Sony diz que produção de discos do PlayStation cairá apenas 10%
Sony diz que produção de discos do PlayStation cairá apenas 10%
Títulos antigos continuarão recebendo versões em disco (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
A Sony confirmou que a produção de discos do PlayStation cairá apenas 10% em 2028, e não 90%.
O fim da mídia física está mantido exclusivamente para novos lançamentos a partir de 2028; títulos antigos e encomendas já feitas continuarão sendo fabricados.
Shawn Layden, ex-presidente da Sony Interactive Entertainment America, criticou o foco 100% digital, alertando que o fim dos discos ameaça o colecionismo e o real direito de propriedade dos jogadores.
A Sony esclareceu que a produção de discos físicos para o PlayStation sofrerá uma redução de 10% no volume a partir de janeiro de 2028, corrigindo a projeção inicial que apontava para o corte bem mais drástico de 90%. A confusão ocorreu após declarações dadas em julho pelo chefe da Sony Digital Audio Disc Corporation (DADC), Dietmar Tanzer, gerando apreensão no mercado.
Um porta-voz da companhia explicou ao portal Game que o executivo previu um declínio geral de 10% na fabricação, e não uma redução brusca para apenas 10% da capacidade total. O futuro da produção após o ano de 2028, no entanto, segue incerto.
Afinal, o que muda?
Apesar de reconhecer as críticas dos fãs e consumidores, a gigante japonesa deve manter a estratégia de encerrar a mídia física para novos lançamentos a partir de 2028. A boa notícia é que os títulos anteriores e as encomendas já realizadas seguirão em ritmo normal.
Diferentemente da Microsoft, que certifica terceiros para replicar os discos de Xbox, a Sony possui um processo proprietário de prensagem. Essa exclusividade dificulta a fabricação externa, a menos que ocorra um acordo formal de licenciamento.
Segundo o analista da firma Niko Partners, Daniel Ahmad, a estratégia de abandonar os discos busca outra meta: concentrar os gastos dos compradores na PlayStation Store. Para se ter uma ideia, enquanto um jogo de US$ 70 (cerca de R$ 359) rende à empresa aproximadamente US$ 21 (R$ 108) no formato digital, a mesma transação no varejo físico faz o lucro cair pela metade.
Processo proprietário da Sony impede que fábricas terceirizadas produzam discos (Imagem: Vivi Werneck/Tecnoblog)
Qual é o impacto na relação com a comunidade?
Para o ex-presidente da Sony Interactive Entertainment America, Shawn Layden, um futuro sem discos é “deprimente, mas solucionável”. Ele alerta que justificar mudanças operacionais usando apenas a matemática financeira ameaça o valor da marca. O descontentamento ficou claro recentemente, a ponto da Sony restringir a comunicação de seus estúdios em resposta à forte indignação da comunidade.
“Se não pode revender, você realmente é dono?”, questionou o ex-executivo, abordando a diferença entre posse e acesso digital. O debate sobre os direitos dos jogadores ganha ainda mais força nos tribunais: recentemente, a própria Sony rebateu uma ação coletiva, afirmando que não engana consumidores quanto às limitações de controle e revenda de itens digitais adquiridos em sua plataforma.
Por fim, Layden comparou o setor de videogames aos livros e ao vinil, mídias que resistiram às previsões de extinção graças aos colecionadores. Para ele, o hábito de preservar jogos na estante e adquirir edições especiais são parte da “identidade gamer” e entregam itens exclusivos que jamais poderão ser substituídos por um download.
Sony diz que produção de discos do PlayStation cairá apenas 10%
Sony diz que produção de discos do PlayStation cairá apenas 10%
Fonte: Tecnoblog
