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O que são semicondutores? Conheça a matéria-prima dos chips

O que são semicondutores? Conheça a matéria-prima dos chips

Semicondutores estão presentes em praticamente todos os chips do mundo moderno (Imagem: Maxence Pira/Unsplash)

Semicondutores são materiais com capacidade elétrica intermediária e que podem controlar o fluxo da corrente. Eles são usados como matéria-prima para a produção de chips e, por conta disso, é comum atribuir “semicondutores” como sinônimo de “chips”.

Existem dois tipos de semicondutores: os intrínsecos e os extrínsecos. O primeiro se refere ao estado puro dos semicondutores, como silício (Si) e carbono (C). Já o segundo envolve semicondutores puros que foram misturados com outros elementos para aumentar a taxa de condutividade.

A principal função dos semicondutores é de controlar o fluxo de corrente em circuitos integrados. Esse controle gera instruções binárias, e permite que chips se comuniquem com outros hardwares e executem tarefas.

A seguir, entenda o que são semicondutores e qual é a importância desses materiais para o mercado.

ÍndiceO que são semicondutores?Para que servem os semicondutores?Quais são os tipos de semicondutores?Semicondutores intrínsecosSemicondutores extrínsecosComo os semicondutores se transformam em chipsQuais são as principais fabricantes de semicondutores?Qual é a importância dos semicondutores para o mercado tecnológico?Qual é a diferença entre semicondutores e chips?Qual é a diferença entre semicondutores e supercondutores?

O que são semicondutores?

Semicondutores são materiais com capacidade de controlar eletricidade, intermediando o fluxo de corrente elétrica entre condutores e isolantes. Devido à essa natureza, os semicondutores são usados como matérias-primas na composição de praticamente todos os chips modernos e circuitos integrados.

Os semicondutores também costumam ser usados como sinônimos de chips. Logo, é importante entender o contexto para saber se a pauta está se referindo às matérias-primas (como silício e carbono, por exemplo) ou ao produto final (como os chips).

Para que servem os semicondutores?

Os semicondutores têm a função de controlar a corrente elétrica entre pontos de passagem ou isolamento em um circuito. Esse controle de fluxo gera instruções binárias para os sistemas o que, consequentemente, habilita a comunicação e execução de tarefas pelo hardware, e o bom funcionamento do sistema.

Para facilitar o entendimento, pense que os semicondutores atuam de forma similar a um semáforo: eles controlam o fluxo de corrente elétrica (os carros, na analogia) de um chip ou placa de circuito impressa (rodovia), por exemplo. E tudo isso em proporções nanométricas.

Quais são os tipos de semicondutores?

Os semicondutores podem ser divididos em duas categorias, dependendo da forma com que são manipulados. Confira abaixo os dois tipos desses materiais condutores.

Semicondutores intrínsecos

Semicondutores intrínsecos são semicondutores feitos de materiais puros, como silício (Si), carbono (C) ou germânio (Ge). Matérias-primas desse tipo costumam ter níveis mais baixos de condutividade elétrica e estabilidade térmica, porque suas propriedades dependem exclusivamente da natureza química dos elementos.

Semicondutores extrínsecos

Semicondutores extrínsecos são semicondutores compostos por impurezas, ou seja, materiais puros que foram misturados com outros elementos químicos — processo conhecido como doping. A dopagem altera a estrutura atômica da matéria e aumenta a condutividade dos semicondutores, tornando-os mais eficientes do que a “versão intrínseca”.

Como os semicondutores se transformam em chips

Primeiramente, engenheiros pegam os projetos digitais dos chips e os transformam em modelos de vidro, chamados de máscaras. As máscaras funcionam como uma espécie de esboço do circuito, e são enviadas para as fábricas para o início da produção.

Depois, é preciso preparar os semicondutores. Como exemplo, o silício é extraído da areia e passa por vários processos de refinamento para atingir um alto nível de pureza. Posteriormente, os cristais de silício são derretidos e recristalizados em uma peça única, que é fatiada em discos finos, conhecidos como wafer.

