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Crise das memórias está matando celulares baratos, diz consultoria

Crise das memórias está matando celulares baratos, diz consultoria

Crise das memórias está matando celulares baratos, diz consultoria (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Resumo

consultoria Omdia afirma que aumento dos custos de chips DRAM e NAND está inviabilizando produção de celulares baratos, com memórias representando 60% dos custos de componentes de modelos de até US$ 400 e 64% nos celulares de até US$ 99;
como consequência, vendas globais de celulares com preço de até US$ 400 devem cair 22% em 2026, de acordo com a Omdia;
em contraste, vendas de celulares com preços acima de US$ 400 devem aumentar 5,7% no mesmo ano.

Se no início parecia que a “crise das memórias RAM” afetaria somente o segmento de PCs, hoje, está claro que até dispositivos móveis são prejudicados. E deve piorar: segundo a consultoria de análises de mercado Omdia, os custos cada vez mais elevados de chips DRAM e NAND começam a inviabilizar a produção de celulares baratos.

O motivo é um tanto óbvio: os gastos com os componentes em questão acabam sendo tão elevados que, como consequência, os fabricantes têm dificuldades para manter os aparelhos dentro das faixas de preços mais acessíveis.

De acordo com a Omdia, as memórias representaram, sozinhas, cerca de 60% dos custos com componentes de celulares com preço de até US$ 400 durante o primeiro trimestre de 2026. Na categoria de celulares básicos, com preço de até US$ 99, essa proporção aumentou para 64%.

Para amenizar a situação, muitos fabricantes tentam reduzir custos de produção usando telas ou sensores mais baratos, por exemplo, ou diminuindo a quantidade de memória RAM ou de armazenamento interno.

O problema é que, nos celulares mais baratos, há pouca margem para que essa estratégia seja explorada, pois esses dispositivos já tendem a ser econômicos em componentes.

Eis o efeito: nos cálculos da Omdia, as vendas globais de celulares com preço de até US$ 400 devem cair 22% em 2026. E não há previsão de melhora nesse cenário, pois os custos com chips de memória RAM e armazenamento interno continuam aumentando.

Custos com com memórias são maiores em celulares mais baratos (imagem: reprodução/Omdia)

Qual a situação dos celulares mais caros?

Curiosamente, a cena muda para celulares com preços acima de US$ 400. Para esses modelos, a Omdia prevê um aumento de 5,7% nas remessas durante 2026. Não é que essa categoria não seja afetada pelo aumento dos custos dos componentes. Ela é. Mas, aqui, há mais espaço para manobras.

Ainda de acordo com a Omdia, os fabricantes estão priorizando smartphones nas categorias média e alta porque, nelas, é mais fácil remanejar componentes. Um exemplo: alguns celulares intermediários podem ter telas OLED do tipo LTPS (mais baratas), de modo que painéis OLED LTPO (mais caros) equipem somente modelos mais avançados.

Além disso, a Omdia observa que os consumidores de celulares com preço acima de US$ 400 são menos sensíveis ao preço, ou seja, têm menos dificuldade para absorver repasses de custos.

Mas para tudo há um limite. O desafio da indústria está em descobrir até onde é possível ir com essas abordagens.
Crise das memórias está matando celulares baratos, diz consultoria

Crise das memórias está matando celulares baratos, diz consultoria
Fonte: Tecnoblog

Vendas de robôs humanoides saltam 480%, com liderança absoluta da China

Vendas de robôs humanoides saltam 480%, com liderança absoluta da China

China lidera mercado de produção de robôs humanoides (imagem: divulgação)

Resumo

As remessas globais de robôs humanoides cresceram 480% em 2025, atingindo mais de 13 mil unidades, lideradas pela China.
Empresas chinesas, como AgiBot e Unitree Robotics, dominaram o mercado, com 70% das remessas totais.
O mercado ainda é pequeno, mas espera-se alcançar 2,6 milhões de unidades até 2035.

As vendas globais de robôs humanoides deram um salto expressivo em 2025. Segundo dados da consultoria Omdia, as remessas desse tipo de equipamento quase quintuplicaram em relação ao ano anterior, alcançando mais de 13 mil unidades. O avanço chama atenção pelo ritmo acelerado, mas ainda representa um mercado pequeno quando comparado a outros segmentos da indústria de tecnologia.

O crescimento foi fortemente concentrado na China, que dominou a produção e respondeu pela maior parte dos robôs enviados no período. Empresas chinesas ocuparam seis das dez primeiras posições no ranking global, deixando concorrentes dos Estados Unidos, como Tesla, Figure AI e Agility Robotics, com participação residual em volume.

China dispara na liderança do mercado

A startup AgiBot, sediada em Xangai, enviou 5.168 robôs humanoides no período, o equivalente a cerca de 38% do mercado mundial. Na sequência aparece a Unitree Robotics, de Hangzhou, que distribuiu aproximadamente 4.200 unidades, alcançando 32% de participação. A terceira colocação ficou com a UBTech Robotics, de Shenzhen, com cerca de mil robôs enviados no ano.

Outras empresas chinesas, como Leju Robotics, Engine AI e Fourier Intelligence, completaram as posições seguintes do ranking. Juntas, elas reforçam a vantagem competitiva do país em escala produtiva e velocidade de comercialização. De acordo com a Omdia, as remessas globais cresceram quase 480% em 2025, e a projeção é que o volume alcance 2,6 milhões de unidades até 2035.

“Os fornecedores chineses estão estabelecendo novos padrões na produção em larga escala, tendo atingido a marca de milhares de unidades enviadas em um curto período, o que possibilita a implantação de dezenas de milhares de robôs anualmente”

– Lian Jye Su, analista da Omdia

Por que os EUA ficaram tão atrás?

Optimus é o robô desenvolvido pela empresa norte-americana Tesla (Imagem: Divulgação/Tesla)

Enquanto a China avançou rapidamente, empresas americanas tiveram desempenho modesto. A Tesla, por exemplo, enviou apenas 150 unidades de humanoides, cerca de 1% do mercado global. Figure AI e Agility Robotics também ficaram na casa das 150 unidades cada.

Analistas apontam que a diferença está ligada a uma combinação de políticas públicas favoráveis, investimentos estatais e privados e uma infraestrutura industrial já preparada para escalar a produção. A chamada “inteligência incorporada”, ramo da IA aplicada a corpos físicos, foi classificada pelo governo chinês como setor estratégico, o que impulsionou ainda mais o desenvolvimento local.

Além disso, o preço pesa a favor dos fabricantes chineses. A Unitree oferece modelos básicos por cerca de US$ 6 mil (R$ 32 mil), enquanto a AgiBot comercializa versões simplificadas por aproximadamente US$ 14 mil (cerca de R$ 76 mil). Em comparação, Elon Musk já estimou que o Optimus, da Tesla, deve custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil (R$ 108 mil e R$ 162 mil), ainda sem produção em larga escala.

Apesar da liderança chinesa, o mercado segue em fase inicial. A própria Omdia destaca que, embora o crescimento seja acelerado, os volumes atuais ainda são pequenos — o que reforça o potencial de expansão nas próximas décadas.

Vendas de robôs humanoides saltam 480%, com liderança absoluta da China

Vendas de robôs humanoides saltam 480%, com liderança absoluta da China
Fonte: Tecnoblog