Segundo bissexto será aposentado após alerta sobre riscos digitais
Segundo bissexto será aposentado após alerta sobre riscos digitais
Organização internacional responsável pelas medidas de tempo decidiu acabar com o segundo bissexto (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)
Resumo
A Conferência Geral de Pesos e Medidas aprovou o fim dos segundos bissextos nos relógios mundiais.
A mudança evita problemas de sincronização em sistemas digitais e reduz riscos de falhas em dispositivos conectados.
O novo modelo, chamado de UTC Contínuo, permitirá uma defasagem de até 3.600 segundos, equivalente a uma hora.
A Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) aprovou o fim dos segundos bissextos nos relógios mundiais. A mudança ocorre para evitar problemas de sincronização em sistemas digitais diante da possibilidade de precisarem de um segundo bissexto negativo, que retiraria um segundo do horário oficial.
A CGPM, que é responsável pela atualização do Sistema Internacional de Unidades (SI), acredita que esse tipo de ajuste representa um risco elevado para infraestruturas críticas e poderia exigir investimentos comparáveis aos realizados na preparação para o Bug do Milênio, segundo o The Register.
O segundo bissexto é usado para manter dois padrões de tempo próximos:
Tempo Universal Coordenado (UTC): baseado em relógios atômicos e serve como referência para os horários civis e sistemas digitais;
UT1: calculado a partir da rotação da Terra, que não acontece em velocidade perfeitamente constante.
Como a velocidade da rotação do planeta varia ao longo do tempo, os dois padrões podem começar a se afastar. Quando essa diferença aumenta, segundos extras são adicionados ao UTC para compensar a diferença.
Nos últimos anos, porém, a Terra registrou períodos de rotação mais rápida e levantou a possibilidade de um segundo bissexto negativo, ou seja, que retiraria um segundo do relógio. Isso, no entanto, “é considerado de alto risco por causar anomalias e interrupções em infraestruturas críticas que estão amplamente despreparadas”, afirmou a organização.
Dispositivos não estariam preparados para mudança
Conexões entre dispositivos poderia falhar com erro pelo segundo extra (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
A preocupação aumentou com a expansão de sistemas conectados que dependem da precisão de data e hora, incluindo redes elétricas, servidores e até dispositivos de Internet das Coisas (IoT).
No entanto, nem todos os equipamentos lidam da mesma forma com segundo bissextos, assim como há aqueles que recebem poucas atualizações ou não foram desenvolvidos considerando esse tipo de correção.
De acordo com o The Register, grandes empresas de tecnologia já adotam métodos próprios para suavizar a inclusão de segundo bissextos. As soluções, porém, não são padronizadas entre os diferentes serviços.
UTC Contínuo deve estrear no ano que vem
Com a decisão, a CGPM pretende substituir os ajustes frequentes de um segundo por uma tolerância maior entre o UTC e o UT1. O novo modelo, chamado de UTC Contínuo, permitirá que os dois padrões acumulem uma diferença maior antes que seja necessária uma nova correção. A previsão é que a implementação comece já no ano que vem.
A proposta admite uma defasagem de até 3.600 segundos, equivalente a uma hora. Dessa forma, a frequência de intervenções no horário utilizado por computadores e redes é reduzida.
A mudança também evita que desenvolvedores precisem preparar softwares especificamente para a inclusão ou remoção ocasional de um único segundo, operação que pode ser tratada de maneiras diferentes por cada sistema.
Segundo bissexto será aposentado após alerta sobre riscos digitais
Segundo bissexto será aposentado após alerta sobre riscos digitais
Fonte: Tecnoblog

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