Category: AI slop

Congresso dos EUA sofre com projetos de lei gerados por IA

Congresso dos EUA sofre com projetos de lei gerados por IA

Consultores legislativos do Congresso dos EUA têm revisado conteúdo superficial de IA (foto: Flickr/Gage Skidmore)

Resumo

O Congresso dos Estados Unidos enfrenta problemas com textos gerados por inteligência artificial (IA).
Consultores Legislativos relatam erros de escrita e informações erradas em projetos de lei e documentos analisados.
O uso de IA aumentou o volume de projetos enviados para revisão em 70% em relação a 2025.

O Congresso dos Estados Unidos é o mais recente alvo do chamado AI Slop, grande volume de conteúdos de baixa qualidade gerados por inteligência artificial. O problema tem sido relatado por consultores legislativos do Capitólio, profissionais que revisam projetos de lei e outros documentos produzidos pelas equipes de senadores e deputados.

Segundo os relatos, os documentos chegam com muitos erros de escrita, informações erradas e falta de profundidade, dinâmica que teria atrasado o fluxo legislativo estadunidense. Ao site especializado Politico, um dos funcionários afirmou que as equipes utilizam versões básicas do ChatGPT e Claude para redigir o material.

De acordo com o site, o uso de IA também levou a um aumento no volume de projetos enviados para revisão, que cresceu 70% em relação a 2025.

IA pode comprometer projetos de lei

Segundo os entrevistados pelo site Politico, o problema vai além dos erros “clássicos” das IAs, como as alucinações. Entre os exemplos levantados pelo conselheiro Wade Ballou, que chefiou a US House Office of Legislative Counsel (órgão responsável pelas revisões) entre 2016 e 2024, estão a definição de termos básicos como “estado” e a definição de tipos de verba pública.

Outro problema levantado pelos especialistas é, justamente, a baixa qualidade do trabalho entregue pelos gabinetes com o uso massivo de IA. Como a produção fica mais automatizada, deputados e seus assessores já não têm mais tanto entendimento do que estão propondo.

Saída também passa pelo uso de IA

Uso de IA de forma “desleixada” pode ser resolvido com outra ferramenta (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Como saída, os consultores estão recorrendo a outra ferramenta de IA para aprimorar a revisão. A Comparative Print Suite compara projetos a leis já estabelecidas para apontar evoluções no texto promulgado e apontar possíveis modificações a partir das novas sugestões.

O site Engadget lembra que o recurso também permite visualizar erros, ao invés de “passar por cima” de possíveis alucinações para entregar os documentos. Vale lembrar que o aumento no número de propostas também é uma preocupação, o que tem tomado muito tempo do trabalho dos Conselheiros Legislativos nos últimos anos.

AI Slop já é um problema real

O chamado AI Slop, ou “desleixo” de IA, na tradução literal, tem sido um problema em diversos ambientes online. Diante disso, plataformas vêm adotando medidas para frear a circulação de material superficial.

O LinkedIn, por exemplo, prometeu diminuir a distribuição de publicações claramente feitas com uso massivo de inteligência artificial, lançando inclusive um botão para denunciar casos de AI Slop.

LinkedIn agora tem botão “Seems like AI slop” para denunciar material de baixa qualidade (imagem: Tecnoblog)

Antes, o Tinder firmou parceria com o polêmico serviço de reconhecimento de retina World ID para diminuir a relevância de perfis criados com a ferramenta.

Enquanto isso, grandes empresas de IA estariam recorrendo a livros impressos para treinar seus modelos, em busca de conteúdo considerado mais confiável do que o material encontrado na internet.

Congresso dos EUA sofre com projetos de lei gerados por IA

Congresso dos EUA sofre com projetos de lei gerados por IA
Fonte: Tecnoblog

Por que as empresas de IAs estão “devorando” livros impressos?

Por que as empresas de IAs estão “devorando” livros impressos?

