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Multi enfrenta síndrome de vira-lata do brasileiro, diz presidente

Multi enfrenta síndrome de vira-lata do brasileiro, diz presidente

Alexandre Ostrowiecki é CEO da Multi, a antiga Multilaser (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multi (antiga Multilaser), discute o preconceito com a marca e destaca que 70% do faturamento da empresa provém de produtos fabricados nacionalmente, abrangendo uma diversidade de itens como eletrônicos e eletrodomésticos.
A Multi amargou um prejuízo líquido de R$ 836 milhões em 2023, seu primeiro resultado negativo em 15 anos, atribuído à limpeza de estoques acumulados durante a pandemia.
A empresa expandiu para o segmento de motos elétricas com a submarca Watts, que já detém 25% do mercado. Toda a produção ocorre em Manaus.
Ostrowiecki aborda a complexidade do ambiente de negócios no Brasil, mencionando o “manicômio” burocrático que impacta os custos e a operacionalidade das empresas.
A Multi terminou a parceria com a HMD devido à falta de competitividade dos celulares Nokia no mercado pós-pandemia.

Qual nome vem à sua mente quando te peço para pensar num produto eletrônico genérico? Talvez seja a Multilaser, uma indústria genuinamente brasileira que está no mercado há quatro décadas. Numa conversa exclusiva e honesta, o CEO da agora Multi comenta pontos interessantíssimos: desde o preconceito com a marca até a rotina de desenvolvimento de novos produtos, passando por detalhes de fabricação e também pelo que Alexandre Ostrowiecki chama de “manicômio” burocrático do Brasil.

Em março de 2024, a Multi divulgou prejuízo líquido de R$ 836 milhões. Foi o primeiro resultado negativo depois de 15 anos consecutivos no azul. Ostrowiecki explica que foi feita uma limpa em estoques remanescentes dos anos de pandemia e que agora a Multi está pronta para enfrentar novamente a concorrência.

Moto elétrica Multi Watts W125 tem três modos de pilotagem (Imagem: Divulgação/Multi)

O executivo se mostra particularmente orgulhoso com o desempenho num segmento que é novidade para mim (e talvez seja para você também): de motos elétricas. A submarca Watts realiza toda a produção em Manaus e já abocanha 25% do mercado.

Vamos à conversa? Não custa ressaltar que ela foi editada para fins de clareza e brevidade. Lembre de me contar suas impressões nos comentários desta página.

Antiga Multilaser passou a se chamar Multi em julho de 2022 (Imagem: Divulgação/Multi)

Entrevista exclusiva com Alexandre Ostrowiecki

Thássius Veloso (Tecnoblog) – Há quem diga que a Multi não fabrica os produtos, que ela apenas os importa. É verdade?

Alexandre Ostrowiecki (Multi) – Esse é mais um dos mitos que existem sobre a nossa empresa e sobre outras indústrias nacionais. Nós, brasileiros, temos um pouco da síndrome de vira-lata, que é achar que as coisas lá de fora vão ser automaticamente melhores. Será assim em alguns casos, mas em outros não. Mais de 70% do faturamento da Multi é produzido por nós. São 13 linhas de produtos: TV, celular, tablet, computador, roteador, cartão de memória, pendrive, liquidificador, ventilador, moto elétrica, bicicleta elétrica, patinete elétrico e tapetes para pet.

Os componentes vêm de fora? As peças são produzidas por vocês?

Não existe nenhuma indústria no planeta que faça tudo do zero. A Mercedes-Benz não cava o chão, tira o minério e produz o aço. Todas as empresas compram diversas partes intermediárias para agregar valor no final. Quando eu compro um resistor na China e uma placa pelada ESMT, ponho na minha máquina de inserção, coloco pasta de solda, passo no forno, pego peça plástica, coloco no produto, e aí monto… tudo isso é processo fabril. Essa é uma pergunta inócua porque montagem é uma forma de fabricação.

E os outros 30%?

São produtos importados porque são muito baratos e não justificaria a produção nacional. Fazemos todos os testes e embalamos no Brasil. É o caso das caixas de som, por exemplo: elas eram fabricadas em Manaus, mas passamos a importar porque o frete de lá é muito caro. A linha de carrinhos de neném não tem nenhum processo local.

Itens fabricados pela Multi representam 70% do faturamento (Imagem: Divulgação/Multi)

O site da Multi fala na comercialização de 6 mil itens. Como vocês fazem para manter os sistemas e drivers atualizados naqueles produtos de mais tecnologia, como celular, smart TV, computador e periféricos? Porque esse número me pareceu alto.

Uma parcela desses produtos, como liquidificador, por exemplo, é apenas hardware e não depende de atualização de software. Mouse e teclado também são baseados no plug and play. O software é importante principalmente nos PCs, por isso fazemos muitos testes com o Windows, além dos smartphones, tablets e smartwatches. Cada linha de produto tem um time em Extrema (MG) responsável pela perfeita integração e funcionamento. Esse trabalho é superimportante. Eu acredito que não passe de cem o número de produtos que precisam de software.

Esse trabalho tem sido realizado a contento?

A gente começou lá atrás sem tanto conhecimento. Com o tempo foi ficando mais firme. Eu tenho usado o nosso celular top de linha, o Multi H, e posso te dizer que está redondo. Nunca deu dor de cabeça, roda rápido e não quebra os programas.

Agora falando especificamente de smartphones: o que rolou para encerrarem a parceria com a Nokia?

Nós fomos muito felizes por dois, três anos. Depois, com o fim da pandemia e o encolhimento do mercado, sentimos que os produtos deixaram de ser competitivos. A parceria não conseguiria nos levar aonde gostaríamos de chegar.

Onde?

Não adianta a gente ficar trabalhando para ter 1% ou 2% do mercado. Precisaríamos estar pelo menos no top 5 de celular e os produtos da Nokia não estavam muito formatados para o que o brasileiro queria. Havia questões sobre a qualidade da câmera e o custo-benefício. Por isso decidimos encerrar.

O gargalo era com a Multi ou com a HMD?

Dos dois lados. Houve falhas nossas com lançamentos não tão agéis quanto o necessário. Vimos também que a HMD mudou de foco: agora quer atuar em cibersegurança, projetos corporativos e mercado europeu. A linha de produtos não estava mais voltada ao consumidor brasileiro.

Como o consumidor pode confiar de que será bem atendido caso role um problema com produto de vocês?

O consumidor pode ficar muito tranquilo com a nossa pós-venda porque nosso atendimento é premiado e tem histórico de resolver todos os problemas. Nunca deixamos ninguém na mão, tanto que as nossas notas costumam ser mais altas que a de indústrias multinacionais. Nós trocamos rápido quando é necessário. Também temos 40 anos de mercado, dívida zero e caixa líquido de R$ 200 milhões.

