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O que é Bitcoin? Entenda como funciona a moeda digital descentralizada

O que é Bitcoin? Entenda como funciona a moeda digital descentralizada

Representação do Bitcoin em formato de moeda física (Imagem: Jorge Franganillo / Flickr)

O Bitcoin foi a primeira criptomoeda descentralizada do mundo, sendo usada como uma moeda comum ou como reserva de valor.

Por se tratar de um ativo digital escasso, aproximadamente a cada quatro anos sua emissão é reduzida pela metade, o que historicamente tem sido associado a ciclos de valorização.

No entanto, o Bitcoin pode apresentar alguns riscos de desvalorização, principalmente se você deseja usá-lo como moeda de troca diária, já que se trata de um ativo extremamente volátil.

A seguir, entenda como funciona toda a estrutura do Bitcoin, sua origem, além de vantagens e desvantagens da moeda digital descentralizada.

ÍndiceO que é Bitcoin?O que significa “Bitcoin”?Quando o Bitcoin foi lançado?Quem inventou o Bitcoin?Para que serve o Bitcoin?Como funciona o BitcoinQuantos Bitcoins existem?Como o Bitcoin se valoriza?Quais são as vantagens do Bitcoin?Quais são as desvantagens do Bitcoin?Qual é a diferença entre Bitcoin e Ethereum?

O que é Bitcoin?

Bitcoin é uma moeda digital descentralizada que utiliza a tecnologia blockchain para registrar transações.

A principal característica da criptomoeda é não ser controlada por nenhuma instituição financeira ou governos, já que todas as movimentações são validadas por uma rede de usuários via mecanismo de consenso Proof of Work (PoW).

O Bitcoin foi a primeira criptomoeda do mundo e tem sido adotado por entusiastas em razão da transparência nas transações, a robustez e a segurança da blockchain.

O que significa “Bitcoin”?

Bitcoin é um termo formado pela união de bit — a menor unidade de informação na computação — e coin, que significa moeda em inglês. É uma criptomoeda digital descentralizada, representada pelo símbolo ₿ e que usa a sigla oficial “BTC”.

Quando o Bitcoin foi lançado?

O whitepaper do Bitcoin foi publicado em 31 de outubro de 2008 e o primeiro bloco da blockchain foi minerado em 3 de janeiro de 2009, oficializando o lançamento da criptomoeda.

Porém, o site bitcoin.org tem domínio registrado desde agosto de 2008.

Site oficial do projeto Bitcoin (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Quem inventou o Bitcoin?

O Bitcoin foi inventado por Satoshi Nakamoto, pseudônimo utilizado por uma pessoa ou um grupo de pessoas. Desde o lançamento da criptomoeda, o desenvolvedor do protocolo original — ou desenvolvedores — permanece anônimo, tendo se desligado oficialmente do projeto em 2010.

Para que serve o Bitcoin?

O Bitcoin serve como moeda de troca, assim como qualquer outra moeda no mundo.

No entanto, por ser uma rede descentralizada, os valores podem ser transferidos entre as pessoas sem que haja intermediários nas transações — como bancos, governos ou instituições financeiras –, embora serviços como corretoras possam atuar como facilitadores.

Países como El Salvador já aderiram ao Bitcoin como moeda oficial. No Brasil, alguns serviços e, principalmente, empreendedores entusiastas já aceitam a moeda como forma de pagamento.

Devido à sua oferta limitada, o Bitcoin também é frequentemente utilizado como reserva de valor, já que a cada quatro anos a emissão de unidades é reduzida pela metade, o que pode elevar seu preço com o passar do tempo.

Como funciona o Bitcoin

O Bitcoin funciona por meio de uma rede descentralizada do tipo peer-to-peer (P2P), na qual qualquer pessoa pode participar executando um nó e mantendo uma cópia completa da blockchain — o registro público de todas as transações já realizadas.

Nesse sistema, não existe uma autoridade central. As transações são validadas coletivamente pelos participantes da rede, seguindo regras de consenso previamente definidas.

A segurança das transações é garantida por criptografia assimétrica. Cada usuário possui uma chave pública e uma chave privada, que permite autorizar movimentações.

Exemplo de carteira física da Ledger para o armazenamento de Bitcoin (Imagem: rc.xyz NFT gallery/Unsplash)

Apenas o detentor da chave privada pode transferir os fundos, enquanto a rede utiliza a chave pública para verificar a autenticidade da operação sem expor dados sensíveis.

Cada transação é assinada digitalmente, assegurando que foi autorizada pelo proprietário e que não sofreu alterações após o envio.