Inteligência artificial estaria “devorando” livros impressos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A empresa ISBNdb, que possui uma vasta base de dados de livros, está fornecendo conteúdo para o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA).
Esses modelos requerem dados de alta qualidade, preferencialmente de livros impressos lançados antes de 2022, considerados “mais limpos”, ou seja, sem conteúdo raso produzido por inteligências artificiais.
A aquisição em massa desses livros levanta preocupações, pois alguns podem ser destruídos após a leitura pelas máquinas. Obras raras estariam sob risco, e não há transparência dessas transações.

Modelos de IA atuais vêm recebendo uma fonte curiosa de informações: os livros impressos. Esse mercado tem sido alimentado pelo ISBNdb, site que diz ter a maior base de livros do mundo. A plataforma funciona como um reservatório digital das obras, com captação em pequenos e grandes fornecedores. Apesar de ser uma fonte importante para treinar IAs, há um receio quanto ao destino dessas unidades após a leitura das máquinas: muitos podem estar sendo “devorados”, ou pior, destruídos.

Segundo a ISBNdb, essa é a melhor forma de treinar os LLMs, uma vez que são materiais “limpos”, ou seja, sem o mal-falado AI Slop, conteúdo raso produzido com interferência de inteligências artificiais generativas. Ao utilizar dados mais recentes, a qualidade das informações levantadas pode cair, e a busca por livros impressos é uma forma de resolver o problema.

De acordo com o site 404 media, que noticiou o caso em primeira mão, as desenvolvedoras de IA têm preferência por livros lançados antes de 2022, ano em que modelos como ChatGPT e Claude começaram a se destacar no mercado. Além disso, é importante dizer que os LLMs têm como principais fontes de informações sites como Reddit e Wikipedia, com textos produzidos de forma independente pelos usuários.

Dados mais limpos; IA mais assertiva

O objetivo dessa procura por livros impressos é aumentar a qualidade dos dados utilizados pelos modelos de IA. Essa é uma forma de evitar o AI Slop, prática que tem sido bastante combatida atualmente na internet. Nesta semana, o LinkedIn começou a liberar um botão para denunciar conteúdos assim. Textos rasos produzidos inteiramente ou com alguma ajuda das inteligências artificiais são um problema para usuários de redes sociais e até empresas, com o chamado Workslop.

Livros impressos alimentando LLMs podem melhorar qualidade das respostas (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Os LLMs são capazes de criar diálogos mais humanos, o que requer uma boa base de interações reais. Por isso a importância de treinamentos a partir de redes sociais como o Reddit. Da mesma forma, a Wikipedia é uma plataforma com bastantes dados reunidos, o que também facilita o acesso a um grande volume de informações escritas de forma simples.

O desafio é conseguir esses livros impressos em larga escala. Para isso, a ISBNdb tem em seu catálogo dados de livrarias, pequenos vendedores e até títulos revendidos individualmente. Segundo a empresa, é possível coordenar compras com volume de até 1 milhão de unidades.

Novo mercado preocupa vendedores

O aumento na compra de livros impressos justamente em um momento de digitalização massiva dos conteúdos chama atenção. Além disso, a movimentação é observada com cautela por marketplaces, já que a oferta não corresponde a uma demanda tão alta.

I’m a second-generation bookseller. My family runs Houston’s largest used & rare bookstore and I’m building an AI tool for used bookstores. We got hit by exactly these orders, including a single order for 70 obscure books that made us pause online sales entirely. So I dug in. I… https://t.co/IK7OE8f1DG— Charlie D. Becker (@charliedbecker) July 28, 2026

Alguns vendedores relatam ainda uma falta de transparência nesses negócios, já que não há nenhuma informação sobre quem está comprando esses grandes volumes e porquê. A ISBNdb, por sua vez, afirma que as negociações são confidenciais. Um ponto positivo para os vendedores, além da vantagem financeira, é a saída de títulos que estavam encalhados nas prateleiras, como afirmou um entrevistado para o site 404 Media.

Há ainda o receio de que as obras sejam destruídas depois de escaneadas. É o que sugere um processo judicial movido contra a Anthropic nos Estados Unidos: o método de digitalização requer que as páginas sejam cortadas para serem lidas pelas máquinas, o que aceleraria o processo. Pensando em livros raros e de baixa circulação, é possível que muito material precioso vire apenas “alimento” de IA nesse processo.
Por que as empresas de IAs estão “devorando” livros impressos?