A que você atribui esse preconceito com a marca?

Historicamente, nós somos uma empresa que tenta focar no custo-benefício. O nosso celular tem ticket médio de R$ 500. Ele é diferente de um aparelho de R$ 5.000. Não tem como esperar a mesma coisa. O nosso tablet custa R$ 499 enquanto o da concorrência começa em R$ 1.000, por exemplo. É natural que a gente tenha cometido erros ao longo do tempo, assim como todo mundo. Mas em geral, a gente entrega produtos que são muito mais acessíveis. Eu sou usuário de todos os produtos da Multi: tenho air fryer, liquidificador, um mouse gamer guerreiro que me acompanha há três anos.

Me parece que a Multi quer ser a porta de entrada para a tecnologia. Vocês conseguem depois reter estes consumidores?

Depende da categoria. Realmente não tem pessoas de classe A e B que deseje um smartphone nosso. Normalmente é o primeiro celular da pessoa, ou o aparelho do filho adolescente, ou ainda uma opção para não ir a um show com um telefone de R$ 10.000. Por outro lado, somos muito bem aceitos e líderes na parte de tablets, acessórios de PC, gaming, eletroportáteis, itens de saúde como o oxímetro, produtos baby. Nós não temos o perfil de atender a essa parte mais aspiracional.

Já teve algum produto que você percebeu que não tava legal?

Com certeza, eu caio matando! Vai email pra todo lado. (risos) Lá atrás, eu comprei uma caixinha de som boombox que tocava CD. Pluguei na tomada e não ligava. Pensei que estava queimado. Bem depois, descobri que era bivolt e estava ajustado para 220 V. O pessoal técnico me disse que precisava mudar para o 110 V. Muitas vezes o produto não foi pensado adequadamente por todos os ângulos.

E qual tecnologia desenvolvida por vocês te deixou mais orgulhoso?

Nós criamos um SIM Card com cartão memória embutido. Seria uma espécie de dois-em-um desenvolvido pela área de semicondutores. O cliente só precisaria colocar esse chip no telefone para ter a telefonia e mais memória. Ele poderia revolucionar os slots de todos os smartphones do planeta. Nós vendemos esse projeto corporativo para os Estados Unidos. No entanto, o padrão de dois slots já tinha se tornado o padrão global. Também criamos um robô limpador de vidros que consegue ficar do lado de fora da janela. Ele fica preso por uma ventosa, reduzindo o risco das pessoas.

Grupo possui duas fábricas em Extrema (MG) e Manaus (Imagem: Divulgação/Multi)

Falando especificamente da sua atuação: quais os desafios de liderar uma empresa de tecnologia, mas que está inserida num contexto brasileiro?

Não importa o país, existe o desafio global da mudança rápida de tecnologia. Tudo evolui muito rápido e produtos atuais ficam obsoletos com o tempo. É preciso um planejamento muito bom para se manter atualizado, senão vira prejuízo. Existe ainda uma camada especial de desafio ligada ao manicômio tributário do Brasil. Não tem uma semana que não apareça alguma maluquice que chega de repente. Por exemplo, venceu a licença do carimbo de sei lá quem porque tal setor está em greve, portanto não pode usar água do poço da fábrica, correndo risco de levar multa. E nisso, a gente começa a trazer caminhão-pipa para abastecer a unidade. Outro caso real: a fábrica de motos de Manaus está com espaço sobrando e a de TVs, com espaço faltando. Pode parecer óbvio, mas é ilegal pegar as TVs e guardar na área de motos. Precisa de outra autorização para mover os seus produtos do seu depósito A para o B. Esse é o motivo para tantas multinacionais abandonarem o país. A gente não tem essa opção, precisa realmente se virar.

Por isso o produto é caro no Brasil?

O público não tem a menor ideia do estrago dessa burocracia. O efeito é essencialmente aumentar os preços. Não estou aqui dizendo que as empresas são coitadas. Mas elas ficam mais estressadas e os gestores repassam o custo para os consumidores. Fica caro porque você paga o produto mais o imposto mais o manicômio.

Até os produtos considerados mais baratinhos são caros para o consumidor final?

Com certeza. Pega o mouse de uma marca famosa e global. Agora compara o preço do Walmart nos Estados Unidos e em alguma loja do Brasil. O produto é o mesmo, produzido na mesma fábrica da China, custa um terço lá fora.
Multi enfrenta síndrome de vira-lata do brasileiro, diz presidente

Multi enfrenta síndrome de vira-lata do brasileiro, diz presidente
Fonte: Tecnoblog

Exclusivo: Veek prepara plano de celular grátis na rede da Vivo

Exclusivo: Veek prepara plano de celular grátis na rede da Vivo

Veek permitirá que clientes escolham entre rede da Vivo ou TIM (Imagem: Lucas Braga/Tecnoblog)

O mercado de operadoras virtuais terá uma nova sacudida nos próximos meses: a Veek, que oferece serviço de celular na modalidade freemium, permitirá que o cliente escolha qual sinal quer usar. Um novo acordo foi firmado com outra fornecedora de infraestrutura, e os clientes terão a rede da Vivo à disposição.

Alberto Blanco, CEO da Veek, contou com exclusividade ao Tecnoblog que a empresa firmou um acordo com a Telecall, operadora que utiliza a rede da Vivo. O funcionamento será em paralelo com a rede existente, da Vero/Americanet (e sinal da TIM).

“O que a gente quer é ter mais uma opção de rede, porque existem algumas localidades em que a rede da Vivo tem cobertura melhor. O cliente vai poder brincar com a rede ‘roxa’ e a rede ‘azul’. Não vamos deixar a Americanet, é um excelente parceiro que nos possibilitou desenvolver nossa oferta gratuita, o Freemium, e temos muita gratidão com a empresa.”Alberto Blanco, CEO da Veek

Essa é a primeira vez que uma MVNO permite que o cliente escolha qual rede irá utilizar. O executivo ainda diz que o acordo com a Telecall dá mais segurança para a continuidade da operação da Veek:

“A gente já teve alguns tropeços no passado, então ter duas redes nos dá mais segurança. É muito mais uma questão de dar opção aos nossos clientes, mas [o acordo] permite maior segurança para continuidade do negócio.Alberto Blanco, CEO da Veek

A operação ainda não tem data certa para começar, mas Blanco revela que a Veek trabalha para lançar a operação comercial com o sinal da Vivo em agosto de 2024.

Os detalhes da Veek com a rede da Vivo

Com as duas teles simultâneas, as operações ficarão separadas, com chips diferentes para a rede da Vivo ou TIM. O cliente poderá escolher qual sinal prefere, e o SIM Card correspondente será enviado para o endereço.

