Category: concorrência

Itália multa Apple por considerar que recurso de privacidade é abusivo

Itália multa Apple por considerar que recurso de privacidade é abusivo

Apple vai recorrer da decisão (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A Autoridade Italiana para Concorrência multou a Apple em 98,6 milhões de euros por considerar o App Tracking Transparency (ATT) prejudicial a desenvolvedores e anunciantes.
O ATT, lançado com o iOS 14.5 em 2021, exige consentimento explícito dos usuários para rastreamento, o que, segundo as autoridades, obriga um pedido duplo de consentimento, prejudicando o modelo de negócios baseado em anúncios.
A decisão italiana segue investigações similares na Alemanha, Polônia e França, com especulações de que a Apple pode descontinuar o ATT na União Europeia.

A Autoridade Italiana para Concorrência impôs uma multa de 98,6 milhões de euros (cerca de R$ 650 milhões, em conversão direta) por julgar que o App Tracking Transparency (ATT) permite que a empresa abuse de sua posição de mercado.

O órgão considerou que a funcionalidade, presente nos produtos da marca desde 2021, é prejudicial a desenvolvedores de aplicativos, a anunciantes e a plataformas de intermediação de publicidade, além de beneficiar a própria Apple direta e indiretamente. A companhia avisou que vai recorrer da decisão.

O que é o ATT?

Antes de entrar no julgamento em si, vale relembrar o que é o App Tracking Transparency (ou Transparência do Rastreamento de Apps, na versão em português do sistema).

Lançado com o iOS 14.5, em 2021, o ATT obriga que apps obtenham consentimento explícito do usuário para rastrear sua navegação e acessar o identificador de publicidade do dispositivo. Esses dados são usados por plataformas e anunciantes para segmentar o público e direcionar propagandas de modo mais preciso.

ATT está presente desde o iOS 14.5 (foto: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

A Apple alega que essa exigência serve para proteger a privacidade dos usuários. Outras empresas, porém, passaram a se queixar. A opositora mais veemente foi a Meta (então ainda chamada Facebook), que disse que a mudança colocava em risco metade de seu faturamento com anúncios exibidos fora das redes sociais. No Brasil, inclusive, a Meta acusou a Apple de fazer “privacy washing”.

Qual o problema com o ATT, de acordo com as autoridades italianas?

No comunicado publicado sobre a multa, a Autoridade Italiana para Concorrência diz que o principal problema é obrigar os desenvolvedores a pedir autorização dos usuários duas vezes.

Como a solicitação exigida pela Apple não atende aos requisitos legais da União Europeia, os responsáveis pelos apps precisam fazer um segundo pedido aos usuários.

“Esse pedido duplo de consentimento é nocivo a desenvolvedores, cujo modelo de negócio se baseia na venda de espaço para anúncios, bem como a anunciantes e plataformas de intermediação de publicidade”, escreve a entidade.

A autoridade avalia ainda que as exigências são desproporcionais à proteção de dados pessoais conferida pelo ATT. “A Apple poderia ter alcançado o mesmo nível de privacidade para seus usuários por meios que impusessem menos restrições à concorrência”, argumenta.

Por fim, o órgão também afirma que as regras são capazes de gerar benefícios financeiros à Apple, de duas formas. Uma delas é direta: os desenvolvedores passam a ganhar menos com publicidade e precisam recorrer a outras formas, como vendas dentro do app, que pagam comissões à empresa. A outra é indireta: prejudicando plataformas de anúncios, a Apple torna seu próprio serviço do tipo mais competitivo.

A Itália não é o primeiro país europeu a repreender a Apple pelo ATT. Alemanha e Polônia investigam o caso, e a França também impôs uma multa na casa das centenas de milhões de euros. Por isso, especula-se que a Apple pode parar de oferecer a funcionalidade na União Europeia.