Por que as empresas de IAs estão “devorando” livros impressos?
Fonte: Tecnoblog

YouTube aperta o cerco contra vídeos ruins feitos com IA

YouTube aperta o cerco contra vídeos ruins feitos com IA

YouTube aperta o cerco contra vídeos ruins feitos com IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

YouTube modificou regras para combater vídeos de baixa qualidade feitos com IA;
plataforma não proíbe uso de IA na produção de vídeo, mas, com as novas medidas, visa mitigar o conteúdo de baixa qualidade;
plataforma passa a desmonetizar conteúdo genérico feito rapidamente com ferramentas de IA, por exemplo.

Se você nunca esbarrou com um vídeo de qualidade duvidosa feita com IA no YouTube, sinta-se privilegiado. Esse tipo de conteúdo está se tornando tão comum que algumas medidas estão sendo adotadas pela plataforma de streaming para combater o problema.

Que fique claro desde já que o YouTube não proíbe vídeos feitos com IA. O que o serviço tenta mitigar é o conteúdo de baixa qualidade, geralmente feito com pouco ou nenhum critério com o intuito de gerar monetização.

Esse tipo de conteúdo existe há muito tempo. Mas, com o advento da inteligência artificial, a produção de vídeos de baixa qualidade pode ser feita muito rapidamente, resultando em uma enxurrada de “AI slop” no serviço.

A prática se tornou tão disseminada que passou a ser tratada como uma forma de renda extra ou de empreendedorismo online. Se você pesquisar por “canais dark” ou termos parecidos no Google ou nas redes sociais, encontrará até cursos ensinando a usar ferramentas de IA para gerar vídeos rapidamente com propósito de monetização.

De novo: o YouTube não proíbe esse tipo de conteúdo. O que a plataforma visa atacar é o conteúdo de baixa qualidade, muitas vezes feito de modo a viralizar na rede social explorando temas polêmicos ou sensíveis, mas dando informações não raramente rasas, imprecisas ou até equivocadas.

No vídeo abaixo, Matt Halprin, do YouTube, comenta que a IA pode fornecer recursos para que criadores de conteúdo produzam vídeos de alta qualidade, mas que esse tipo de ferramenta também permite vídeos que “são muito genéricos, não têm uma narrativa consistente e não demonstram criatividade”. É isso que está sendo combatido.

Como o YouTube vai combater os vídeos de baixa qualidade?

A estratégia do momento está em modificar as regras do Programa de Parcerias do YouTube (YPP), que é justamente o que permite que criadores de conteúdos monetizem vídeos na plataforma de streaming.

Na primeira mudança, o conteúdo “genérico”, que é aquele feito rapidamente por ferramentas de IA ou computação gráfica, por exemplo, ou que replicam o conteúdo de outros vídeos apresentando apenas uma ou outra variação, não será monetizado.

O mesmo vale para vídeos que manipulam emoções, como aqueles que simulam resgate de animais ou exibem conteúdo desagradável para causar indignação de modo a serem muito compartilhados ou gerarem curtidas, fatores que os fazem ser mais visualizados.

A terceira medida consiste em barrar a monetização de vídeos que utilizam “personas”, isto é, representações de pessoas reais geradas por IA para tratar de assuntos delicados, como questões de saúde ou finanças.

Não é de hoje que o YouTube tenta combater o “AI slop”. Mas é preciso ir além. Com a atualização das regras de monetização, é possível que a plataforma tenha mais sucesso contra o problema, afinal, as novas medidas atacam justamente o ponto que incentiva a criação de conteúdo de baixa qualidade: a geração de receita.

Se as mudanças funcionarem, elas deverão ser favoráveis tanto para os usuários, que se depararão com menos vídeos ruins no serviço, quanto para criadores de conteúdo autêntico e de boa qualidade, que verão seus vídeos sendo priorizados na plataforma.

As modificações nas regras do YPP estão em vigor desde 16 de julho.