Clientes existentes da Veek, com a rede da TIM, poderão migrar para o sinal da Vivo e vice-versa. Nesse caso, será necessário trocar de chip; após a ativação, a Veek fará uma portabilidade numérica interna.

Plano grátis também estará disponível na rede da Vivo

Um dos questionamentos do Tecnoblog é se o Freemium ficará restrito ao serviço da TIM e Americanet. Blanco confirma que as ofertas serão as mesmas em qualquer uma das redes, inclusive o Freemium.

Atualmente, para ter o Freemium é necessário comprar o chip no valor de R$ 120. O plano inclui até 2 GB de internet por mês, ligações ilimitadas e 30 SMS por dia, desde que o cliente faça “check-ins” diários. O check-in é o ato de entrar no aplicativo e assistir uma publicidade.

Para usar serviços de celular de graça, clientes precisam assistir publicidade no app da Veek (Imagem: Lucas Braga/Tecnoblog)

Quem precisar de mais dados poderá comprar pacotes adicionais. A Veek também vende planos de celular tradicionais, sem anúncios. O pacote mais barato custa R$ 30 mensais com 3 GB, e os dados não utilizados acumulam para os próximos meses.

Veek quer ser a operadora de outras empresas

Além de comercializar telefonia móvel com sua marca própria, a Veek também está no caminho para ser fornecedora de solução para outras empresas. “A gente consegue com facilidade criar um app com mudanças de marca, customizações específicas e de conteúdo. Já temos quatro ou cinco pilotos rodando”, afirma o executivo.

Blanco nos revelou que o Botafogo deve lançar uma nova MVNO através da Veek, também com o plano Freemium. É a segunda vez que o clube tenta lançar sua própria operadora — em dezembro de 2020, a Botafogo Celular foi lançada em parceria com a Dry Company, derivada da Surf Telecom e TIM.

Além disso, a Veek vê futuro em parcerias com foco empresarial. O CEO comentou sobre um acordo feito com uma rede de postos de combustíveis, cujo público-alvo do serviço móvel são os próprios frentistas.

Nesse projeto, a matriz utiliza a plataforma de check-ins para divulgar sobre metas, promoções e pequenos treinamentos em troca de internet grátis. A ideia nasceu a partir de um programa de benefícios oferecido aos funcionários da empresa de combustíveis, em que os principais resgates eram créditos para celular pré-pago.
Exclusivo: Veek prepara plano de celular grátis na rede da Vivo

Exclusivo: Veek prepara plano de celular grátis na rede da Vivo
Fonte: Tecnoblog

Android da Motorola não terá política de atualizações; saiba o motivo

Android da Motorola não terá política de atualizações; saiba o motivo

Motorola é a número 2 em vendas de celulares no mercado brasileiro (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(México) Sempre que noticiamos sobre um novo smartphone da Motorola, imediatamente os seguidores do Tecnoblog comentam sobre a falta de uma política consistente de atualizações do Android. O tema é tão recorrente que levei este assunto para dois porta-vozes da empresa. Em resumo, a empresa não tem planos de divulgar uma política unificada para todo o portfólio.

O gerente global de produtos de hardware, Thomas Milner, explica que as atualizações de Android e os pacotes de segurança “são mais complexos do que as pessoas imaginam”. Eles exigem o envolvimento de muitos engenheiros, muito trabalho e muitos recursos da companhia. Por isso, a ideia é evolui-la especificamente nos lançamentos da categoria premium, como os da linha Edge.

Ainda de acordo com Milner, os usuários de telefones premium costumam ficar dois anos com os mesmos produtos. O desafio da Motorola seria, portanto, propor regras de atualização que contemplem este período e ainda deem um chorinho enquanto a pessoa pensa em trocar de dispositivo.

Updates são um benefício de cada linha

A diretora-executiva global de marketing, Nicole Hagen, acrescenta que a fabricante encara os updates como um das variadas características dos produtos. O posicionamento dá a entender que ele é oferecido a quem topa pagar mais pelos aparelhos.

“Não quer dizer que o smartphone vá parar de funcionar depois disso, até porque muita coisa é atualizada via Google Play Store”, diz Milner. Por exemplo, o aplicativo nativo de câmera, um dos mais valorizados pelos usuários.

Hoje em dia, a rival Samsung oferece possivelmente a política mais generosa de todas: chega a cinco anos para versões de Android e sete anos para pacotes de segurança na linha do Galaxy S24, lançada em janeiro de 2024. Já a Apple não divulga um número exato, mas sabe-se que o iPhone também costuma receber novas versões de iOS por cinco anos.

Perfil dos usuários da Motorola

Pergunto se os usuários da Motorola não se importam com este tipo de coisa, já que os clientes das empresas acima citadas ficam alvoroçados diante do assunto. Thomas diz que alguns “com certeza querem saber mais disso, mas eles podem ser uma minoria vocal”. O executivo faz a ressalva de que é justo querer saber quanto tempo seu smartphone será contemplado por updates, mas que estes clientes “ficarão felizes conforme apresentarmos novos produtos, sempre bem equilibrados de recursos”.

Ao menos a Motorola será clara ao divulgar as regras de atualização para cada novo dispositivo que chegar ao mercado? “Sim, eu não vejo motivos para não fazermos isso”, pontua Milner. Não custa lembrar: de modo geral, os telefones da série Moto G recebem somente uma grande versão do sistema Android.

Thássius Veloso viajou para Tulum, no México, a convite da Motorola

Android da Motorola não terá política de atualizações; saiba o motivo

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Fonte: Tecnoblog

Contrabando de celular: Anatel quer parceria com a Receita Federal

Contrabando de celular: Anatel quer parceria com a Receita Federal

Contrabando de celular causou evasão fiscal de R$ 2 bilhões no primeiro semestre de 2023 (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A Anatel está na reta final de um projeto que ampliará o combate aos celulares irregulares – aqueles que chegam ao Brasil sem pagar os impostos. A agência se prepara para integrar o sistema da Receita Federal que permite visualizar contêineres e cargas que vêm do exterior. O presidente da Anatel acredita que haverá um upgrade quando o movimento for concluído.

Carlos Baigorri me disse numa conversa exclusiva que será possível direcionar as equipes de fiscalização. “Nós vamos evitar que eles cheguem de forma irregular”, conta o dirigente. Em outras palavras, os smartphones do mercado paralelo serão interceptados pela Agência Nacional de Telecomunicações antes de serem entregues às lojas.

O Siscomex é um sistema de comércio exterior controlado pelos servidores da Receita Federal, que permite fazer o acompanhamento tanto das importações quanto das exportações. Ele existe há 30 anos e é considerado essencial para o desembaraço de cargas que chegam ao território nacional. 