Com informações do MacRumors

Itália multa Apple por considerar que recurso de privacidade é abusivo

Itália multa Apple por considerar que recurso de privacidade é abusivo
Fonte: Tecnoblog

Plano do Spotify com áudio lossless pode estar quase pronto

Plano do Spotify com áudio lossless pode estar quase pronto

Executivo do Spotify diz que custos de contratos estão atrasando plano HiFi (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Uma tela que supostamente seria do Spotify e foi publicada no Reddit sugere que o plano com áudio lossless pode finalmente ser lançado. De acordo com o usuário OhItsTom, a versão 1.2.36 do aplicativo para desktop traz configurações de som que incluem uma opção sem perdas, com formato FLAC de até 2.117 kb/s e qualidade de 24 bits e 44,1 kHz.

Outra tela do aplicativo tem testes para certificar que o aparelho, o tipo de conexão e a largura de banda são adequados para a reprodução de áudio lossless. A interface recomenda fazer o download das faixas para melhorar a experiência — em uma conexão ruim, a taxa de transferência pode não ser suficiente, e o áudio pode ficar cortando. Outra sugestão é não usar Bluetooth, preferindo cabos ou o Spotify Connect.

Tela do Spotify com recomendações para aproveitar áudio lossless (Imagem: Reprodução / Spotify)

A qualidade de áudio de 24 bits e 44,1 kHz, com arquivos no formato FLAC, já tinha sido encontrada em códigos de versões anteriores do aplicativo, lançadas em abril de 2024. Mesmo assim, por enquanto, nada de músicas sem perdas de qualidade na plataforma.

O usuário OhItsTom também alega que o Spotify vem se referindo internamente ao áudio lossless como “audição aprimorada” e não HiFi. Em outros supostos vazamentos, o nome usado era mesmo “Lossless”. Até mesmo uma opção chamada “Supremium” teria sido considerada, com outros recursos avançados.

Concorrentes do Spotify já oferecem lossless

O Spotify anunciou um plano HiFi em fevereiro de 2021, mas de lá para cá, a empresa praticamente não se manifestou sobre o assunto.

Uma dessas raras declarações foi em março de 2023. Gustav Söderström, co-presidente do Spotify, disse que a companhia estava tentando se adaptar à nova realidade do setor. O áudio sem perdas de qualidade representa um custo maior, principalmente em relação a contratos com selos e gravadoras.

De lá para cá, o Spotify passou a contar com videoclipes no app, um feed à la TikTok e até uma inteligência artificial que simula o DJ de uma rádio personalizada para o usuário. Enquanto isso, Apple Music, Amazon Music, Deezer e Tidal contam com áudio lossless em seus planos básicos.

Com informações: The Verge
Plano do Spotify com áudio lossless pode estar quase pronto

Plano do Spotify com áudio lossless pode estar quase pronto
Fonte: Tecnoblog

Camarão que dorme, a onda leva

Camarão que dorme, a onda leva

Qualquer empresa quer ser a maior em seu setor. Mas a supremacia pode ter um preço: a empresa se torna muito grande, e, com isso, perde o dinamismo. Talvez até se acomode um pouco. O resultado é uma dificuldade maior para inovar, pensar além do modelo de negócios que já dá certo. Então, quando um novo concorrente ou tecnologia disruptiva aparecem, o dominante acaba sendo pego de surpresa.

Camarão que dorme, a onda leva (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

No episódio de hoje, pegamos carona na situação de gigantes como Google e Meta para refletir sobre o que acontece quando uma empresa se torna grande demais. Acredite: passar muitos anos no topo tem lá os seus riscos. Dá o play e vem com a gente!

Participantes

Thiago Mobilon

Paulo Higa

Emerson Alecrim

Josué de Oliveira

Citado no episódio

Funcionários do Google não gostaram nada do anúncio do Bard

Créditos

Produção: Josué de Oliveira

Sonorização: Ariel Liborio

Edição: Raquel Igne

Arte da capa: Vitor Pádua

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Camarão que dorme, a onda leva

Camarão que dorme, a onda leva
Fonte: Tecnoblog