Category: Micron

Primeiro SSD com PCIe 6.0 alcança 28.000 MB/s na leitura de dados

Primeiro SSD com PCIe 6.0 alcança 28.000 MB/s na leitura de dados

Linha de SSDs Micron 9650 (imagem: reprodução/Micron)

Resumo

SSD Micron 9650 é o primeiro produzido em larga escala a usar PCIe 6.0, alcançando 28.000 MB/s em leitura e 14.000 MB/s em gravação sequencial;
Linha Micron 9650 oferece melhorias de desempenho em relação ao PCIe 5.0: 100% em leitura sequencial, 40% em gravação sequencial, 67% em leitura aleatória e 22% em gravação aleatória;
Disponível nos formatos E1.S e E3.S, linha Micron 9650 é voltada a data centers, com capacidades de até 30,72 TB na versão Pro e 25,6 TB na versão Max.

Toda nova versão da tecnologia PCI Express traz uma pontada de frustração: os primeiros dispositivos compatíveis com a versão anunciada demoram a ser lançados. Mas, cedo ou tarde, isso ocorre, como prova o Micron 9650, primeiro SSD com PCIe 6.0 fabricado em larga escala.

Aqui, desempenho é coisa séria: a linha Micron 9650 pode atingir 28.000 MB/s (megabytes por segundo) na leitura sequencial de dados, o dobro da taxa que é alcançada quando o PCI Express 5.0 é usado.

Já a taxa de gravação sequencial de dados chega a 14.000 MB/s, contra até 10.000 MB/s com o PCIe 5.0.

Taxas tão expressivas não chegam a ser surpresa, afinal, cada nova versão do PCI Express dobra a largura de banda máxima em relação à geração anterior da tecnologia.

Em linhas gerais, a Micron destaca que, na comparação com unidades baseadas em PCIe 5.0, a nova linha de SSDs é até:

100% mais rápida em leitura sequencial;

40% mais rápida em gravação sequencial;

67% mais rápida em leitura aleatória;

22% mais rápida em gravação aleatória.

Mas os números generosos não terminam aí. A linha também pode alcançar 5.500.000 IOPS de desempenho aleatório de leitura, e até 900.000 IOPS na escrita.

Já o consumo de energia dos SSDs Micron 9650 chega a 25 watts, o que não chega a ser um nível discrepante, pelo menos em relação a SSDs de uso corporativo (é o caso aqui). De todo modo, a linha foi preparada para suportar tanto refrigeração a ar quanto líquida, dependendo do modelo do SSD.

É óbvio que as capacidades de armazenamento também chamam a atenção. Até o momento, a linha é dividida em duas variações: Pro e Max. Cada uma oferece capacidades diferentes:

Micron 9650 Pro: 7,68 TB, 15,36 TB e 30,72 TB

Micron 9650 Max: 6,4 TB, 12,8 TB e 25,6 TB

Linha de SSDs Micron 9650 (imagem: reprodução/Micron)

Disponibilidade dos SSDs Micron 9650

Anunciados em julho de 2025, mas lançados somente agora, os SSDs Micron 9650 já estão disponíveis para venda. Há versões nos padrões E1.S e E3.S (ambos são formatos físicos de SSD para servidores), sendo que somente o primeiro suporta refrigeração líquida.

Como as capacidades de armazenamento sugerem, a linha é direcionada a data centers, razão pela qual os preços de cada unidade não foram divulgados publicamente (até porque o valor pode variar de acordo com a quantidade de unidades comprada).

Não duvido que chegará o momento em que SSDs direcionados a computadores domésticos suportarão o PCIe 6.0, mas, por ora, o foco da tecnologia está mesmo em aplicações profissionais (quer apostar quanto que, dadas as circunstâncias atuais, aplicações de IA serão as mais beneficiadas?).

Em tempo: a tecnologia PCI Express 6.0 foi anunciada em 2022. A versão mais atual é o PCI Express 8.0, cujo anúncio oficial foi feito em agosto de 2025.
Primeiro SSD com PCIe 6.0 alcança 28.000 MB/s na leitura de dados

Primeiro SSD com PCIe 6.0 alcança 28.000 MB/s na leitura de dados
Fonte: Tecnoblog

Data centers de IA vão consumir 70% dos chips de memória

Data centers de IA vão consumir 70% dos chips de memória

Data centers de IA vão consumir 70% dos chips de memória (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Resumo

Data centers de IA devem demandar 70% dos chips de memória produzidos em 2026, gerando escassez;
Problema da escassez afeta memórias RAM, SSDs e até discos rígidos, impactando produção de eletrônicos e elevando custos;
Micron prevê que crise no mercado de memórias durará até 2028.

A demanda por memórias realmente está maior do que a oferta, cenário que resulta em dificuldade de aquisição desse tipo de componente e, principalmente, em preços elevados. Alimentando essa situação de escassez estão as aplicações de IA, que exigirão até 70% da produção de chips de memória em 2026.

É o que aponta o Wall Street Journal. Trata-se de uma estimativa que preocupa, mas, a essa altura, já não surpreende: o número de aplicações de inteligência artificial cresce em um ritmo tão acelerado que as empresas do setor estão investindo cada vez mais na construção de data centers para executá-las.

O efeito disso é a escassez não só de memórias RAM, mas também de chips de SSDs e até de discos rígidos.

Mas, sim, a situação é mais crítica no segmento de memória RAM. Esse tipo de componente não equipa somente computadores e celulares. TVs, dispositivos vestíveis, alto-falantes inteligentes e sistemas automotivos, por exemplo, também demandam esse tipo de componente. Logo, todo o setor de eletroeletrônicos pode ser impactado por preços mais altos.