Siscomex: sistema integrado tem os trâmites para importação e exportação (Imagem: Divulgação/Receita Federal)

A solicitação para ingresso da Anatel é antiga: mais de 16 anos. Na agência, no entanto, a sensação é de que agora vai.

Passos importantes foram dados nos últimos meses, segundo o conselheiro Artur Coimbra, também da Anatel. Primeiro chegou a anuência do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Agora chegou a vez da Receita: o pedido de ingresso no Sistema Integrado de Comércio Exterior foi formalizado em janeiro de 2024. “Fui lá em 5 de fevereiro para reforçar a nossa solicitação”, diz Coimbra.

O conselheiro da Anatel ressalta que não há prazo para a manifestação da Receita. A avaliação do órgão é a última etapa para a concretização dos planos da agência.

Artur Coimbra é conselheiro da Anatel e especialista em regulação (Foto: Divulgação/Kenny Oliveira/Ministério das Comunicações)

O contrabando de smartphones disparou e bateu recorde em 2023: foram 5,5 milhões de unidades comercializadas em solo nacional, de acordo com uma estimativa divulgada pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), a principal interessada no assunto. Ela reúne companhias do porte de Apple, Motorola, Samsung e Xiaomi. Isso dá por volta de 21% do mercado total.

A organização estima que o governo deixou de arrecadar R$ 2 bilhões em impostos somente no primeiro semestre de 2023. Não foi divulgado o cálculo referente ao segundo semestre.
Contrabando de celular: Anatel quer parceria com a Receita Federal

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Fonte: Tecnoblog

Prepare-se para o fim definitivo dos planos com apps ilimitados

Prepare-se para o fim definitivo dos planos com apps ilimitados

Aos poucos, operadoras estão cortando os apps ilimitados (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

De Barcelona – Aqueles comerciais na TV com WhatsApp ilimitado, TikTok fora da franquia, Instagram com acesso grátis etc. estão com os dias contados. Na avaliação do presidente da Anatel, Carlos Baigorri, as empresas de telecomunicações do Brasil se encaminham para uma nova realidade, na qual irão cobrar pelo acesso a cada conteúdo disponível na internet.

O assunto esteve em pauta na principal feira de conectividade do mundo, a MWC 2024, realizada na semana passada. Eu conversei com Baigorri sobre este tema, tendo em vista, por exemplo, que a Claro fez em fevereiro o movimento de retirar alguns aplicativos ilimitados dos novos planos controle.

Entenda o caso

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações fez a ressalva de que o chamado zero rating não é uma questão regulatória, mas sim comercial. “As empresas de telefonia podem fazer isso. Faz mais de uma década que o Cade avaliou uma denúncia e concluiu que isso não fere a neutralidade da rede”. De acordo com ele, as operadoras não pagam à Meta, por exemplo, para incluir o WhatsApp nos pacotes. Trata-se apenas de uma licença de uso de imagem.

Não por acaso, as principais empresas do setor publicaram uma carta aberta reivindicando o fair share a poucos dias do início da MWC. Claro, TIM, Vivo e Algar Telecom aparecem entre as signatárias do documento. Elas querem que empresas do porte de Google (com seu YouTube), Meta (com Instagram e WhatsApp) e Netflix ajudem a pagar a conta da manutenção e expansão da infraestrutura de internet pelo mundo.

Operadoras da América Latina e Caribe cobram o chamado fair share (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

Claro, TIM, Vivo e Algar Telecom estão entre as signatárias do chamado (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

O grupo calcula que o consumo mensal médio de 11 GB por smartphone na América Latina deverá quadruplicar para 40 GB até 2028. Elas dizem que os bilhões de dólares movimentados pela indústria de telecomunicações na região não serão suficientes.

O presidente da Anatel nos contou que as reclamações sobre o tema ocorrem desde 2023. O discurso é de que as big tech ocupam a rede, ganham muito dinheiro e não sobra nada para as teles. Baigorri ainda revelou a resposta dele para esta queixa: “É lógico que estão ocupando a sua rede, você está dando tráfego de graça. Quer que aconteça o quê?”

Quando perguntado se essa é uma tendência, Baigorri me falou que “imagina que sim”.

Claro e TIM confirmam o fim do zero rating

As grandes companhias estão ligadas nisso. Numa conversa recente, eu perguntei ao diretor de marketing da Claro se estamos nos encaminhando para o fim do zero rating. Márcio Carvalho comentou: “Nós estamos remodelando a nossa oferta. Isso ocorre também em função da migração para o 5G, que tem maior velocidade. No passado, o Instagram era só foto, agora tem vídeo. Não tem como dar um cheque em branco sem saber o que os aplicativos vão fazer no dia seguinte.” Ele ainda disse que a Claro “tem o desafio de continuar investindo e remunerar este investimento.”

Em fevereiro, o presidente da TIM concedeu uma declaração similar à do executivo da Claro: “Fechamos a torneira para o zero rating. Todos os novos planos não têm zero rating para as redes sociais”. Alberto Grizelli ainda comentou que “o mundo era outro” quando a estratégia foi implementada.

E o consumidor, como fica?

Carlos Baigorri é presidente da Anatel (Foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Enquanto isso, o consumidor está gastando R$ 100, R$ 150, às vezes R$ 200 por mês para arcar com o custo da internet. Como explicar para este cliente que ele já paga por uma conexão que não deve ficar mais barata, mesmo com a entrada de um possível novo dinheiro?

Baigorri foi sincero: “Essa é uma boa pergunta, eu não sei. Precisava ver a postura do pessoal de marketing das operadoras. Eu compartilho dessa dúvida com você: como eles vão empacotar essa narrativa?”

Ele lembrou que a Agência Nacional de Telecomunicações está realizando uma tomada de subsídios sobre os deveres dos usuários de redes de telefonia. Eles valerão tanto para pessoas físicas – você e eu – quanto para provedores de aplicações que estão conectados à web – como o Google ou o Facebook.

Thássius Veloso viajou para a Espanha a convite da Honor
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Fonte: Tecnoblog

Exclusivo: TVs Hisense serão fabricadas pela Multi no Brasil

Exclusivo: TVs Hisense serão fabricadas pela Multi no Brasil

Resumo

Lançamento: A empresa chinesa Hisense fechou parceria com a Multi para o lançamento de TVs no Brasil, segundo apurou o Tecnoblog com exclusividade.
Minas Gerais: O cronograma prevê que os primeiros modelos sejam importados. No futuro, as TVs serão produzidas na fábrica da Multi em Extrema (MG).
Valores em segredo: O presidente da Hisense no Brasil disse que as TVs terão “preços acessíveis” e que os tamanhos vão variar de 65 a 110 polegadas.
Indústria: A antiga Multilaser já trabalha com a importação de produtos da DJI, Microsoft, Razer, Sony e Targus. Ela está finalizando uma parceria com a HMD, responsável pelos telefones Nokia.

