Meta obtém resultado robusto, mas continua perdendo bilhões com metaverso
Meta obtém resultado robusto, mas continua perdendo bilhões com metaverso
Meta planeja investir até US$ 135 bilhões em infraestrutura de IA em 2026 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
Meta registrou receita de US$ 59,8 bilhões no quarto trimestre de 2025, mas divisão Reality Labs registrou um prejuízo operacional de US$ 6 bilhões.
O resultado reflete a mudança de foco da empresa, que redirecionou investimentos para inteligência artificial e dispositivos vestíveis.
A Meta projeta gastar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em infraestrutura de IA em 2026.
A Meta divulgou nesta quarta-feira (28/01) os resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2025, revelando o contraste acentuado entre o lucro recorde da operação principal e as perdas na divisão de hardware. Enquanto a receita global da companhia subiu 24%, atingindo US$ 59,89 bilhões (aproximadamente R$ 311 bilhões), a unidade Reality Labs, responsável pelo desenvolvimento do metaverso, registrou um prejuízo operacional de US$ 6,02 bilhões (R$ 31 bilhões).
O desempenho negativo da divisão de realidade virtual (VR) e aumentada (AR) superou as estimativas mais pessimistas de Wall Street. Analistas previam um prejuízo de US$ 5,67 bilhões para o setor. Apesar do déficit, a receita do segmento foi de US$ 955 milhões, acima das expectativas de US$ 940,8 milhões. Com a atualização dos dados, o Reality Labs agora acumula perdas que somam quase US$ 80 bilhões desde o final de 2020 (R$ 415 bilhões).
A publicidade, por sua vez, continua sendo a principal força da empresa, gerando US$ 58,1 bilhões e representando 97% do faturamento total do trimestre.
O CEO Mark Zuckerberg buscou tranquilizar o mercado. Ele espera que os prejuízos da unidade em 2026 permaneçam em patamares semelhantes aos registrados no último ano, sinalizando que a empresa pode ter atingido o “teto” das perdas antes de iniciar uma redução gradual nos gastos.
Qual é o novo foco da Meta?
Diante do crescimento mais lento do que o esperado para o metaverso, a Meta iniciou uma reestruturação profunda de seus recursos humanos e financeiros. No início de janeiro de 2026, a companhia demitiu mais de mil funcionários do Reality Labs que trabalhavam em projetos de VR e em jogos.
O movimento visa redirecionar o capital para a inteligência artificial (IA) e novos dispositivos vestíveis (wearables). A mudança de rumo ficou evidente no fim de 2025: pela primeira vez em anos, a Meta não lançou um novo headset da linha Quest. Em vez disso, a empresa apostou no Meta Ray-Ban Display, óculos inteligentes desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica.
O dispositivo, comercializado por US$ 799 (R$ 4.150), incorpora telas digitais a uma das lentes. Ele traz assistente de IA, de modo a refletir uma busca por aparelhos mais leves e úteis no cotidiano, em vez de dispositivos de imersão total.
Investimentos em IA e novos riscos
Enquanto o Reality Labs amarga prejuízos, a infraestrutura de IA da Meta recebe investimentos sem precedentes. Para 2026, a empresa projeta gastos entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões, destinados majoritariamente a centros de dados e chips de processamento. O montante é quase o dobro dos US$ 72,2 bilhões investidos em 2025.
Zuckerberg também confirmou que modelos de linguagem mais robustos serão lançados no primeiro semestre deste ano. O mercado aguarda o modelo de codinome Avocado, que deve suceder a linha Llama 4.
Apesar do otimismo financeiro, com ações subindo 10% após a divulgação dos resultados, a diretora financeira Susan Li alertou para possíveis obstáculos. Processos judiciais de grande repercussão e novos marcos legais antitruste nos Estados Unidos e na União Europeia têm julgamentos previstos para este ano. Segundo a empresa, os embates jurídicos podem resultar em impactos nos próximos balanços da empresa.
Meta obtém resultado robusto, mas continua perdendo bilhões com metaverso
Meta obtém resultado robusto, mas continua perdendo bilhões com metaverso
Fonte: Tecnoblog
