Brasil se junta a 28 países em acordo internacional de inteligência artificial
Brasil se junta a 28 países em acordo internacional de inteligência artificial
Brasil oficializa acordo com outros 28 países para cooperação em IA (imagem: reprodução/Reuters)
Resumo
Brasil e outros 28 países oficializaram a Organização Internacional de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO) em Xangai, China.
O objetivo do acordo internacional é garantir o desenvolvimento ético da IA, segundo o governo brasileiro.
O país participará da WAICO em governança da IA e cooperação tecnológica, com o objetivo de se tornar uma referência global no setor.
A Organização Internacional de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO, em inglês) foi oficializada nesta quinta-feira (16/07) em Xangai, na China, e tem o Brasil como um dos países participantes. O acordo vai direcionar o desenvolvimento das IAs, assim como sua implementação e acesso pelo mundo. Segundo o Governo Federal, a tecnologia precisa ser oferecida “de forma benéfica, segura, ética, confiável e orientada ao ser humano”.
Além do Brasil, participam da iniciativa a China, Rússia, Indonésia, Cazaquistão e outros países do chamado sul global – são 29 no total. Atualmente, empresas como OpenAI e Anthropic, ambas dos Estados Unidos, dominam o mercado de inteligência artificial, inclusive tendo trabalhado junto ao governo no aprimoramento de seus modelos de IA recém-lançados, GPT-5.6 e Claude Fable/Mythos 5, respectivamente.
De acordo com o portal estatal chinês Xinhua, a WAICO seguirá a cartilha da ONU e trabalhará junto à organização. O próprio António Guterres, secretário geral das Nações Unidas, esteve presente na cerimônia de oficialização. Além de garantir uma abordagem humana à tecnologia, o objetivo do acordo também é facilitar o acesso às IAs ao redor do mundo.
Acordo também traz recado político
Modelo mais poderoso da Anthropic foi lançado no começo de junho, mas sofreu restrições (imagem: divulgação)
O mercado de inteligência artificial passa, necessariamente, por empresas sediadas nos Estados Unidos. Recentemente, OpenAI e Anthropic destacaram a importância de melhorar tecnologias de cibersegurança em meio aos avanços de suas próprias IAs, trazendo a público seus modelos mais recentes de forma gradativa.
Essa preocupação com o alto potencial das novas IAs não foi exclusiva das empresas, passando diretamente por um receio da administração de Donald Trump. Nos últimos meses, o governo estadunidense solicitou a retirada do Claude Fable/Mythos 5 do ar, da mesma forma que sugeriu o adiamento do GPT-5.6. Alguns analistas afirmam que um dos motivos seria o acesso deliberado de hackers chineses à tecnologia mais avançada.
Dessa forma, a WAICO surge com uma proposta de descentralizar o desenvolvimento e o acesso às IAs, além de reforçar o direcionamento da tecnologia ao benefício humano. A proposta passa inclusive pelo estímulo da cooperação em “ecossistemas de código aberto”, conforme comunicado pelo governo brasileiro.
Qual o papel do Brasil no acordo?
PBIA é projeto do Governo Federal para transformar Brasil em referência em IA (imagem: reprodução)
De acordo com o Ministério de Ciência, Tecnologia e Informação, o Brasil participará da WAICO em assuntos como governança da IA e cooperação tecnológica. Vale lembrar que, atualmente, está em vigor no país o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, o PBIA, que prevê um investimento de R$ 23 milhões até 2028.
Entre os objetivos do projeto está a criação de um supercomputador que permita processar um grande volume de dados e dar conta de LLMs em português com dados nacionais. A partir disso, a ideia é transformar o Brasil em referência global de inteligência artificial.
Brasil se junta a 28 países em acordo internacional de inteligência artificial
Brasil se junta a 28 países em acordo internacional de inteligência artificial
Fonte: Tecnoblog