Essas transações são agrupadas em blocos, que são adicionados à blockchain por meio de um processo chamado mineração. O processo utiliza o mecanismo de consenso conhecido como Proof of Work, no qual mineradores competem para encontrar um hash válido para o bloco, utilizando alto poder computacional.

A mineração cumpre duas funções principais: validar e ordenar as transações na rede, além de garantir a segurança do sistema. Como incentivo, os mineradores recebem recompensas em novos bitcoins e taxas de transação.

Quantos Bitcoins existem?

Existirão 21 milhões de Bitcoin, sendo que a grande maioria das unidades já foram mineradas. O número foi estabelecido por Satoshi Nakamoto na criação do protocolo em 2009, com a previsão de que o último Bitcoin seja minerado por volta do ano 2140.

Como a quantidade total de unidades é limitada, o Bitcoin se torna um ativo deflacionário. A cada 4 anos acontece o Halving, evento automático da rede que reduz a recompensa por minerar um bloco pela metade, aumentando a escassez da moeda.

Após esse período, os mineradores continuarão sendo remunerados por meio das taxas de transação pagas pelos usuários da rede.

População de El Salvador em protesto contra Bitcoin (Imagem: Lorie Shaull/ Flickr)

Como o Bitcoin se valoriza?

A valorização e desvalorização do Bitcoin segue a lei da oferta e demanda, a liquidez de mercado, além da adoção e percepção de investidores.

A expectativa para o crescimento no valor de mercado do Bitcoin se dá pela redução na emissão de moedas aos mineradores a cada quatro anos. Dessa forma, cria-se a expectativa que o valor de mercado da criptomoeda cresça, já que existirão menos unidades em circulação nas corretoras.

No entanto, muitos entusiastas das moedas digitais não veem o Bitcoin como um ativo financeiro tradicional. Para eles, o que importa não é quanto ele vale em reais ou dólares, mas o fato de que 1 Bitcoin continua sendo 1 Bitcoin, independentemente do preço ou da quantidade de moedas disponíveis.

Quais são os riscos do Bitcoin?

Assim como em todas as criptomoedas, o usuário que compra Bitcoin está sujeito a alguns riscos:

Volatilidade no valor de mercado: o Bitcoin é um ativo de valor extremamente volátil, podendo apresentar variações de valor a cada segundo. Usuários que compram a moeda digital precisam estar cientes de que o valor pago hoje pode ser muito menor na data da venda, resultando em prejuízo financeiro;

Regulamentação da criptomoeda: o Bitcoin está sujeito a regulamentação e mudanças na legislação que podem restringir o uso, compra e venda, além da possibilidade de cobranças de impostos extras para pessoas que possuem a moeda sob custódia no Brasil;

Perda de custódia: armazenar unidades de Bitcoin com segurança exige uma carteira específica e senhas complexas. No entanto, perder o acesso a essa senha indica que você nunca mais terá como recuperar o saldo da sua conta, já que não é possível recuperá-la;

Vulnerabilidades em corretoras: usuários que mantiverem unidades de Bitcoin em corretores podem estar sujeitos a vulnerabilidades, ataques e vazamentos de código. Isso pode fazer com que criminosos confisquem todo o saldo de compradores.

Quais são as vantagens do Bitcoin?

O Bitcoin oferece as seguintes vantagens em comparação com outras moedas:

Descentralização: o Bitcoin é uma moeda descentralizada, isso significa que nenhuma empresa ou governo tem controle sobre as transferências realizadas e sobre o saldo. O único dono das moedas é o usuário, sem risco de bloqueio ou restrições judiciais;

Segurança: todas as transferências de Bitcoin são registradas na blockchain, ou seja, nenhum dado pode ser alterado ou revertido por terceiros, visto que foi verificado por mineradores;

Transparência: a blockchain mantém todos os registros de transferência públicos, que podem ser auditados por qualquer usuário, garantindo a transparência da rede;

Acessibilidade: o Bitcoin é um ativo que pode ser transferido globalmente sem restrições geográficas ou taxas extras de empresas, principalmente por usuários que residem em países diferentes.

Quais são as desvantagens do Bitcoin?

A moeda digital também traz alguns pontos negativos, como, por exemplo:

Consumo energético: a mineração de Bitcoin exige um alto poder computacional para manter a rede em funcionamento. Esse processo consome uma grande quantidade de energia elétrica em todo o planeta;

Sistema irreversível em caso de fraude: todos os registros feitos na blockchain são definitivos. Ou seja, caso você seja vítima de um golpe, não é possível entrar em contato com o “banco” para reverter a transferência;

Complexidade: manter uma carteira de Bitcoin exige conhecimento técnico avançado para armazenar as unidades e garantir a segurança dos fundos;

Risco de desvalorização: o Bitcoin é um ativo que pode valorizar e desvalorizar em poucos segundos. Dessa forma, adquirir uma grande quantidade de moedas pensando no valor de revenda pode ser um problema, caso o mercado esteja em queda.

