

Os autores das ações afirmam que recursos como rolagem infinita, reprodução automática de vídeos e sistemas de recomendação foram projetados para manter usuários engajados por longos períodos, contribuindo para quadros de depressão, transtornos alimentares e automutilação.

O que ainda está em jogo?

Meta, TikTok e YouTube permanecem como rés no processo (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Como não houve acordo com as outras rés, o julgamento seguirá contra Meta, TikTok e YouTube, com a seleção do júri prevista para a próxima segunda-feira (27 de janeiro. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, deve depor. Antes do acordo, o CEO da Snap, Evan Spiegel, também estava listado como testemunha.

Os casos são acompanhados de perto porque testam uma nova tese jurídica: a de que plataformas de redes sociais seriam produtos “defeituosos” e, portanto, passíveis de responsabilização por danos pessoais. As empresas, por sua vez, argumentam que não há comprovação científica de um elo direto entre uso de redes sociais e vício, além de sustentarem que as ações violam proteções legais ligadas à liberdade de expressão.

Outro ponto central do embate envolve a Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações, de 1996, historicamente usada pelas big techs para se proteger de responsabilidades legais. Os autores das ações afirmam que o problema não está no conteúdo publicado por terceiros, mas na forma como as plataformas são estruturadas para incentivar o uso excessivo.

Mesmo fora deste julgamento específico, a Snap segue como ré em outros processos semelhantes, que podem redefinir os limites de responsabilidade das empresas de tecnologia.
Snapchat é acusado de estimular vício em redes e fecha acordo nos EUA

Snapchat é acusado de estimular vício em redes e fecha acordo nos EUA
Fonte: Tecnoblog

O Facebook quer que a gente volte a cutucar

O Facebook quer que a gente volte a cutucar

“Cutucar” ganha nova chance de gerar mais interações entre amigos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

O Facebook reintroduziu o botão de cutucar, desta vez com contagem de interações e ícones para engajar usuários jovens
A Meta busca aproximar o recurso de elementos de gamificação populares em aplicativos como Snapchat e TikTok
A estratégia visa aumentar a relevância do Facebook entre a Geração Z, que tem migrado para outras plataformas

O “cutucar” nunca chegou a ser oficialmente removido do Facebook, mas estava esquecido pela maioria dos usuários. Agora, a Meta resolveu dar uma nova chance ao recurso, trazendo-o de volta ao centro da experiência na plataforma. O botão de cutucar aparece em perfis de amigos e gera uma notificação para quem recebe a interação.

Além disso, foi criada uma página especial onde os usuários podem acompanhar quem os cutucou, encontrar novos amigos para cutucar e ver sua “contagem de cutucadas”. Esse número aumenta conforme as interações se repetem e pode ser descartado caso a pessoa não queira responder.

Por que o Facebook reviveu o botão de cutucar?

Segundo a Meta, a decisão se baseia no comportamento dos usuários mais jovens. A empresa acredita que o modelo pode se aproximar de elementos de gamificação populares em aplicativos como Snapchat e TikTok, que mantêm o público engajado por meio de mecanismos de repetição, como os streaks.

Para estimular a mesma lógica, o Facebook está adicionando ícones que aparecem conforme a contagem de cutucadas aumenta — como os emoji de fogo e de número 100. A ideia é transformar o simples gesto em uma dinâmica contínua, capaz de gerar mais interações entre amigos.

Vale lembrar que a plataforma já havia feito testes em 2024 para tornar o cutucar mais acessível. Só essa mudança resultou em um aumento de 13 vezes no número de cutucadas no mês seguinte, segundo a própria Meta.

Meta dá nova chance ao recurso “cutucar” (imagem: divulgação)

Tendência entre os jovens?

Apesar de o recurso ser considerado uma marca registrada dos primeiros anos da rede social, o cutucar nunca teve uma definição clara. Ele sempre ficou aberto à interpretação da pessoa: poderia ser um gesto de flerte, uma forma de chamar atenção ou uma maneira de provocar alguém. Agora, com a estratégia de gamificação, a Meta espera dar a ele um novo fôlego.

Especialistas lembram que esse tipo de mecânica já foi alvo de críticas no passado, especialmente quando associada a públicos mais jovens. Pesquisadores como Jonathan Haidt, autor de “The Anxious Generation”, destacam que recursos como os streaks do Snapchat têm natureza viciante e foram alvo de investigações regulatórias nos EUA.

A tentativa da Meta de reviver o cutucar também dialoga com um desafio maior: manter a relevância do Facebook entre usuários da chamada Geração Z. Apesar de seguir como uma das principais fontes de receita da companhia, a plataforma tem perdido espaço entre este público, principalmente nos Estados Unidos.
O Facebook quer que a gente volte a cutucar

O Facebook quer que a gente volte a cutucar
Fonte: Tecnoblog

O que é o Snapchat? Saiba como funciona o app que inspirou o Instagram Stories

O que é o Snapchat? Saiba como funciona o app que inspirou o Instagram Stories

Saiba o que é o Snapchat e seus recursos (Imagem: Lupa Charleaux/Tecnoblog)

O Snapchat é mais do que somente um aplicativo para publicar fotos e vídeos. A rede social inovou ao introduzir o conceito de “conteúdos temporários”, que desaparecem automaticamente após 24 horas.