Ilustração de disco de wafer (Imagem: Reprodução/台積創新館 TSMC Museum of Innovation)

A partir das máscaras criadas no início da cadeia, máquinas de fotolitografia definem os padrões da estrutura de transistores e imprimem os circuitos no wafer com luz. Esse processo pode ser repetido várias vezes, dependendo da quantidade de máscaras necessárias para o chip. E cada disco de wafer é capaz de gerar centenas ou milhares de chips minúsculos.

Processo de fotolitografia imprime os padrões do chip no wafer (Imagem: Reprodução/台積創新館 TSMC Museum of Innovation)

Paralelamente ao processo de fotolitografia, os engenheiros também realizam a dopagem do semicondutor em várias etapas. A ideia é que a adição de impurezas aumente a condutividade do semicondutor puro, permitindo que ele atinja os parâmetros do projeto digital.

Por fim, os wafers são cortados com serras de diamante e formam milhares de retângulos individuais, que é o que conhecemos como chips. E após serem aprovados nos testes, os chips são enviados para as fabricantes de dispositivos eletrônicos e incorporados ao produto final.

Quais são as principais fabricantes de semicondutores?

O mercado de fabricantes de semicondutores é concentrado em poucas empresas que dominam o setor. E dentre as principais fabricantes estão:

Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC): maior fabricante de semicondutores do mundo, que fabrica chips para gigantes globais como Apple, Nvidia e Samsung.

Samsung Electronics: a empresa sul-coreana também está entre as maiores fabricantes de semicondutores, produzindo chips próprios e para outras empresas.

Intel Corporation: a companhia estadunidense também fabrica chips para a própria marca e para outras empresas, como o Google.

GlobalFoundries Inc: empresa estadunidense que produz chips para terceiros, de diferentes segmentos.

Vale destacar que cerca de 90% da produção de semicondutores é concentrada em Taiwan, e grande parte dessa demanda é absorvida pela TSMC. No entanto, o país também conta com foundries menores — como a United Microelectronics Corporation (UMC) — que costumam ter menos visibilidade.

O Brasil produz semicondutores?

Sim, apesar de participação tímida a níveis globais. Chipus Microelectronics, CEITEC e HT Micron são algumas das poucas fabricantes brasileiras de semicondutores.

O Brasil é um player forte em etapas como encapsulamento e testes na cadeia de semicondutores, mas ainda avança para ampliar sua participação produtiva.

Qual é a importância dos semicondutores para o mercado tecnológico?

O setor de semicondutores tem um papel fundamental para o abastecimento do mercado e desenvolvimento tecnológico.

Basta pensarmos que os smartphones, computadores e outros eletrônicos que usamos no dia a dia dependem de chips. E os chips só existem graças aos semicondutores, que determinam onde a corrente elétrica vai passar (ou não) no circuito e habilitam a comunicação e funcionamento de processadores e outros hardwares.

Além disso, os avanços do setor de semicondutores permitem a criação de chips cada vez menores e mais finos. E isso também estimula o desenvolvimento tecnológico como um todo, com pesquisas e novas tecnologias para produtos ainda mais compactos.

Sem semicondutores, não há chips (Imagem: Maxence Pira/Unsplash)

Em resumo: o mundo moderno não seria como hoje se não fossem os semicondutores, já que praticamente todos os eletrônicos de consumo que usamos dependem de chips.

E é por isso que quando há uma crise no segmento de semicondutores, praticamente todas as áreas são afetadas: as prateleiras das lojas de smartphones e computadores ficam mais vazias, montadoras brecam a produção de automóveis, e a cadeia de eletrodomésticos também fica comprometida.

Qual é a diferença entre semicondutores e chips?

Semicondutores são materiais usados na composição de chips e circuitos para controle de energia. Em uma cadeia industrial, os semicondutores estariam no primeiro estágio, já que são usados como matéria-prima.

Já os chips são pequenos componentes de hardware formados por semicondutores, transistores e interconexões. Se os semicondutores são a matéria-prima, os chips são os produtos finais nessa analogia.

Qual é a diferença entre semicondutores e supercondutores?