Qual é a diferença entre Bitcoin e Ethereum?

O Bitcoin é uma moeda digital descentralizada que opera em um sistema peer-to-peer (P2P). Seu principal objetivo é servir como reserva de valor, priorizando a segurança das transações, que são validadas por mineradores.

A rede funciona com base no mecanismo de Proof of Work, no qual esses mineradores utilizam poder computacional para validar novos blocos na blockchain, recebendo recompensas após cada bloco minerado.

Já a Ethereum é uma plataforma voltada à execução de contratos inteligentes e aplicações descentralizadas. Foi desenvolvida para permitir a criação de soluções digitais sem intermediários e utiliza o Ether como sua criptomoeda nativa, responsável por viabilizar e validar as transações.
O que é Bitcoin? Entenda como funciona a moeda digital descentralizada

O que é Bitcoin? Entenda como funciona a moeda digital descentralizada
Fonte: Tecnoblog

O que é Ethereum? Conheça a história da plataforma blockchain descentralizada

O que é Ethereum? Conheça a história da plataforma blockchain descentralizada

Vitalik Buterin, cofundador do Ether e da rede Ethereum (Imagem: TechCrunch/ Flickr)

Ethereum é uma plataforma proposta por Vitalik Buterin e desenvolvida com outros cofundadores, que utiliza o Ether (ETH) para pagar taxas de execução e participar da validação da rede por meio de contratos inteligentes e aplicações descentralizadas.

Lançada em 2015, a rede é utilizada por desenvolvedores em todo o mundo e passou por eventos importantes que influenciaram sua evolução, sendo baseada no mecanismo de consenso Proof of Stake (PoS).

A Ethereum executa programas na Ethereum Virtual Machine (EVM), replicada em vários nós para garantir integridade. Contratos inteligentes são códigos executados pela EVM, com taxas pagas em Ether (gas). Nesse modelo, validadores utilizam ETH para validar transações e recebem recompensas.

A seguir, entenda a origem da rede descentralizada, seu funcionamento e suas principais aplicações na web.

ÍndiceO que é Ethereum?O que significa Ethereum?Para que serve a Ethereum?Qual é a história da Ethereum?Quem é o dono da Ethereum?Como funciona a Ethereum?A Ethereum é segura?Qual é a diferença entre Ethereum e Ether?Qual é a diferença entre Ethereum e Bitcoin?

O que é Ethereum?

Ethereum é uma blockchain descentralizada, de código aberto e que permite o desenvolvimento e a execução de aplicativos descentralizados (dApps) e a elaboração de contratos inteligentes (smart contracts).

A rede foi desenvolvida em 2015 por Vitalik Buterin, desenvolvedor de software russo-canadense, e tem o Ether (ETH) como criptomoeda nativa.

O que significa Ethereum?

Ethereum deriva da palavra “Éter”, termo da ficção científica para um elemento hipotético que preenche o universo e permite a propagação da luz. Esse conceito também serviu de base para o nome da criptomoeda nativa da plataforma, o Ether (ETH).

Vitalik Buterin adotou o nome inspirado em conceitos científicos, com o objetivo de desenvolver uma rede “invisível”, mas onipresente, de soluções descentralizadas.

Para que serve a Ethereum?

A Ethereum oferece infraestrutura para o desenvolvimento de soluções digitais descentralizadas. A plataforma possibilita a criação de contratos inteligentes, aplicativos descentralizados e serviços financeiros (DeFi), sem intermediários, como bancos.

As transações e execuções de contratos são validadas por uma rede distribuída de participantes, por meio de mecanismos de consenso. Além disso, muitos desenvolvedores usam a plataforma para criar novas ferramentas descentralizadas, sem a necessidade de um governo ou empresa para gerenciar esses recursos.

A criptomoeda nativa da Ethereum é usada para o pagamento de taxas de transação e para a validação dos serviços da rede.

Qual é a história da Ethereum?

A história da Ethereum tem início em 2013, quando Vitalik Buterin decidiu criar uma blockchain que aceitasse linguagens de programação para executar contratos inteligentes, publicando o whitepaper “Ethereum: A Next-Generation Smart Contract and Decentralized Application Platform”.