A plataforma também se destaca pelos filtros exclusivos que permitem personalizar cada Snap. O recurso conquistou a atenção do público mais jovem, incentivando o compartilhamento de momentos autênticos e do dia a dia de forma mais espontânea.

Vale dizer que a ideia dos Stories, que se popularizou no Instagram, foi inspirada no recurso disponível no Snapchat desde 2013. Lembrando que os conteúdos que expiram após 24 horas chegaram à rede social da Meta apenas em 2016.

Descubra mais sobre o Snapchat, seus recursos do app e a empresa por trás da rede social.

ÍndiceO que é o Snapchat?O que significa Snapchat?Quem é a empresa por trás do Snapchat?Como funciona o Snapchat?Como usar o Snapchat?Quais são os recursos do Snapchat?O Snapchat é gratuito?Qual a relação do Snapchat com o Instagram?

O que é o Snapchat?

O Snapchat é um aplicativo de mídia social, lançado em 2011, que permite compartilhar fotos e vídeos que desaparecem após serem visualizados. O app conquistou a atenção do público jovem, que buscava formas de se expressar de forma mais espontânea e privada.

Um dos atrativos do Snapchat são os filtros que possibilitam que os usuários criem conteúdos criativos e divertidos. Além disso, a ferramenta Stories permite compartilhar sequências de fotos e vídeos que ficam disponíveis no ar por somente 24 horas.

O aplicativo, disponível para celulares Android, iOS e PC, ainda traz outras funções em uma interface intuitiva. Por exemplo, se conectar a amigos, celebridades e influenciadores, envio de mensagens diretas e uma área de descoberta de novos Snaps.

O que significa Snapchat?

Snapchat é a união das palavras snap (que significa algo repentino e o som do obturador de uma câmera fotográfica, em inglês) e chat (conversa ou bate-papo, em inglês). O nome reflete a proposta da rede social de oferecer interações rápidas por meio de imagens que desaparecem em pouco tempo.

Os filtros são um dos principais destaques do Snapchat (Imagem: Reprodução/Snapchat)

Quem é a empresa por trás do Snapchat?

O Snapchat é uma rede social desenvolvida pela Snap Inc, empresa fundada por Evan Spiegel e Bobby Murphy em 2011. A companhia de tecnologia, inicialmente chamada Snapchat Inc, adotou o atual nome a partir de 2016.

Embora seja conhecida como a empresa por trás do Snapchat, a Snap Inc se define como uma marca de câmeras. Conforme a própria descrição da companhia, o objetivo é “reinventar os equipamentos fotográficos e melhorar como as pessoas vivem e se comunicam”.

Além do Snapchat, a Snap Inc detém outras empresas e investe em projetos de tecnologia:

Bitmoji: aplicativo para criação de emojis e avatares personalizados;

Zenly: app de compartilhamento de localização com amigos e parentes;

Spectacles: marca especializada em óculos inteligentes e de realidade aumentada criada a aquisição da Vergence Labs em 2016;

Pixy: drone compacto criado para registrar selfies no Snapchat. Lançado em abril de 2022, o produto foi descontinuado apenas quatro meses após a estreia no mercado.

Como funciona o Snapchat?

O Snapchat é uma rede social focada em compartilhar momentos do dia a dia de forma rápida e divertida. É possível usar fotos e vídeos, chamados de Snaps, adicionar filtros e criar conteúdos criativos e personalizados.

Ao contrário de grande parte das redes sociais, os Snaps desaparecem após serem visualizados por outros usuários ou após 24 horas, se adicionados aos Stories. Essa característica transforma o app em um espaço para interações mais espontâneas e autênticas.

Aba “Holofote” do Snapchat apresenta os conteúdos mais populares na rede social (Imagem: Reprodução/Snapchat)

Como usar o Snapchat?

Para usar o Snapchat, você precisa ter uma conta grátis vinculada ao seu e-mail ou número de telefone. Assim, é possível acessar a rede social e acompanhar as publicações de amigos, marcas, influenciadores e outros perfis.

Você também pode criar fotos e vídeos curtos, os Snaps, adicionar filtros e compartilhar nos Stories para que a exibição expire após 24 horas. Além disso, é possível explorar os recursos Mapa de Snaps e Holofote para encontrar novos conteúdos.

Quais são os recursos do Snapchat?

O Snapchat oferece uma grande variedade de recursos aos usuários. Conheça os principais:

Snaps: fotos ou vídeos enviados diretamente para amigos ou compartilhados no Stories que expiram após a visualização ou depois de 24 horas. A função permite usar filtros e outros elementos de edição;

Stories: linha do tempo com os Snaps compartilhados pelos perfis que você segue na rede social;

Bitmoji: avatar animado totalmente personalizável que representa os usuários do Snapchat em vez de uma foto de perfil;

Holofote: seleção de Stories populares produzidos por outros usuários, marcas e influenciadores;

Mapa de Snaps: ferramenta em que os usuários usam Snaps para compartilhar a localização;

Geofiltros: filtros especiais baseados na local em que a pessoa realiza os Snaps;

Chat: espaço para troca de mensagens de texto, voz e vídeo com outros usuários ou grupos;

Snapchat AI: chatbot baseado no ChatGPT incorporado ao espaço Chat, usado para orientar o usuário com uma experiência personalizada;

Memórias: recurso que permite que os usuários salvem seus Snaps e Stories para ver ou compartilhar em outro momento, podendo organizar os conteúdos em álbuns.

