Guerra dos formatos: LibreOffice acusa Microsoft de “aprisionar” usuários

Guerra dos formatos: LibreOffice acusa Microsoft de “aprisionar” usuários

Guerra dos formatos: LibreOffice acusa Microsoft de “aprisionar” usuários (imagem: divulgação/Microsoft)

Resumo

organização The Document Foundation (TDF) acusa Microsoft de “aprisionar” usuários com formatos do Microsoft Office, como DOCX, XLSX e PPTX, devido à complexidade do padrão OOXML;
segundo a TDF, OOXML não é realmente aberto, dificultando compatibilidade com soluções de terceiros, como o LibreOffice, e criando dependência tecnológica;
TDF propõe que indivíduos e organizações priorizem uso do Open Document Format (ODF), padrão aberto aceito em soluções como LibreOffice, OpenOffice e OnlyOffice.

A organização The Document Foundation (TDF), responsável pela suíte de código aberto LibreOffice, soltou mais uma nota pública para criticar a Microsoft. Desta vez, a acusação é a de que a companhia adota estratégias para “aprisionar” os usuários aos formatos do Microsoft Office, como o DOCX (Word), o XLSX (Excel) e o PPTX (PowerPoint).

Em uma crítica anterior, manifestada em fevereiro deste ano, a TDF argumentou que a Microsoft complica as especificações do OOXML para dificultar a compatibilidade desse padrão com soluções de terceiros, a exemplo do próprio LibreOffice.

Este ponto merece uma rápida explicação: o OOXML (Office Open XML) consiste em um padrão de formatos de arquivos que é implementado principalmente nos softwares do Office. É de lá que surgem formatos como DOCX, XLSX e PPTX. De acordo com a TDF, o OOXML não é realmente aberto como a Microsoft sugere, dada a sua complexidade técnica.

A crítica mais recente complementa a anterior. Se na primeira a TDF acusa a Microsoft de dificultar o uso do OOXML por terceiros, nesta, a entidade sugere que a empresa adota práticas obscuras para manter usuários e organizações dependentes do OOXML, a despeito das limitações desse padrão.

Como o OOXML “aprisiona” usuários, segundo a TDF

A TDF dá a entender que o mecanismo de dependência tecnológica criado pela Microsoft está justamente na complexidade do OOXML.

De acordo com a organização, um formato aberto permite que qualquer aplicativo compatível possa ler, gravar e exibir um arquivo correspondente de modo fiel, independentemente do software usado para isso.

Já um formato proprietário pode conter recursos não documentados ou ter comportamentos que só o software de origem consegue tratar. Como consequência, o arquivo pode não ser reproduzido corretamente em outros softwares. Para não ter que lidar com isso, o usuário acaba se mantendo no software de origem, mesmo quando gostaria de usar outro.

Formatos proprietários criam dependência por meio de um mecanismo que é simples em princípio e extraordinariamente eficaz na prática: eles tornam os dados contidos em um documento inseparáveis do software usado para criá-lo.

(…) Isso é “dependência”: não é um cadeado, não é uma proibição técnica, não é uma restrição contratual, mas sim um atrito silencioso e persistente que faz com que qualquer trabalho fora do ecossistema Microsoft pareça ligeiramente fora do padrão.

Italo Vignoli, da The Document Foundation e LibreOffice

O LibreOffice 26.2, que é totalmente compatível com o ODF (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

O que a TDF propõe como solução?

A TDF não recomendou diretamente o uso do LibreOffice, mas que indivíduos e organizações priorizem os formatos de documentos do padrão aberto Open Document Format (ODF). Além do LibreOffice, o padrão é aceito em soluções como OpenOffice e OnlyOffice.

Sim, as versões mais recentes do Office / Microsoft 365 também são compatíveis com o ODF. Mas, sem nenhuma surpresa, a Microsoft não incentiva abertamente o uso desse padrão. Sem contar que alguns recursos específicos da suíte, como macros em VBA ou layouts pré-prontos, podem exigir os formatos do OOXML para funcionarem corretamente.
Guerra dos formatos: LibreOffice acusa Microsoft de “aprisionar” usuários

Guerra dos formatos: LibreOffice acusa Microsoft de “aprisionar” usuários
Fonte: Tecnoblog