O projeto de desenvolvimento foi financiado a partir da venda antecipada de tokens Ether, arrecadando US$ 18,3 milhões, tendo uma equipe composta por Buterin e mais sete fundadores.

A Ethereum foi lançada oficialmente em 30 de julho de 2015 (versão Frontier), já permitindo a criação de contratos inteligentes e a mineração de blocos via Proof of Work (PoW).

Ether é a segunda criptomoeda mais usada no mundo (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Em 2016, a plataforma recebeu a primeira grande atualização, e também foi quando ocorreu o primeiro grande incidente: um ataque explorou uma vulnerabilidade no código do contrato inteligente da organização “The DAO”, resultando no desvio de US$ 150 milhões em Ether.

O fato foi responsável pela divisão da rede Ethereum em duas: Ethereum Classic (ETC) e Ethereum (ETH), já que parte da comunidade de desenvolvedores decidiu reverter a transação do invasor, o que desagradou uma minoria.

O Ethereum foi validado como uma grande plataforma de lançamento de ativos digitais em 2017, com a chegada do padrão de token ERC-20. Diversas empresas criaram seus próprios tokens com a plataforma, gerando uma onda de oferta de ativos e sobrecarregando a rede.

Os anos seguintes foram direcionados para a transição de Proof of Work para Proof of Stake, substituindo a mineração pela custódia desses ativos como prova de consenso. Em 2022, inclusive, a Ethereum fundiu-se com a Beacon Chain, evento conhecido como “The Merge”, que eliminou a mineração e reduziu o consumo de energia.

Anúncio sobre Beacon Chain divulgado pela Ethereum (Imagem: Reprodução/Ethereum)

Além disso, a introdução da atualização EIP-1559, em 2021, mudou a estrutura das taxas, passando a destruir uma parte do Ether pago em cada transação, diminuindo a oferta e aumentando a escassez do ativo.

Quem é o dono da Ethereum?

A Ethereum é uma plataforma descentralizada, sendo gerida por uma comunidade de desenvolvedores, mineradores e validadores de transações — apesar de ter sido criada e desenvolvida por Vitalik Buterin.

A rede é apoiada pela Ethereum Foundation (EF), com sede na Suíça. A organização sem fins lucrativos financia pesquisas, coordena atualizações e organiza conferências. Porém, todas as mudanças realizadas na Ethereum são aprovadas apenas a partir de um consenso da comunidade.

Buterin ainda é uma figura central no desenvolvimento da rede, mas, apesar de ser influente, não possui o controle sobre o código-fonte e autoridade para decisões na plataforma.

Como funciona a Ethereum?

O funcionamento da Ethereum se baseia na execução de programas em uma máquina virtual, conhecida como Ethereum Virtual Machine (EVM).

A EVM é um ambiente replicado por uma série de computadores em todo o mundo, e cada um desses “nós” executa os códigos enviados para a rede de forma idêntica, garantindo a integridade dos dados.

Os chamados “contratos inteligentes” são esses códigos executados pela EVM. A máquina virtual interpreta e executa as instruções do contrato, consumindo uma quantidade específica de “gas” (taxa).

O usuário deve pagar essa taxa usando a criptomoeda nativa da plataforma, o Ether (ETH), que serve como um incentivo para manter a integridade da rede.

Representação sobre o Ether, criptomoeda nativa da rede Ethereum (Imagem: Moose Photos/Pexels)

Ao usar o conceito de Proof of Stake, os validadores usam seu próprio Ether para processar as transações dos usuários, recebendo recompensas. Caso alguém tente manipular a máquina virtual, o próprio protocolo pode penalizar parte do Ether em caso de comportamento malicioso.

Assim que os validadores concordam com a execução de determinado código na EVM, e com o pagamento das taxas sendo realizado, a rede grava os dados permanentemente para definir que todas as etapas foram cumpridas corretamente.

A Ethereum é segura?

A Ethereum usa criptografia assimétrica e descentralização para garantir a segurança das transações. Para que criminosos consigam comprometer toda a rede, é necessário que eles controlem mais de 50% do Ether em stake na rede, o que se torna uma tarefa inviável financeiramente.

Isso torna a rede Ethereum segura. No entanto, a segurança de contratos inteligentes depende da qualidade do código escrito pelos desenvolvedores. Usar a Ethereum para executar softwares com vulnerabilidades não garante que o aplicativo seja seguro.

Além disso, o Ether pode ser utilizado como reserva de valor, mas está sujeito à volatilidade — como todo ativo financeiro.

Qual é a diferença entre Ethereum e Ether?

Ethereum é uma plataforma descentralizada com um conjunto de regras, tecnologias e computadores interconectados para validar transações.

