Tesla admite que robotáxis não são totalmente autônomos
Tesla admite que robotáxis não são totalmente autônomos
Logo da montadora de carros autônomos Tesla (Imagem: Ivan Radic/Flickr)
Resumo
A Tesla admitiu que seus robotáxis não são totalmente autônomos e que operadores podem assumir controle remotamente em situações excepcionais.
Os operadores da Tesla podem controlar os veículos a 3,2 km/h ou menos, com limite de 16 km/h em casos específicos.
O Senado dos EUA, liderado pelo senador Ed Markey, pressiona por mais transparência sobre a assistência remota e a frequência de intervenções humanas.
A Tesla admitiu que seus robotáxis não são tão independentes quanto o marketing da empresa costuma sugerir. Em carta enviada ao senador Ed Markey no dia 26/03, a companhia confirmou que operadores humanos podem assumir o controle dos veículo remotamente em situações excepcionais, quando as intervenções automáticas do sistema falham.
Os documentos, obtidos pelo portal TechSpot, revelam como a Tesla se diferencia de concorrentes como a Waymo, que afirma que seus funcionários apenas orientam o software de navegação, sem verdadeiramente assumir o volante. Os operadores da fabricante de Elon Musk, por sua vez, conseguem dirigir o carro à distância, ainda que com limitações de velocidade.
A investigação do senador Markey tenta entender como as montadoras desses carros utilizam assistência humana remota. A admissão contrasta com o discurso de autonomia total frequentemente associado à marca de Elon Musk.
Como a assistência remota funciona?
Suporte da Tesla pode assumir controle de direção de veículos (imagem: reprodução)
Segundo a empresa, os operadores, que são todos funcionários internos em centros de comando em Austin e Palo Alto, só podem assumir o controle total com o veículo a 3,2 km/h ou menos. Em casos em que o sistema de direção automatizada concede acesso direto, o limite sobe para 16 km/h.
A Waymo, por comparação, mantém cerca de 70 agentes de assistência remota nos EUA e nas Filipinas, mas apenas para sugerir rotas ou confirmar manobras, sem tomar o controle do veículo.
A Tesla lançou o serviço em Austin em junho de 2025 e opera atualmente com cerca de 50 veículos. Na prática, a maioria ainda circula com supervisores humanos, prontos para intervir fisicamente se necessário.
Desde 2015, Musk afirma que a autonomia plena é um “problema resolvido”, tendo prometido veículos totalmente independentes para 2018 e 2019 e direção autônoma nível 5 para 2021. Apesar do lançamento do FSD (Full Self-Driving) em versão beta há alguns anos, as promessas não se concretizaram.
Investigação e transparência
A revelação integra uma pressão crescente do Senado americano por mais transparência no setor. Markey criticou o fato de a Tesla e outras companhias se recusarem a divulgar com que frequência essas intervenções humanas são necessárias — omissão que, segundo o parlamentar, dificulta avaliar a real maturidade da tecnologia.
Markey trabalha em uma legislação para criar regras federais sobre a qualificação dos operadores remotos e os limites de latência nos comandos via internet. O senador também solicitou que a NHTSA, principal agência de segurança viária dos EUA, investigue as práticas de assistência remota de toda a indústria.
Tesla admite que robotáxis não são totalmente autônomos
Tesla admite que robotáxis não são totalmente autônomos
Fonte: Tecnoblog
