Category: Git

Entire, do ex-CEO do GitHub, já hospeda códigos no Brasil

Entire, do ex-CEO do GitHub, já hospeda códigos no Brasil

Entire, plataforma rival do GitHub feita para IA e humanos (imagem: reprodução/Entire)

Resumo

A Entire, empresa de hospedagem e colaboração Git, foi lançada oficialmente pelo ex-CEO do GitHub, Thomas Dohmke.
A empresa já tem operações no Brasil, permitindo que projetos de desenvolvedores brasileiros sejam hospedados em servidores locais, oferecendo estabilidade e menos latência.
A Entire permite que projetos sejam realizados por desenvolvedores humanos e agentes de IA, e oferece um sistema de revisão de código baseado em Trails.

Lançada oficialmente nesta semana por Thomas Dohmke, ex-CEO do GitHub, a Entire já tem operações direcionadas especificamente ao Brasil. Isso significa que projetos de desenvolvedores brasileiros podem ser hospedados em servidores alocados no país.

Com a medida, o Brasil se junta aos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, Índia, Austrália e Singapura no acesso à rede Git distribuída da Entire.

Há uma boa razão para a startup olhar para o Brasil logo no início de suas operações oficiais: a própria Entire destaca que a comunidade de desenvolvedores do Brasil é a quarta maior do mundo, bem como a maior da América do Sul.

Com projetos hospedados em infraestrutura local, os desenvolvedores brasileiros poderão contar, entre outros benefícios, com mais estabilidade e menos latência no acesso aos seus repositórios.

A maior comunidade de desenvolvedores da América do Sul merece uma plataforma Git que realmente a coloque no centro. Hoje, trazemos a residência de dados para o Brasil, rodando na plataforma Git mais rápida e escalável em produção.

Agora, desenvolvedores e agentes de IA no Brasil podem fazer push, pull e clone perto de onde desenvolvem suas aplicações, com a opção de manter seu código no país.

Thomas Dohmke, CEO da Entire

Thomas Dohmke e equipe da Entire (imagem: X/Entire)

O que é a Entire?

A Entire é uma empresa de hospedagem e colaboração Git que foi revelada em fevereiro e iniciou suas operações como plataforma no começo da semana. A companhia se diferencia do GitHub, que foi a casa de Thomas Dohmke entre 2021 e 2025, por oferecer um sistema de revisão de código baseado em Trails, que vão além dos tradicionais pull requests.

Trails são uma forma de registrar e comunicar mudanças em código de modo que outros desenvolvedores possam não só entender o que mudou, mas também como e por quê. A Entire compara a interface dos Trails à visão completa da operação que um piloto tem com o painel de um avião.

Observe que, na citação mais acima, Dohmke fala em “agentes de IA”. A razão disso é que a Entire foi projetada para permitir que projetos sejam realizados tanto por desenvolvedores humanos, de modo direto, quanto por meio de… agentes de IA.

O site oficial da plataforma é entire.com.

Entire, do ex-CEO do GitHub, já hospeda códigos no Brasil

Entire, do ex-CEO do GitHub, já hospeda códigos no Brasil
Fonte: Tecnoblog

Robôs de IA mentem para ler as páginas na web e irritam desenvolvedores

Robôs de IA mentem para ler as páginas na web e irritam desenvolvedores

Big techs e empresas de IA desconsideram restrições e empregam diversas táticas para contornar bloqueios (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

Robôs de IA sobrecarregam servidores de projetos open-source, gerando tráfego semelhante a ataques DDoS e levando a bloqueios de IPs.
Empresas como a Amazon contornam restrições usando IPs residenciais e mudando agentes.
Read The Docs relata que bloqueios de robôs de IA reduziram o tráfego em 75%, economizando US$ 1.500 mensais no gasto com largura de banda.

Diversos desenvolvedores estão relatando o impacto dos robôs de IA em projetos de código aberto. Esses robôs estão sobrecarregando e desestabilizando os servidores de sites gits, nos quais desenvolvedores publicam códigos open-source e contribuem para projetos. Em alguns casos, devs estão bloqueando o acesso de alguns países aos seus servidores.

Xe Iaso, um dos desenvolvedores que publicou um relato sobre a situação, conta que os crawlers de IA (robôs que varrem a internet por dados para treinamento) da Amazon chegaram a derrubar seu servidor — praticamente como um ataque DDoS. Iaso explica ainda que a big tech desenvolve robôs mentirosos para driblar as restrições ao uso do conteúdo para treinamento de IA.

Como os robôs enganam os sites para acessar seus conteúdos?

Entre as táticas aplicadas pela Amazon para burlar os bloqueios de sites estão usar IPs residenciais como proxies e mudar o agente (escondendo que a Amazon é a autora). Em seu blog, Iaso publicou um relato frustrante sobre como a big tech é incisiva e agressiva na sua “busca por conhecimento”.

Amazon é uma das empresas que ignora restrições de sites, usando até IPs residenciais para enganar os bloqueios (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Para tentar solucionar a queda do seu servidor git, Iaso o protegeu com uma VPN e criou um sistema de verificação batizado de Anubis. O Anubis é praticamente um captcha, no qual quem deseja acessar o conteúdo da biblioteca precisa resolver um problema.

Um estudo da LibreNews mostra que em torno de 97% do tráfego de alguns projetos de código aberto vem de robôs de IA. A “sede” das empresas de IA por treinar seus LLMs vem sobrecarregando os servidores devido ao enorme aumento de tráfego. Isso também eleva os custos de largura de banda dos servidores.

Outro projeto afetado pelo alto volume de tráfego foi o Fedora Pagure. Uma das medidas tomadas pela equipe para se proteger do “DDoS” de crawlers de IA foi bloquear todo o tráfego vindo do Brasil. O GitLab de infraestrutura da KDE foi derrubado por um alto volume de tráfego de robôs com IPs da Alibaba.

Anubis é útil, mas também tem problemas

Devs de projetos open-source estão trabalhando em conjunto para mitigar os danos dos robôs de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Como as empresas burlam as restrições, seja ignorando os bloqueios do robots.txt ou mudando o IP para evitar a sua detecção, o sistema Anubis criado por Iaso foi adotado por outros projetos de código-aberto. Contudo, ainda que eficiente, o sistema sofre com atrasos quando é acessado por muitos usuários — sejam eles legítimos ou não.

O alto tráfego também aumenta os custos dos projetos open-source. O Read The Docs relatou que o bloqueio de robôs de IA derrubou em 75% o tráfego nos sites, saindo de 800 GB de transferência de dados por dia para 200 GB por dia. Isso gerou uma redução de US$ 1.500 (R$ 8.601) no gasto com largura de banda.

No início do mês, uma pesquisa mostrou que as IAs, além de darem respostas erradas em 60% do tempo, também violam as restrições de sites contra crawlers.

A comunidade de projetos de código-aberto trabalha em conjunto para se proteger dos robôs. Uma das medidas colaborativas da comunidade é listar os crawlers e desenvolver códigos padrão para bloquear o acesso desses robôs.

Com informações da Ars Technica
Robôs de IA mentem para ler as páginas na web e irritam desenvolvedores

Robôs de IA mentem para ler as páginas na web e irritam desenvolvedores
Fonte: Tecnoblog