A rede é uma blockchain programável que permite a criação de aplicativos descentralizados e contratos inteligentes, a partir de uma máquina virtual (EVM) e protocolos de consenso (PoS).

Já o Ether é a criptomoeda nativa da rede Ethereum — que muitas vezes é confundida com o próprio nome da rede.

A moeda serve como pagamento em transações e na execução de contratos inteligentes na plataforma descentralizada, além da possibilidade de ser adquirida como um ativo digital em corretoras de criptomoedas (exchanges).

Qual é a diferença entre Ethereum e Bitcoin?

A Ethereum é uma plataforma que tem como objetivo executar contratos inteligentes e aplicações. Foi desenvolvida para a programação de soluções digitais descentralizadas e usa o Ether como criptomoeda principal para validar transações.

Já o Bitcoin é uma moeda digital descentralizada que funciona via peer-to-peer (P2P). O ativo tem como principal objetivo oferecer uma reserva de valor e foca na segurança das transações, validadas por mineradores.

A plataforma é mantida por meio do Proof of Work, no qual esses mineradores utilizam poder computacional para resolver problemas matemáticos e validar os blocos.

Ao contrário do Ethereum, cujo criador é conhecido (Vitalik Buterin), o Bitcoin foi criado por uma entidade anônima conhecida como Satoshi Nakamoto.
O que é Ethereum? Conheça a história da plataforma blockchain descentralizada

O que é Ethereum? Conheça a história da plataforma blockchain descentralizada
Fonte: Tecnoblog

O que é NFT? Saiba como funcionam os tokens não fungíveis

O que é NFT? Saiba como funcionam os tokens não fungíveis

NFTs servem como um certificado de autenticidade digital para itens únicos (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

NFTs, ou tokens não fungíveis, são ativos digitais exclusivos que comprovam a propriedade de um item específico. Diferentemente de moedas tradicionais ou criptomoedas, cada token dessa categoria é único e não pode ser substituído por outro.

Eles funcionam em uma blockchain, um livro-razão digital que garante a autenticidade e a prova de propriedade do token. Ao adquirir um NFT, a pessoa recebe um certificado digital exclusivo do ativo associado, assegurando a originalidade.

Exemplos de NFTs incluem obras de arte digitais, colecionáveis virtuais e até terrenos em metaversos. Essa tecnologia oferece uma ampla diversidade de aplicações, criando oportunidades para artistas, criadores, colecionadores e investidores.

Entenda melhor o conceito de NFTs, para que eles servem e seu funcionamento detalhado. Também saiba os benefícios e as limitações dos tokens não fungíveis.

ÍndiceO que é NFT?Qual é o significado de NFT?Para que servem os NFTs?Como funcionam os NFTsQuais são as principais plataformas de NFTs?Quais são os principais tipos de NFT?Quais são os benefícios do NFT?Quais são as limitações do NFT?Qual é a diferença entre tokens não fungíveis e tokens fungíveis?Qual é a diferença entre NFTs e criptomoedas?

O que é NFT?

Um NFT, ou token não fungível, é um ativo digital exclusivo que atesta a propriedade de um item, como arte, música ou vídeo, registrado em uma blockchain. Sua natureza não fungível significa que cada token é único e insubstituível, impedindo a troca de um para um.

Essa singularidade é garantida por um código identificador único e metadados específicos gravados na blockchain, tornando o ativo verificável e imutável. Isso permite que tokens digitais sejam comprados, vendidos e negociados, estabelecendo a autenticidade e a escassez no mundo digital.

Qual é o significado de NFT?

NFT é a sigla para Non Fungible Tokens (Tokens não fungíveis, em português). Token é um ativo digital único que representa a propriedade de um item, seja uma imagem, vídeo ou áudio registrado em uma blockchain.

O termo “Não fungível” significa que cada token é único, não podendo ser copiado, substituído ou trocado por uma unidade idêntica. Essa característica é o que permite que eles autentiquem a originalidade e propriedade de bens digitais.

NFTs são ativos digitais que comprovam a autenticidade de itens registrados em uma blockchain (imagem: rc.xyz NFT gallery/Unsplash)

Para que servem os NFTs?

Os NFTs servem como um certificado de autenticidade digital para itens únicos, permitindo que criadores tokenizem ativos como obras de arte, vídeos e colecionáveis digitais. Eles estabelecem e comprovam a propriedade de forma transparente no ambiente digital.

Cada NFT é protegido pela tecnologia blockchain, garantindo que só exista um proprietário oficial e que o registro de propriedade não possa ser alterado ou copiado. Essa exclusividade abre novas oportunidades de monetização para ativos digitais.