TVs Hisense chegam ao Brasil em 2024, segundo presidente disse em entrevista ao Tecnoblog (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O lançamento das TVs Hisense no Brasil contará com o reforço da Multi, a antiga Multilaser. O conglomerado industrial será responsável pela fabricação dos televisores ao longo dos próximos meses e anos. A ideia da Hisense é inicialmente importar os produtos, mas depois iniciar a produção local.

O Tecnoblog apurou que a Hisense e a Multi chegaram a um entendimento. As TVs serão produzidas na fábrica de Extrema, em Minas Gerais. Este é um importante parque industrial, que recebeu investimento de milhões de reais.

Imagem aérea da fábrica em Extrema, no estado de Minas Gerais (Foto: Divulgação/Multi)

Conforme revelamos com exclusividade, a gigante das TVs Hisense pretende entrar na disputa com a Samsung e principalmente a LG no mercado brasileiro. O presidente Vincent Zhou me disse que serão comercializados televisores “a preços acessíveis”. Ele não deu detalhes sobre o line-up de 2024.

A parceria entre Hisense e Multi não é de hoje. A antiga Multilaser é a atual responsável pela fabricação das TVs Toshiba, marca que pertence à Hisense. Ou seja, bastaria uma readequação ou ampliação da planta para atender à produção dos novos equipamentos.

Interface do sistema Vidaa OS, usado nas TVs da Hisense (Foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

O presidente Vincent Zhou antecipou ao Tecnoblog que o planejamento prevê o lançamento de modelos de 65 até 110 polegadas. A entrevista ocorreu durante a feira CES 2024, que aconteceu em Las Vegas nas primeiras semanas de janeiro. As TVs vão rodar o sistema próprio Vidaa ou a plataforma Android TV, mantida pelo Google.

As TVs Hisense de menor tamanho até serão lançadas no Brasil, mas não serão o foco da empresa. Os executivos costumam bater na tecla de que a Hisense é a número dois em televisores em diversos países, inclusive os Estados Unidos.

A Multi é parceria de diversas marcas conhecidas. Ela faz a importação de produtos da DJI, Microsoft, Razer, Sony e Targus. Ela está por trás dos telefones da Nokia, mas o acordo de cooperação está perto do fim e a própria marca Nokia deve desaparecer.

Exclusivo: TVs Hisense serão fabricadas pela Multi no Brasil

Exclusivo: TVs Hisense serão fabricadas pela Multi no Brasil
Fonte: Tecnoblog

TV box ilegal: Anatel recomenda jogar fora os aparelhos infectados

TV box ilegal: Anatel recomenda jogar fora os aparelhos infectados

Pesquisadores chineses descobriram uma botnet composta por TV boxes infectadas (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

A notícia de uma botnet composta por TV boxes ilegais acendeu o sinal de alerta na Anatel. O conselheiro Artur Coimbra recomendou que os consumidores joguem fora os equipamentos infectados. Ou, nas palavras dele, que “descartem” os dispositivos por causa dos riscos de segurança. Coimbra falou com exclusividade ao Tecnoblog.

O posicionamento do representante da agência ocorre na esteira de uma denúncia feita por um centro de pesquisas chinês. Mais de 1,3 milhão de endereços IP localizados no Brasil estavam em uso por uma botnet. Os equipamentos zumbis continham vírus e outros malwares, de modo que podiam ser acionados remotamente para cumprir inúmeras tarefas.

Os especialistas chinesesdizem que a maioria das TV boxes e dos IPs encontrados é do Brasil. São Paulo é o estado com mais aparelhos infectados, seguido pelo Rio de Janeiro. Também foram citados os estados de Amazonas, Tocantins, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Paraná e Santa Catarina.

Coimbra me disse que o órgão já tinha indícios de uma atividade suspeita sendo realizada também pela internet brasileira a partir de agosto de 2023. Ele ainda explicou que os provedores de acesso cumpriram diversos protocolos para conter a ameaça.

Sem certificação

Artur Coimbra é conselheiro da Anatel e especialista em regulação (Foto: Divulgação/Kenny Oliveira/Ministério das Comunicações)

“O consumidor muitas vezes não sente na pele os problemas de comprar uma TV box irregular. Ele pode até achar que é legal porque pagou centenas de reais na caixinha. No entanto, não é certificada pela Anatel e ainda permite consumo de conteúdo furtado. Se você tem uma dessas, descarte.”
Artur Coimbra – Conselheiro da Anatel

Ele ainda recomendou que os usuários busquem pelo selo da agência antes de fechar a compra de uma nova TV box. Existem diversas opções em conformidade com a lei brasileira. No entanto, as TV boxes ilegais se tornaram febre por destravarem o acesso a plataformas de streaming e canais da TV por assinatura.

Sistema Android TV

Coimbra lembrou que as TV boxes com sistema Android TV (ou mesmo Android, em alguns casos) podem até rodar um sistema desenvolvido por uma grande empresa, no caso o Google, mas não contam com mecanismos básicos de proteção. Elas não costumam receber os pacotes de segurança mais recentes, por exemplo.

O laboratório antipirataria da Anatel já encontrou cavalos de Troia e backdoors embarcadas em unidades de TV box irregular, de acordo com um levantamento de 2022. Com isso, atacantes conseguem controlar remotamente os aparelhos e ainda podem ter acesso aos demais aparelhos na rede doméstica daquele consumidor.

Coimbra disse que a comunicação das TV boxes irregulares com a internet não recebe o mesmo tipo de criptografia visto nos aparelhos regulares. Ou seja, em tese seria possível interceptar e ler os dados.
TV box ilegal: Anatel recomenda jogar fora os aparelhos infectados

TV box ilegal: Anatel recomenda jogar fora os aparelhos infectados
Fonte: Tecnoblog

Exclusivo: Vivo revela preço da nova internet fixa via 5G

Exclusivo: Vivo revela preço da nova internet fixa via 5G

Vivo Box 5G é anunciado oficialmente (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

A Vivo anuncia nesta quarta-feira (24/01) o início das vendas do Vivo Box 5G, serviço de internet banda larga com conexão 5G. A informação foi confirmada ao Tecnoblog com exclusividade. A mensalidade do plano com franquia de 150 GB sai por R$ 150.

Além do serviço em si, os consumidores também precisarão comprar o roteador, que não está incluso no valor. A própria operadora vai comercializar o Intelbras GX 3000 pelo preço sugerido de R$ 1.499. Ele pode ser parcelado de 10 (na maioria dos cartões) a 18 vezes (no cartão Vivo Itaú).

