Expansão da IA pode provocar “tsunami” de lixo eletrônico, diz relatório
Expansão da IA pode provocar “tsunami” de lixo eletrônico, diz relatório
Aumento de novos servidores pode triplicar lixo eletrônico nas próximas décadas (imagem: reprodução/Magnific)
Resumo
A corrida por data centers de IA pode triplicar o volume anual de lixo eletrônico tóxico até 2050, segundo a Basel Action Network (BAN).
De acordo com o relatório da entidade, a expansão de data centers pode gerar 13 milhões de toneladas de resíduos por ano somente até 2030.
Apenas cerca de 20% do lixo eletrônico recebe destinação adequada, de acordo com o cofundador da BAN, Jim Puckett.
A expansão da infraestrutura necessária para sustentar a IA pode triplicar o volume anual de lixo eletrônico tóxico nos próximos 25 anos. É o que diz um relatório da Basel Action Network (BAN), organização ambiental que acompanha o descarte e a movimentação internacional de resíduos eletrônicos.
Segundo a entidade, o acúmulo nesse período seria suficiente para preencher seis fileiras de contêineres ao redor da Terra. O material pode conter substâncias como mercúrio, cádmio, chumbo e compostos químicos persistentes, além de metais que exigem processos específicos para serem recuperados.
Servidores aumentam volume de resíduos
O levantamento projeta a quantidade de materiais que precisarão ser fabricados como parte da expansão de data centers nos próximos anos. Nos Estados Unidos, serão ao menos 4.871, segundo a organização, sendo muitos deles voltados a IA.
Para calcular o impacto, a organização considerou uma estimativa de aproximadamente 100 gigawatts (GW) de nova capacidade computacional no mundo até 2030. A conta inclui servidores, sistemas de refrigeração, infraestrutura elétrica, cabeamento e outros componentes importantes para os centros de processamento. Entre eles:
Racks de servidores: um rack de alta densidade usado em compuação de IA pode pesar cerca de 1.360 kg.
Switches e cabeamento: equipamentos de rede chegam a 30 kg cada, equanto cada rack pode concentrar centenas de quilos de cabos de cobre.
Troca de equipamentos: componentes podem ser substituídos a cada dois a cinco anos, seja pelo desgaste térmico, seja pela defasagem de desempenho.
Outros eletrônicos: a evolução dos requisitos para IA também pode acelerar a substituição de computadores, celulares e outros equipamentos de telecomunicações.
A partir desses fatores, a BAN estima que o descarte de hardware possa chegar a 13 milhões de toneladas por ano até 2030. O número é superior ao de estimativas apresentadas anteriormente por outros estudos sobre o lixo eletrônico do setor.
Falta de destinação adequada
Lixo eletrônico seria consequência da obsolescência programada (imagem: John Cameron/Unsplash)
Apesar da preocupação para o futuro, o descarte de equipamentos eletrônicos já cresce rapidamente e é um problema no momento. Jim Puckett, cofundador da BAN, afirmou ao jornal The Guardian que apenas cerca de 20% desse material recebe uma destinação adequada.
A entidade atua internacionalmente contra o envio ilegal de resíduos tóxicos para países em desenvolvimento, onde parte desses equipamentos pode ser desmontada ou processada sem as mesmas condições de controle ambiental.
O Brasil, por exemplo, produz mais de 2,4 milhões de toneladas desse material anualmente, segundo a Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos. O valor deve aumentar com a expansão dos centros de dados no país, impulsionada pela aprovação do Redata, sancionado nessa quarta-feira (16/09).
Para a BAN, a velocidade da expansão da IA não está sendo acompanhada por uma estrutura equivalente para lidar com os equipamentos. A entidade alerta que, sem mudanças na forma como esses materiais são projetados, reutilizados e reciclados, a expansão da IA poderá transformar uma parcela crescente da infraestrutura tecnológica em resíduos tóxicos.
Expansão da IA pode provocar “tsunami” de lixo eletrônico, diz relatório
Expansão da IA pode provocar “tsunami” de lixo eletrônico, diz relatório
Fonte: Tecnoblog