Como funcionam os NFTs

Os NFTs são criados por meio de um processo de cunhagem em um ambiente blockchain, um livro-razão imutável. Informações do arquivo digital e contratos inteligentes, que são acordos digitais, são registrados para assegurar a autenticidade e a propriedade do ativo, garantindo a exclusividade.

Esses tokens operam em redes como a Ethereum, seguindo padrões como ERC-721 para itens únicos e ERC-1155 para coleções. Aqui vale dizer que, devido ao tamanho dos arquivos, os NFTs geralmente fazem referência a dados armazenados em sistemas descentralizados, não o próprio arquivo digital.

Para comprar NFTs, é preciso ter uma carteira digital compatível e criptomoedas, como Ether (ETH), usadas para as transações e taxas. Essa infraestrutura é fundamental para a Web3, a próxima geração da internet descentralizada.

A comercialização de NFTs ocorre em marketplaces online dedicados, onde os usuários listam e negociam os tokens. Esse sistema descentralizado facilita a interação direta entre criadores e colecionadores, eliminando intermediários tradicionais.

Assim, o funcionamento das NFTs se baseia em uma combinação de blockchain, contratos inteligentes e outros elementos de tecnologia da informação e comunicação. Isso resulta em um ecossistema digital seguro para ativos únicos.

“Everydays: The first 5000 days”, obra NFT do artista Beeple, foi vendida por US$ 69 milhões (Imagem: Reprodução)

Quais são as principais plataformas de NFTs?

Existem diversas plataformas para negociação de NFTs focadas em diferentes públicos e tipos de conteúdo digital. As principais são:

OpenSea: popular marketplace de NFTs, funciona como um mercado aberto onde qualquer pessoa pode cunhar e vender ativos digitais, como artes, músicas, itens de jogos e colecionáveis;

Rarible: plataforma descentralizada que permite a criação, venda e compra de NFTs, principalmente focada em direitos de obras de artes digitais;

SuperRare: uma galeria de NFTs mais exclusiva, com curadoria especializada. Para listar um token, os artistas precisam ser convidados ou receber uma aprovação após uma inscrição;

LooksRare: marketplace que se diferencia ao recompensar os usuários por participar da plataforma com seu token nativo;

KnownOrigin: plataforma gerenciada por artistas onde criadores podem autenticar, expor e vender artes e colecionáveis digitais únicos;

Nifity Gateway: conhecida por oferecer coleções de NFTs de artistas renomados, incluindo trabalhos multimídia, vídeos e animações. Geralmente é visitada por colecionadores de obras de arte digital com potencial de valorização;

Magic Eden: um dos principais marketplaces de NFTs na blockchain Solana, oferecendo uma vasta galeria de colecionáveis digitais e jogos;

Bored Ape Yacht Club: embora seja uma coleção famosa de NFTs, também funciona como um marketplace próprio para coleções limitadas de artes digitais de macacos entediados;

NBA Top Shot: plataforma de NFTs próprias, especializada em momentos icônicos e jogadas de atletas e times da liga norte-americana de basquete em formato de vídeo colecionável.

Quais são os principais tipos de NFT?

Diversos tipos de ativos digitais que podem ser tokenizados como NFTs. Os mais comuns são:

Arte digital: obras de artes digitais exclusivas, como imagens, animações, GIFs e vídeos;

Bilhetes e ingressos: NFTs podem funcionar como bilhetes para eventos, shows ou conferências, oferecendo autenticidade e rastreabilidade, além de possíveis benefícios adicionais;

Colecionáveis virtuais: itens digitais raros e únicos, como cartões virtuais, figurinhas e acessórios exclusivos para avatares ou personagens em jogos de videogame;

Fotografia: fotógrafos podem tokenizar as imagens registradas por eles, permitindo a venda da propriedade total ou parcial das obras para colecionadores;

Esportes: coleções de arte digital e momentos icônicos baseados em atletas, equipes e eventos esportivos, semelhante aos cards e figurinhas colecionáveis físicas;

Imóveis virtuais: terrenos, propriedades e edifícios em mundos virtuais e metaversos, que podem ser comprados, vendidos e desenvolvidos;

Mídia social: conteúdos virais como memes e tweets originais podem ser tokenizados, transformando breves publicações em ativos digitais colecionáveis;

Música e videoclipes: conteúdo musical e de vídeo exclusivo ou em edição limitada, permitindo que artistas e fãs comprem e vendam faixas e clipes raros; 

Nomes de domínio: nomes de domínio descentralizados, como .eth ou .crypto, que oferecem propriedade digital segura e privada sobre identidades online.