Não é só uma questão de repassar os custos com memórias RAM para os consumidores. A escassez de chips também atrasa a produção de equipamentos eletrônicos, aumentando o risco de determinados produtos também ficarem escassos nas prateleiras. Quando isso acontece, não raramente, esses produtos ficam mais caros.

Tem mais. É comum que equipamentos eletrônicos utilizem tecnologias de memória mais antigas, que tendem a ser mais baratas. O problema é que os fabricantes priorizam a produção de memórias mais modernas, como DDR5 e HBM, que oferecem margens de lucro maiores, movimento que também contribui para a crise.

Novamente, não há surpresa aqui: aplicações de IA demandam tanto desempenho que a infraestrutura destinada a elas requer justamente tecnologias de memória RAM mais sofisticadas.

Escassez de memória deve aumentar preços de eletrônicos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Wall Street Journal não exagera, portanto, ao sinalizar que estamos diante de um cenário cuja gravidade pode ser comparada aos atrasos de produção no período da pandemia de covid-19.

Consequência: o mercado viu os preços de memórias dispararem 50% somente no último trimestre do ano passado. O setor de semicondutores fechou 2025 com lucro recorde. A Counterpoint Research estima que haverá um aumento adicional entre 40% e 50% nos preços até o fim do primeiro trimestre de 2026.

Micron prevê que crise da memória durará até 2028

Três companhias respondem por mais de 90% da produção atual de chips de memória RAM: SK Hynix, Samsung e Micron. Esta última revelou, recentemente, que os preços das memórias não devem melhorar antes de 2028.

A solução para o problema passa pelo aumento de produção. Para tanto, Micron e outras empresas do setor estão investindo em novas fábricas de memórias. Mas aí vem um novo problema: leva tempo para essas unidades serem construídas e entrarem em operação.
Data centers de IA vão consumir 70% dos chips de memória

Data centers de IA vão consumir 70% dos chips de memória
Fonte: Tecnoblog

Memória RAM Crucial sai do mercado após quase 30 anos

Memória RAM Crucial sai do mercado após quase 30 anos

Empresa cita crescimento da IA como motivo para encerrar divisão de consumo (imagem: divulgação/Micron Technology)

Resumo

A Micron encerrará as vendas de memória Crucial até fevereiro de 2026 para focar em data centers de IA.
A decisão visa atender à crescente demanda por memória de alta largura de banda para chips de IA.
A escassez de componentes e a inflação elevam os preços de memória RAM, impactando consumidores e empresas.

A Micron Technology anunciou oficialmente nesta quarta-feira (3) que deixará o mercado de memórias para o consumidor final a partir de 2026. A decisão marca o fim de 29 anos da marca Crucial, subsidiária da empresa responsável pela venda de memória RAM e SSDs para o varejo.

A empresa justificou a mudança estratégica citando a necessidade de realocar recursos para atender à demanda explosiva por componentes para data centers voltados à inteligência artificial. A construção massiva de novas infraestruturas de processamento de dados criou uma procura sem precedentes por memória de alta largura de banda (HBM), essencial para chips de IA fabricados por empresas como Nvidia e AMD.

Relatórios do setor indicam que somente o projeto de supercomputador Stargate, da OpenAI, poderia consumir sozinho quase 40% da produção global de memórias, drenando a capacidade industrial que anteriormente abastecia o mercado de PCs domésticos.

“O crescimento impulsionado pela IA nos data centers levou a um aumento na demanda por memória e armazenamento. A Micron tomou a difícil decisão de sair da divisão de produtos de consumo da Crucial para melhorar o fornecimento e o suporte aos nossos maiores clientes estratégicos em segmentos de crescimento mais rápido.”

Sumit Sadana, vice-presidente executivo e diretor de negócios da Micron

O que acontece com garantias e suporte?

Suporte e garantia continuam valendo para memórias ou SSDs da Crucial (imagem: divulgação/Micron Technology)

Em comunicado oficial, a gigante de semicondutores informou que continuará enviando produtos da marca Crucial para distribuidores e varejistas até fevereiro de 2026. A empresa assegurou que honrará todas as garantias dos produtos já comercializados e trabalhará com seus parceiros durante o período de transição. Os funcionários afetados pelo fechamento da divisão de consumo deverão ser realocados para outras funções.

Escalada de preços e impacto no mercado

O anúncio ocorre em um cenário de inflação nos preços e escassez de componentes. Para o consumidor final, o impacto já é visível no bolso: um kit padrão de 32 GB de memória RAM DDR5, que podia ser encontrado em promoções no Brasil por cerca de R$ 850 em agosto de 2025, agora dificilmente é visto por menos de R$ 2.800. Kits de maior capacidade ou com frequências mais altas sofreram reajustes ainda maiores, tornando o upgrade proibitivo para parte dos usuários domésticos.

A escassez já obriga outras empresas do setor a tomarem medidas drásticas de contenção. A fabricante de notebooks modulares Framework, por exemplo, suspendeu a venda de pentes de memória RAM avulsos no final de novembro. A medida foi adotada para garantir que haja estoque suficiente para continuar vendendo seus computadores.

Gerry Chen, gerente geral de memórias do TeamGroup, projeta um cenário desafiador para o futuro próximo. Segundo o executivo, a situação pode piorar no primeiro semestre de 2026, momento em que os estoques remanescentes nos distribuidores se esgotarão. A previsão é que as restrições de fornecimento persistam até o final de 2027.
Memória RAM Crucial sai do mercado após quase 30 anos

Memória RAM Crucial sai do mercado após quase 30 anos
Fonte: Tecnoblog