De acordo com a empresa, os consumidores terão mais mobilidade, já que o roteador com acesso ao chamado 5G FWA pode ser levado para mais de 170 cidades que contam com a rede 5G da Vivo. Não são necessárias obras nem instalações de cabos na casa do cliente. A Vivo diz que basta ligar o dispositivo para ter acesso à internet.

Roteador Intelbras GX3000 sai por R$ 1.899 na loja da Vivo (Imagem: Divulgação/Intelbras)

Nós do Tecnoblog acompanhamos o assunto desde novembro de 2023, quando noticiamos os preparativos para esta oferta, que complementa o negócio de fibra ótica da Vivo. Dissemos, naquela ocasião, que a data permanecia em segredo. Demorou, mas este dia chegou. A comercialização começa hoje mesmo nas mais de 1,8 mil lojas físicas e também na loja online da Vivo.

O que é Vivo Box 5G?

O Vivo Box 5G é o serviço de banda larga fixa por meio da rede 5G. Ele já era ofertado pela Vivo a clientes corporativos, mas de forma muito tímida. A partir de janeiro de 2024, pessoas físicas também podem contratar a novidade. O plano com 150 GB sai por R$ 150/mês. Também é necessário comprar um roteador compatível.

Os documentos submetidos à Anatel explicam que o acesso pode ocorrer por 5G DSS, 5G NSA ou 5G SA. Ou seja, contempla todos os formatos da internet móvel de quinta geração, desde o mais simples até o mais avançado/rápido.

Ainda não sabemos qual deve ser a taxa de download e de upload do serviço. A Vivo foi consultada e este texto será atualizado caso a empresa se manifeste.

Concorrência da Claro

A Vivo irá concorrer com a Claro, que oferece internet fixa via 5G desde agosto de 2023. A companhia de origem mexicana cobra R$ 199,90/mês por 200 GB e R$ 399,90 por 400 GB.

Em resumo, os preços praticados por Vivo e Claro estão muito alinhados. Quem quiser pagar o menor valor possível provavelmente irá se interessar mais pela Vivo, que oferece um plano econômico (tanto em cifras quanto em franquia de dados).
Exclusivo: Vivo revela preço da nova internet fixa via 5G

Exclusivo: Vivo revela preço da nova internet fixa via 5G
Fonte: Tecnoblog

Exclusivo: Hisense lançará TVs no Brasil e quer tomar o lugar da LG

Exclusivo: Hisense lançará TVs no Brasil e quer tomar o lugar da LG

Hisense demonstra TV de 110 polegadas durante a CES 2024 (Foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Resumo

A Hisense prepara o lançamento de TVs no Brasil. Ela articula vendas com Casas Bahia, Fast Shop, Carrefour e Amazon.
A empresa almeja a segunda posição no mercado, atualmente ocupada pela LG.
O diretor comercial Fábio Kuada diz que o Brasil é o segundo maior mercado de TVs nas Américas e tem grande potencial de crescimento.
O presidente da Hisense no país prometeu TVs com “preços acessíveis” em entrevista ao Tecnoblog.
São esperadas smart TVs de 32 a 110 polegadas. Algumas terão sistema Vidaa OS e as mais sofisticadas contarão com Android TV.
Detalhes de modelos e preços ainda não foram divulgados. O lançamento oficial é esperado entre abril e maio.

Os preparativos da gigante chinesa Hisense para lançar TVs próprias no Brasil seguem a todo vapor. A companhia está articulando as vendas com parceiros comerciais do porte de Casas Bahia, Fast Shop, Carrefour e Amazon. Na estratégia de médio prazo, a empresa acredita que conseguirá ocupar a segunda posição do mercado, que atualmente pertence à LG. Ficaria, portanto, atrás apenas da Samsung.

O diretor comercial Fábio Kuada me explicou que o Brasil tem o segundo maior mercado de TVs do continente americano, logo depois dos Estados Unidos. Há muito espaço para crescimento, na visão dele. A Casas Bahia deverá ter papel crucial no desenvolvimento de estratégias de comercialização dos produtos.

Não custa lembrar: o presidente da Hisense no Brasil revelou os planos iniciais numa entrevista exclusiva ao Tecnoblog. Ele prometeu “preços acessíveis”.

Controle remoto de TV Hisense com sistema Vidaa OS (Foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

De olho na LG

O assunto segue rendendo. De acordo com Kuada, a Hisense tradicionalmente ocupa a segunda posição nos países em que atua. Ele acredita que a situação brasileira seguirá este mesmo caminho.

Estão previstos os lançamentos de smart TVs dos mais variados tamanhos, desde 32 até 110 polegadas. Várias delas terão sistema Vidaa, da própria Hisense. Os itens mais caros e sofisticados contarão com Android TV.

@tecnoblog As TVs da Hisense chegarão ao Brasil por preços acessíveis, promete o presidente da empresa. Com exclusividade ao Tecnoblog, o executivo da companhia revelou que está acertando os últimos detalhes para que os produtos desembarquem no país entre abril e maio. Todas as TVs de tela grande terão garantia de dois anos, um diferencial em relação a outras marcas no mercado. O que acha da novidade? Veja a matéria completa e mais detalhes em tecnoblog.net #tvs #smartvs #hisense #ces #ces2024 #techtok #technology #tecnologia ♬ som original – Tecnoblog

A Hisense por ora não detalhou os modelos nem os preços no Brasil. A expectativa é de que ela realize um evento oficial de lançamento nos próximos meses. As TVs devem chegar às lojas entre abril e maio, caso os planos atuais se concretizem.

Pelo menos um modelo está certo de vir para cá: a Hisense A4N, com tela de 32 ou 43 polegadas. O site oficial da Hisense passou a mostrar o produto, dizendo ainda que a chegada dela será “em breve”.

Site oficial mostra a Hisense A4N (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

Estratégia de marketing

A diretora de marketing Thaís Nogueira contou que a Hisense se apóia principalmente nos esportes para divulgar suas mensagens. Ela tem parceria com a NBA, principal liga de basquete dos Estados Unidos, e patrocina a Eurocopa, da Uefa, que acontece entre junho e julho de 2024.

A executiva revelou planos de contratar alguma personalidade do mundo desportivo para ser o embaixador ou a embaixadora da marca por aqui. O martelo ainda não foi batido.
Exclusivo: Hisense lançará TVs no Brasil e quer tomar o lugar da LG

Exclusivo: Hisense lançará TVs no Brasil e quer tomar o lugar da LG
Fonte: Tecnoblog

O Galaxy leva a mágica da IA para a vida das pessoas, diz VP da Samsung

O Galaxy leva a mágica da IA para a vida das pessoas, diz VP da Samsung

Gustavo Assunção lidera a divisão de dispositivos móveis no Brasil (Foto: Divulgação/Samsung)

A Samsung quer fazer barulho com a chegada do Galaxy AI – tanto que o investimento no lançamento do Galaxy S24 será 25% maior do que no Galaxy S23. A informação foi revelada por Gustavo Assunção, o vice-presidente de dispositivos móveis, num bate-papo com o Tecnoblog. Eu o entrevistei por cerca de uma hora, para entender como pensa um dos principais nomes do mercado de smartphones do Brasil.