Vídeo viral de Nathan Apodaca andando de skate ao som de “Dreams” de Fleetwood Mac foi vendido como NFT por US$ 500 mil (imagem: Reprodução/TikTok)

Quais são os benefícios do NFT?

Os NFTs oferecem uma série de vantagens para criadores e colecionadores no mundo digital. Alguns deles são:

Comprovação de propriedade: NFTs são registrados em blockchain, garantindo que cada ativo digital é único e comprovando a propriedade de forma transparente e imutável. Isso minimiza fraudes e falsificações;

Escassez digital autêntica: diferente de outros tokens, cada NFT é singular e insubstituível. Isso os torna adequados para representar itens digitais raros, como colecionáveis, obras de arte e itens de jogos;

Liberdade criativa e inovação: NFTs permitem que criadores experimentem novos formatos e modelos de negócios, expandindo os limites da arte digital e propriedade intelectual;

Empoderamento e monetização para criadores: artistas e criadores têm mais controle sobre as obras, estabelecem conexões diretas com o público e acessam novas fontes de receita, como royalties em revendas;

Construção de comunidade: NFTs podem conferir acesso a conteúdos exclusivos, experiências VIP ou grupos fechados. Isso cria comunidades engajadas onde criadores interagem diretamente com os fãs;

Descentralização e acessibilidade global: o mercado de NFTs é global e acessível a qualquer pessoa com conexão à internet. Isso elimina intermediários tradicionais e democratiza o acesso à arte e colecionáveis.

Quais são as limitações do NFT?

Apesar dos diversos aspectos positivos, há algumas questões sobre NFTs que devem ser levadas em consideração:

Instabilidade do mercado: os preços dos NFTs podem ser extremamente voláteis, resultando em ganhos ou perdas rápidas para investidores e novos participantes;

Acessibilidade e usabilidade: a complexidade tecnológica e a necessidade de conhecimento em criptomoedas podem dificultar a adoção em massa dos NFTs;

Armazenamento e segurança: os próprios NFTs não armazenam a obra de arte, mas sim um link para ela, o que pode levar à perda de acesso se o servidor que hospeda sair do ar;

Falta de regulamentação: a ausência de órgãos reguladores torna o mercado vulnerável a golpes, como ativos falsos, projetos fraudulentos e ataques de phishing, exigindo pesquisas aprofundadas do comprador;

Desafios legais e de direitos autorais: NFTs não protegem totalmente contra violações de direitos autorais ou contestações legais, e a falta de regulamentação pode dificultar a execução dos contratos inteligentes;

Preocupações ambientais: a dependência de blockchain que consomem muita energia para cunhagem e negociação de NFTs levanta sérias preocupações ambientais devido às emissões de carbono.

Qual é a diferença entre tokens não fungíveis e tokens fungíveis?

Tokens não fungíveis representam ativos únicos e insubstituíveis. Cada NFT tem características distintas que o diferenciam de qualquer outro, conferindo uma identidade exclusiva e impedindo que seja trocada um a um por outro token do mesmo tipo.

Já os tokens fungíveis são intercambiáveis, o que significa que cada unidade é idêntica a outra e pode ser trocada sem alteração do valor. Algo que ocorre com moedas tradicionais ou criptomoedas como o Bitcoin.

Qual é a diferença entre NFTs e criptomoedas?

NFTs são ativos digitais exclusivos que representam a propriedade de um item específico, seja ele uma obra de arte digital, um item de jogo ou colecionável. Por ser um token não fungível, eles são únicos e insubstituíveis.

Criptomoedas são moedas digitais descentralizadas projetadas para serem usadas como meio de troca para transações financeiras e investimentos em ambientes blockchain. Cada unidade de uma criptomoeda é idêntica e pode ser trocada por outra, tornando-as fungíveis.
O que é NFT? Saiba como funcionam os tokens não fungíveis

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Fonte: Tecnoblog

O Real Digital não é o que você está esperando

O Real Digital não é o que você está esperando

A digitalização do dinheiro segue a pleno vapor no mundo todo. Parte desse processo se dá através da CBDC, ou Central Bank Digital Currency. Trata-se da versão digital de uma moeda oficial, respaldada pelo Banco Central do país em questão.

Real digital tirando a burocracia do caminho (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O conceito é uma apropriação do que acontece no universo das criptomoedas. Apenas em parte, porém: aqui não existe a descentralização característica do universo cripto, é o Estado quem emite o dinheiro, como já acontece com as moedas tradicionais.