Semicondutores têm condutividade elétrica intermediária e permitem o controle do fluxo da corrente. Já supercondutores podem apresentar resistência elétrica nula em determinadas condições, e costumam ser usados em sistemas mais complexos e potentes para evitar perda de energia.
O que são semicondutores? Conheça a matéria-prima dos chips

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Fonte: Tecnoblog

Celulares com 3 ou 2 nanômetros vão se espalhar, prevê consultoria

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Transição liderada por gigantes como Apple, Qualcomm e MediaTek marca um novo patamar da indústria (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

Chips de 3 e 2 nm devem representar um terço dos SoCs móveis até 2026
Apple lançou o A17 Pro em 2023 com litografia de 3 nm da TSMC
Samsung e Apple já vendem celulares com chips de 3 nm no Brasil

A indústria de semicondutores para smartphones está acelerando a mudança para tecnologias de fabricação mais avançadas. A previsão é que os processos de 3 nanômetros (nm) e 2 nm respondam juntos por um terço de todos os chips (SoCs) de celulares comercializados até 2026.

A projeção foi divulgada pela consultoria Counterpoint Research e indica uma corrida tecnológica motivada pela crescente demanda por recursos de inteligência artificial (IA) nos aparelhos, jogos imersivos e maior eficiência energética.

Litografia dos smartphones a partir de 2024 (imagem: reprodução/Counterpoint Research)

Afinal, qual a importância da tecnologia de 3 nm?

A importância da litografia de 3 nm reside na capacidade de aumentar a densidade de transistores em um chip. Funciona assim: quanto menor a litografia, mais transistores podem ser alocados no mesmo espaço, resultando em processadores mais rápidos, potentes e eficientes no consumo de energia.

Imagine que o processador do seu celular é um motor. Os transistores são as peças que fazem esse motor funcionar. A tecnologia de 3 nanômetros permite fabricar essas peças em um tamanho minúsculo. Por serem menores, cabem muito mais delas dentro do mesmo motor. O resultado é mais potência, e, surpreendentemente, mais eficiência.

Para o consumidor, isso resulta numa bateria que dura mais longe da tomada e num dispositivo capaz de executar aplicativos de IA complexos.

A Apple iniciou essa movimentação em 2023 ao lançar o chip A17 Pro, fabricado no processo de 3 nm da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). O componente é o coração do iPhone 15 Pro e do irmão maior, o iPhone 15 Pro Max. Seguindo a tendência, a Qualcomm e a MediaTek introduziram seus próprios chips topo de linha com a mesma litografia no ano seguinte.

Os primeiros celulares com SoC de 3 nanômetros foram o iPhone 15 Pro e Pro Max, equipados com o chip A17 Pro (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Celulares com chips de 3 nm no Brasil

A lista de celulares vendidos oficialmente no Brasil com SoCs fabricados em 3 nanômetros também cresceu. Agora, além dos modelos da Apple, a Samsung também entrou neste segmento.

iPhone 15 Pro / iPhone 15 Pro Max (2023) – chip A17 Pro

iPhone 16 Pro / iPhone 16 Pro Max (2024) – chip A18 Pro

Galaxy S25 Ultra (2025) – chip Snapdragon 8 Elite 4 for Galaxy.

A Samsung deve iniciar a adoção de chips próprios de 3 nm com o Galaxy Z Flip 7. O dobrável com previsão de lançamento para julho de 2025 pode vir equipado com o novo processador Exynos 2500.

A tecnologia de 3nm, antes era restrita a poucos modelos da Apple, tornou-se mais presente nos celulares topo de linha em 2025 (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Segundo Parv Sharma, analista sênior da Counterpoint Research, “a demanda atual por recursos complexos de IA em dispositivos é um acelerador significativo para a migração”. A análise da consultoria prevê que a corrida tecnológica não vai parar por aí: a TSMC deve iniciar a produção em massa de chips de 2 nm no segundo semestre de 2025, com os primeiros dispositivos equipados com essa tecnologia chegando ao mercado no final de 2026. Apple, Qualcomm e MediaTek devem ser as primeiras a apostar na novidade.

A Samsung Foundry, divisão da companhia responsável pela fabricação de semicondutores, surge como uma das poucas alternativas, fornecendo chips para o Google (Google Tensor) e para os próprios processadores Exynos. A expectativa é que a Samsung inicie a produção em massa de chips em 2 nm em 2026.

Com informações de Counterpoint Research
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Fonte: Tecnoblog