A linha do Galaxy S24 foi anunciada nesta quarta-feira (dia 17) com preços no Brasil a partir de R$ 5.999. Gustavo reflete sobre a aposta na IA: “tiramos a fricção, pois era algo muito fragmentado e agora entregamos um produto pronto para o consumidor”. Ele afirma que as novas ferramentas de inteligência artificial precisam ser simples para que as pessoas possam adotá-las no dia a dia. A meta da gigante sul-coreana é democratizá-las.

O executivo fala dos bastidores da chegada do produto, com direito a perguntas sobre temas controversos, como o chip Exynos e o corpo de titânio. Gustavo se mostra animado com a trajetória da linha Galaxy S, que, segundo ele, é amada pelos consumidores. Ele também projeta crescimento “de dois dígitos” em 2024.

Confira a entrevista nas linhas a seguir. As falas foram editadas para fins de clareza e brevidade.

 O lançamento do Galaxy AI

Galaxy AI: botão de gerar conteúdo está presente no S24 (Imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Thássius Veloso (Tecnoblog) – Qual vai ser a estratégia da Samsung para promover algo que me parece ser mais software do que hardware na parte da inteligência artificial?

Gustavo Assunção (Samsung) – O Galaxy S24 é apenas o primeiro produto da Samsung com esta tecnologia. Nós temos a clara intenção de expadir o Galaxy AI para outros smartphones. Serão dois ou três, provavelmente no segundo semestre. Queremos prestigiar as pessoas que compraram gerações anteriores do Galaxy. Para isso, os telefones precisam ter o devido poder de processamento.

O Galaxy AI vai ser gratuito ou pago?

Totalmente gratuito. A gente não tem previsão de cobrar pela plataforma, seja no curto, médio ou longo prazo. Queremos democratizar o acesso à inteligência artificial, e por isso oferecemos o Galaxy AI de graça para os nossos consumidores.

Eu pergunto isso porque o ChatGPT tem uma modalidade mais sofisticada que requer assinatura. Algumas partes do Microsoft Copilot também. Como a Samsung vai bancar a IA de graça enquanto os outros cobram? Essa conta não tá fechando.

Eu não posso falar dessas empresas, até porque não conheço os modelos de negócios delas. Mas asseguro que não temos nenhuma intenção de cobrança pelo Galaxy AI. A nossa intenção aqui é de ser a marca inovadora que trouxe a inteligência artificial para os dispositivos móveis. Naturalmente que também queremos trazer novos usuários para a plataforma Galaxy.

Galaxy AI pode formatar texto para você (Foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

O que você, enquanto pessoa de negócios, tem usado de inteligência artificial?

A gente viu a mágica da inteligência artificial com o ChatGPT. Eu comecei a pagar a assinatura logo no lançamento e usei por um tempo. Hoje em dia uso bem pouco, mas passei a me interessar mais pelo assunto. Muita gente estuda e fala disso, mas ainda não tem uma aplicação específica que mude a nossa vida. Estamos vivendo o início de algo maior que está por vir. Acredito que a IA é diferente do metaverso, que foi hype há alguns anos. O Galaxy AI traz benefícios reais para o consumidor.

Chip Exynos e chegada ao Brasil

O Galaxy S24 e o Galaxy S24 Plus usam o processador Exynos 2400, da própria Samsung, enquanto o Galaxy S24 Ultra tem Snapdragon 8 Gen 3, da Qualcomm. Sempre dá polêmica quando a gente fala do Exynos. Então pergunto: por que este chip? A Samsung está preparada para as críticas?

A escolha do processador obedece a alguns aspectos maiores do que somente o negócio de smartphones. Nós levamos em consideração a disponibilidade de chips, a nossa visão para o Exynos e os testes de desempenho nas redes de telefonia de cada país. Entendemos que, no caso do Brasil, poderíamos trazer o Snapdragon no Ultra e o recém-lançado Exynos 2400 nas versões básica e Plus. Recentemente lançamos o Galaxy S23 FE também com Exynos e vimos pela imprensa especializada que ele tem performance muito melhor. A Samsung não faria esse movimento se não estivesse muito confiante no que está oferecendo.

Como será a chegada do S24 ao Brasil? Haverá espera em relação aos Estados Unidos?

Novamente temos um lançamento no Brasil simultâneo ao global. Os produtos estão nas lojas desde quarta-feira (dia 17/01), para que as pessoas possam conhecê-lo melhor. Também estão nas operadoras, em parceiros comerciais e no varejo em geral. A nossa pré-venda oferece o dobro de memória pelo mesmo preço. É a mesma oferta que tivemos no S23 e foi muito bem aceita. Também daremos o que chamamos de boost no trade-in. A Samsung aumenta o valor residual do aparelho antigo durante as três semanas de pré-venda. Ou seja, o smartphone atual passa a valer mais na troca pelo S24.

Por que a estratégia do armazenamento em dobro foi tão bem sucedida?

Os nossos dados internos mostram que as pessoas usam muito armazenamento do aparelho, por mais que tenham acesso à nuvem. Isso tem a ver com jogos, música, streaming. Ainda existia dúvida se a estratégia traria valor para o consumidor, mas os resultados de 2023 mostraram que sim. Temos total confiança de que seremos novamente vitoriosos neste ano.

Smartwatch de brinde? Não

Mas Gustavo, até aí eu não vejo nada de novo em relação ao ano passado. Cadê a inovação nessa parte?

Nós fizemos um trabalho importante com as operadoras para oferecer planos específicos para quem quer o Galaxy S24, até porque alguns serviços do Galaxy AI usam a rede de telefonia. Eles também são nossos sócios no processo de comunicação da chegada do S24. Teremos ofertas especiais na nossa loja própria, desta vez em conjunto com outros dispositivos do ecossistema Galaxy, como os fones de ouvido.

Galaxy Watch 6, lançamento de 2023 (Imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Vocês vão dar relógio de brinde?

Não faremos isso. É algo que eu te contei em outra entrevista e provou ser a estratégia correta. Tivemos um resultado muito bacana com o Galaxy Watch 6 em 2023. Nós recuperamos o negócio de smartwatches no Brasil. Vimos que as pessoas veem valor e estão dispostas a pagar pelo relógio.

Você disse que “recuperou”. Então a situação estava ruim?