Hoje, o país com a CBDC mais avançada é a China, onde as pesquisas sobre esta tecnologia começaram em 2014. Por lá, já dá para usar o yuan digital para fazer pagamentos no dia a dia, e até salários podem ser pagos dessa forma. Até outubro de 2022, cerca de 100 bilhões de yuans já haviam sido transacionais em seu formato digital.

Agora, é o Brasil que inicia os testes com a CBDC nacional. No entanto, nosso Banco Central tomou um caminho diferente do modelo chinês. Aqui os testes não envolverão, num primeiro momento, pagamentos de varejo. Por enquanto, você não vai poder pagar suas compras com o Real Digital.

O motivo disso é que o Brasil tem algo que a China não tem: o Pix.

Saindo do contexto do dia a dia

Em entrevista ao Tecnocast 286, o professor Carlos Ragazzo, da FGV, nos lembra das particularidades do caso chinês. Por lá, a população já está mais do que acostumada à digitalização dos pagamentos. Basta olhar para o uso amplamente difundido dos super apps WeChat e AliPay.

Ao concentrarem tanto das transações feitas no país, esses aplicativos – soluções privadas, oferecidas por Tencent e Alibaba – acumulam muito poder sobre o sistema financeiro local. Para o governo chinês, estimular o uso do yuan digital – ou seja, a solução do governo – também é uma forma de equilibrar essa relação, por assim dizer.

Lá o projeto deles é de reduzir a dependência das grandes plataformas, do AliPay e do WeChat. Porque eles já se livraram do cash. Já são noventa e tantos por cento de pagamentos digitais. Só que esses pagamentos digitais, eles se dão à margem dos sistemas financeiros tradicionais, dos bancos comerciais tradicionais chineses. (…) O yuan digital foi meio que utilizado pra começar a reduzir a relevância dessas plataformas digitais chinesas supergigantes por lá.

O Brasil não tem nada parecido com um WeChat ou AliPay. Até mesmo o WhatsApp Pay encontra dificuldades para decolar no contexto brasileiro. Por aqui, a solução mais utilizada já é a que partiu do governo: o Pix, cuja estrutura tem se mostrado suficiente para os pagamentos de varejo, aqueles que fazemos todos os dias.

China tem yuan digital operando e é líder no desenvolvimento de uma CBDC (Imagem: Adrian Korte/Flickr)

É por essa razão que o Real Digital não vem com esse foco, como aconteceu na China. Sendo assim, o piloto da CBDC brasileira abre as portas para que instituições financeiras apresentem projetos de novos produtos e serviços que podem ser viabilizados pelo Real Digital.

Contratos inteligentes e programabilidade

Os benefícios de uma CBDC vão muito na linha da facilitar certas operações. Desde envios de remessas de um país para outro até transações entre instituições financeiras, que envolvem grandes somas de dinheiro. É provável que o Real Digital tenha aplicações nessas frentes.

No entanto, ele também pode ser útil para acelerar alguns tipos de transação. Ragazzo cita um projeto capitaneado pelo Santander para transferência de veículos. Nele, o carro se torna um token dentro de um marketplace. A transmissão do bem para o comprador seria imediata, ocorrendo logo após o pagamento com o Real Digital e dispensando a burocracia normalmente associada a esse tipo de negócio.

A CBDC aqui está aliada a outra tecnologia, os smart contracts (contratos inteligentes), protocolos que permitem a execução automática de transações a partir da definição de certas condições. Tudo isso através de blockchain, onde as cláusulas do contrato ficam gravadas.

É uma possibilidade interessante, com implicações práticas na vida do público. Aqui o Real Digital mostra seu potencial para além dos pagamentos de dia a dia, com os quais estabelecida uma associação mais imediata.

Blockchain (Imagem: mmi9/Pixabay)

Outro projeto é uma parceria da fintech Capitual com a TecBan. Imagine que você fez uma compra on-line, e o produto foi entregue num armário inteligente. Também a partir de smart contracts, o armário identificaria quando você retirou sua compra, e só então o dinheiro – como Real Digital – seria repassado ao vendedor.

Segundo Ragazzo, essa aplicação está ligada à ideia de programabilidade do dinheiro, um conceito muito importante no piloto do Real Digital.

À medida que os testes caminham, a tendência é que outras utilidades sejam encontradas e novos serviços sugeridos. Com a infraestrutura sendo oferecida pelo Banco Central, cabe agora ao mercado ser criativo e propor formas inovadoras de fazer uso dela.
O Real Digital não é o que você está esperando

O Real Digital não é o que você está esperando
Fonte: Tecnoblog