Com informações de Mashable
YouTube aperta o cerco contra vídeos ruins feitos com IA

YouTube aperta o cerco contra vídeos ruins feitos com IA
Fonte: Tecnoblog

AI Slop impacta mundo dos games e gera reação

AI Slop impacta mundo dos games e gera reação

Engine vem sofrendo com AI Slop (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo

A plataforma de desenvolvimento de jogos Godot vai proibir o uso de códigos gerados com inteligência artificial.
A Godot, utilizada em games como Slay the Spire 2 e The Case of the Golden Idol, identificou grande quantidade de Pull Requests mecânicos e de baixa qualidade.
A empresa exige que códigos sejam feitos por humanos para garantir responsabilidade e conhecimento dos contribuintes.

A engine de games Godot, utilizada em títulos como Slay the Spire 2 e The Case of the Golden Idol, vai proibir o uso de IA na programação, exigindo que os códigos utilizados sejam feitos por humanos. A mudança na política está relacionada a uma grande quantidade de pull requests (PRs) mecânicos e de baixa qualidade, o que configura como AI Slop – quando há uma grande quantidade de conteúdos rasos criados com IA generativa.

Essa tecnologia é oferecida em código aberto, e esses PRs são sugeridos pela comunidade para ajustes ou até para complementar o código-base, sendo uma parte importante do funcionamento da plataforma. Segundo a Godot, a análise dessas solicitações leva tempo, e muitas delas são elaboradas sem a profundidade necessária.

Para dar conta da situação, a empresa anunciou que todas as contribuições à engine devem ser feitas por humanos. A ideia é que as pessoas se responsabilizem pelos códigos submetidos, e que tenham conhecimento para fazer correções, caso necessário.

Slay the Spire 2 está entre os títulos baseados em Godot (imagem: divulgação)

Qual o impacto negativo da inteligência artificial nos jogos?

O caso da Godot envolve o uso exagerado de IA nas sugestões de ajustes para o código-base, um avanço significativo do problema que pode prejudicar a qualidade dos jogos construídos em torno da plataforma, além de atrapalhar o próprio trabalho dos revisores. Ainda assim, muitos jogos já publicados na Internet contam com inteligência artificial em algum nível.

No Steam, por exemplo, o número desses games subiu quase 700% de 2024 para 2025, como noticiou o site Tom’s Hardware. Inclusive, um a cada cinco títulos publicados na plataforma no ano passado teriam utilizado IA na produção.

Ao que parece, o público tem um menor interesse em games feitos com IA. Uma análise feita no ano passado identificou uma relação direta entre jogos desenvolvidos dessa forma e menor número de vendas e reviews no Steam. Na Pesquisa Game Brasil deste ano, por exemplo, quase 50% dos entrevistados alegou preocupação com o tema, ainda que 40% admitissem que, dependendo do título, não deixariam de comprar.

AI Slop preocupa toda a Internet

O termo AI Slop é utilizado para identificar esse uso massivo de IA que vem sendo observado nos diferentes ambientes online. Um estudo publicado pelo Imperial College of London, por exemplo, mostra que aproximadamente 35% dos conteúdos presentes na internet já são criados com inteligência artificial em algum nível, enquanto mais de 17% são inteiramente feitos com IA.

YouTube baniu canais com vídeos feitos inteiramente por IA (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Assim, muitas empresas têm buscado soluções para evitar o tal do AI Slop. Em maio deste ano, o LinkedIn anunciou novas regras de distribuição de seus posts para encorajar conteúdos mais aprofundados e que fujam de textos rasos feitos com IA generativa. O Tinder foi outra empresa a trazer novidades para resolver a situação e anunciou o polêmico reconhecimento de íris via World ID em parceria com a Tools for Humanity, de Sam Altman. 

Já o YouTube baniu alguns canais em janeiro após identificar vídeos feitos inteiramente por IA. Ainda em dezembro de 2025, uma pesquisa apontou que 20% dos conteúdos recomendados pela plataforma de vídeos eram considerados “lixo de IA”, justamente o que compõe o AI Slop.
AI Slop impacta mundo dos games e gera reação

AI Slop impacta mundo dos games e gera reação
Fonte: Tecnoblog