A gente vinha de uma situação em que o smartwatch era usado como brinde, o que naturalmente leva a uma perda de valor deste produto. Isso foi resolvido. O Galaxy Watch 6 vendeu cerca de três vezes mais do que o Watch 5. Ele foi comercializado desde o começo, sem ser dado de graça na compra do Galaxy S23. A Samsung tem a vocação de oferecer um ecossistema completo de produtos tecnológicos.

Os smartphones estão todos iguais?

Eu já te perguntei se os celulares estavam todos iguais e você disse que não era bem assim. Agora eu fiquei muito impressionado com o que vi de Galaxy AI porque a impressão é de que essa nova inteligência está na ponta dos seus dedos. Você diria que é uma virada de página?

Sem dúvida nenhuma. Acho que é importante voltar um pouquinho e reconhecer que a inteligência artificial não é algo novo. Ela já está na nossa vida e você sabe muito bem disso. Vários dos nossos aparelhos têm otimização de bateria, por exemplo, mas isso era invisível para o consumidor. A Samsung entendeu que a IA precisa ser simples para o usuário. O Galaxy AI é exatamente assim: fácil de usar e seguro. A gente se preocupou para que as pessoas possam ter a mágica da inteligência artificial no dia a dia delas.

Como fica a privacidade? O Galaxy AI tem acesso às mensagens das pessoas no WhatsApp, às fotos e muito mais. Existe o receio de que estes dados sejam repassados a terceiros.

A pauta da privacidade e da segurança é um pilar para a Samsung enquanto corporação. Permeia todo o negócio, independentemente de ser Galaxy AI ou não. Nesse novo serviço nós usamos criptografia de ponta a ponta. Já as ferramentas de tradução não aprendem com o que é dito pelo usuário porque rodam dentro do dispositivo. Nós estamos tomando todas as medidas possíveis para deixar o usuário confortável com relação a isso.

A Samsung divulgou o compromisso de atualizar o Android do S24 por sete anos. Ou seja, ele sai com o Android 14 e terá, lá na frente, o Android 21. Como vocês podem ter certeza de que um smartphone de 2024 será capaz de rodar um sistema que ainda nem existe, que não tem como saber o quão pesado será?

Nossa intenção é assegurar que o usuário Samsung que optou pela compra de um S24 receba atualizações, esteja sempre seguro e apto a usar todos os recursos disponíveis. Isso naturalmente aumenta o valor do produto. Hoje existe o mercado de economia circular, em que o aparelho antigo é parte do pagamento do aparelho novo. A Samsung está muito atenta a este novo comportamento. Por isso trabalhamos para aumentar a longevidade do aparelho. O cliente tira máximo proveito por mais tempo e isso aumenta o valor de ter um Galaxy S24.

Celular de titânio e a disputa com a Apple

Galaxy S24 Ultra tem quatro câmeras traseiras, duas delas teleobjetivas de 3x e 5x (Foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

A gente entra numa característica que me chamou a atenção: a carcaça de titânio no Galaxy S24 Ultra. A Apple fez exatamente o mesmo com o iPhone 15 Pro e o Pro Max há alguns meses. Por que a Samsung decidiu por este caminho?

A Samsung tem um pipeline próprio de pesquisa e desenvolvimento. Isso já estava previsto muito antes do nosso concorrente fazer. Não teria como mudar o projeto em poucos meses.

Fiquei curioso em saber o quão antes. Como é o processo de criação de um novo celular?

Toda a parte de R&D começa cerca de dois anos antes do lançamento final. Hoje mesmo nós estamos conversando um pouco sobre os recursos do flagship de 2025.

Pergunto isso porque o consumidor não sabe como funciona. Às vezes ele acha que a Apple fez algo e que a Samsung repetiu logo em seguida.

Exatamente, é impossível fazer isso. O titânio é muito importante porque dá mais durabilidade ao produto. No entanto, nosso principal diferencial é a inovação que o Galaxy AI traz ao mercado móvel.

Tá muito nítido que vocês estão jogando junto com o Google na parte de busca na web. E a Microsoft?

O Galaxy AI é fruto de uma colaboração dessas três empresas. Acho que muita coisa vai acontecer ao longo dos próximos anos. A Samsung sempre tem uma postura de colaboração aberta com esses parceiros. O Galaxy AI também permeará os laptops, e aqui entra um contato importante com a Microsoft. Essa colaboração extrapola os smartphones.

Galaxy S é amado pelos consumidores

Aparelhos da linha Galaxy S24 saem da caixa com Android 14 e One UI 6.1 (Foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Eu queria entrar num tema mais abrangente: a marca Samsung. Hoje em dia, quando a gente pensa nas caixinhas em que as marcas são colocadas, todo mundo fica tentando ser uma love brand – o consumidor quer ter tudo daquela empresa e muitas vezes não se importa com a ficha técnica. O que vocês fazem para entrar nessa categoria de love brand?

A Samsung tem uma abordagem mais democrática do que as outras empresas de tecnologia porque estamos em várias categorias de produtos. Portanto, há o ônus e o bônus de ser uma marca mainstream. Quando estudamos os cases do mercado, vemos que marcas abastadas abrem mão de consumidores para serem amadas. Nós queremos atender a todos. Fazemos muita pesquisa e temos o entendimento de que a Samsung é amada pelos consumidores de Galaxy S. O índice de retenção é muito alto. Só não posso te abrir os dados porque são estratégicos, mas sabemos que os usuários do Galaxy S Ultra costumam migrar para um novo Ultra de tempos em tempos.

Então você acha que as pessoas desejam o Galaxy S, às vezes sem se importar tanto com especificações técnicas, mas pelo estilo de vida?

Sim. Um exemplo: pessoas que querem a liberdade de um sistema operacional aberto. Elas encontram isso no aparelho da Samsung. Temos os recursos mais robustos do mercado, o melhor design, e agora a inteligência artificial. 

Os clientes de Galaxy S trocam de aparelho com que frequência?

Eu diria que os usuários de Ultra fazem isso a cada dois anos, eventualmente até um ano e meio. A gente percebe que o ciclo de troca está se estendendo, caminhando para os três anos. Iniciativas como a do Sempre de Samsung encorajam a troca.

Crescimento de dois dígitos

O mercado de celulares passa por um momento de estabilidade. Você acredita que a IA irá elevar as vendas ou que os esforços são no sentido de manter os patamares atuais?

Eu diria que o mercado oficial registrou desempenho positivo no ano passado. Nós deixamos de captar uma parte dos clientes que optou pelo mercado não oficial. Já o segmento premium. Ele não foi afetado pela condição macroeconômica.

Mas eu te perguntei se a meta é manter vendas estáveis ou crescer…

Crescimento, sem dúvida nenhuma. A Samsung projeta crescimento de dois dígitos.

Confira o Galaxy AI em ação no vídeo abaixo

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Fonte: Tecnoblog