Snapchat possui um chatbot baseado no ChatGPT na área Chat do aplicativo (Imagem: Reprodução/Snapchat)

O Snapchat é gratuito?

Sim, o Snapchat é gratuito para todos os usuários. A versão básica oferece uma ampla gama de recursos, como a possibilidade de enviar fotos e vídeos que expiram após 24 horas, adicionar filtros às imagens e conversas com amigos.

A rede social possui uma assinatura premium chamada Snapchat Plus. O plano pago dá acesso a recursos exclusivos, como maior personalização do app, filtros especiais, ferramentas de métricas e acesso antecipado a novos recursos.

Qual a relação do Snapchat com o Instagram?

O Snapchat foi a rede social pioneira no compartilhamento de conteúdos temporários. Por exemplo, a função Stories, que permite que fotos e vídeos desapareçam após 24 horas, foi lançada pela plataforma em 2013.

Essa característica atraiu a atenção de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, que tentou adquirir a Snap Inc em 2013, mas a proposta foi rejeitada. Desde então, o Instagram passou a implementar recursos semelhantes ao Snapchat, como o Instagram Stories em 2016.

A estreia dos Stories no Instagram, por exemplo, gerou um debate sobre a originalidade do recurso. Alguns especialistas acusaram a Meta de “copiar” o Snapchat, outros citam a ideia de que a funcionalidade seria uma forma de validar o sucesso do conceito do rival.
O que é o Snapchat? Saiba como funciona o app que inspirou o Instagram Stories

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Fonte: Tecnoblog

Humor dos Gen Z é influenciado pela quantidade de likes

Humor dos Gen Z é influenciado pela quantidade de likes

Engajamento das redes sociais influencia fortemente no humor de jovens adultos e adolescentes (Imagem: Stacey MacNaught/Flickr)

A Universidade de Amsterdã publicou um estudo no qual aponta que a Geração Z é mais impactada pelas curtidas recebidas nas redes sociais. Segundo a pesquisa, o humor e as relações desse público são influenciados pelo seu “desempenho” nas plataformas. A universidade afirma que este estudo é o primeiro do tipo a usar dados reais das redes para avaliar o impacto de curtidas no comportamento dos usuários.

A pesquisa foi publicada na revista científica Science Advances e foi realizado pelo departamento de psicologia da Universidade de Amsterdã. Ainda que inédito pelo fato de usar dados reais de redes sociais, o estudo tem pontos em comum com uma pesquisa interna da Meta vazada em 2022.

Essa pesquisa da Meta mostrou que a empresa (à época ainda chamada de Facebook Inc.) sabia dos riscos do Instagram na saúde mental de adolescentes. Em comum, os estudos mostram que a presença digital pode causar ansiedade nesse público e em jovens adultos (18 a 24 anos).

Como o impacto das curtidas é percebido nas redes sociais?

Entre os cálculos usados pelos autores da pesquisa para medir o impacto das curtidas está o tempo entre publicações após avaliar o desempenho da postagem anterior. Os resultados apontam que quanto menos likes um post recebe, maior é o tempo que leva para o usuário publicar novamente.

O estudo usou experimentos controlados, nos quais usuários adultos, jovens adultos e adolescentes deveriam postar uma imagem e rolar pelo feed por um determinado tempo. Acabado esse período, eles poderiam visualizar o engajamento do post.

Gráfico B mostra flutação de humor com engajamento nas redes sociais; linha roxa mostra resultado de adolescentes (Imagem: Divulgação/Universidade de Amsterdão)

Tanto adultos quanto adolescentes apresentaram variações de humor com menos engajamento nas publicações. Contudo, as variações eram maiores com os adolescentes.

A pesquisa também realizou exames de ressonância magnética com jovens adultos para entender as áreas do cérebro ligadas ao feedback social — além de fornecer um questionário para que eles autoavaliassem sua ansiedade e comportamento nas redes sociais.

A ressonância magnética mostrou que indivíduos com a amígdala cerebral mais volumosa são mais sensíveis ao engajamento das suas publicações. Isso pode responder como alguns indivíduos são mais impactados pelas curtidas e outros não.

Na conclusão, o estudo aponta que o atual formato das redes sociais, de quantificar o feedback social com base em curtidas, é mais prejudicial para jovens. De modo parecido, a pesquisa da Meta citada anteriormente indica que adolescentes se sentem mais ansiosos e depressivos por conta do Instagram — uma plataforma fortemente dependente de curtidas e imagens positivas.

Com informações: Universidade de Amsterdã e UOL
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Fonte: Tecnoblog